MP-SP quer investigar namorada de motorista de Porsche por falso testemunho

admin
31 Oct, 2026
Resumo O MPSP (Ministério Público de São Paulo) vai pedir a instauração de um inquérito policial contra Giovanna Pinheiro Silva, namorada do empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, condenado pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana em 2024. A investigação deve apurar a prática de falso testemunho por parte de Giovanna. A jovem era uma das principais testemunhas dos fatos que antecederam a colisão do Porsche 911 conduzido por Sastre contra o Renault Sandero de Ornaldo, em março de 2024, na zona leste de São Paulo. Por que o MP pede investigação A investigação deve verificar se a namorada do réu prestou declarações falsas ou omitiu informações relevantes sobre a noite do acidente. A intenção é verificar especialmente sobre o consumo de bebida alcoólica por Fernando Sastre antes de ele assumir a direção do veículo. O UOL apurou que o inquérito policial deve ser instaurado na terça-feira, após o feriado. Para o MP, Giovanna mentiu em outras ocasiões dizendo que Fernando não tinha consumido bebida alcoólica no dia dos fatos. Ela estava com Sastre na noite da colisão, acompanhados do então casal de amigos Marcus Vinicius e Juliana Simões. O grupo visitou um restaurante e uma casa de pôquer antes do acidente. Durante o julgamento, o condenado admitiu, pela primeira vez, ter consumido bebida alcoólica antes de dirigir. Ele disse ter tomado drinks em um restaurante, mas negou ter bebido na casa de pôquer. O depoimento de Giovanna poderia confirmar ou contrariar essa versão. O UOL não conseguiu contato com a defesa de Giovanna. Havendo manifestação, este texto será atualizado. O que já aconteceu no júri A namorado do motorista do Porsche era considerada uma testemunha importante para esclarecer o comportamento do empresário e as circunstâncias que antecederam a colisão. Era esperado seu depoimento já no primeiro dia de júri, mas ela não compareceu e foi alvo de um mandado de condução coercitiva — que não teve sucesso. A defesa, então, abriu mão de seu depoimento. A própria Giovanna apareceu na plateia horas depois de ter sido convocada pela Justiça. Ao final da sentença, a juíza Melanie Liesenberg determinou que Giovanna pagasse multa de dez salários mínimos — cerca de R$ 16,2 mil — por ter faltado à sessão e por ter feito gestos durante depoimentos no plenário. A sanção, porém, não se confunde com a eventual responsabilização criminal por falso testemunho, que agora deverá ser apurada em inquérito. Eu já acho um absurdo uma testemunha compromissada não comparecer ao presente ato. Estamos falando aqui da testemunha Giovanna. Como se não bastasse isso, temos aqui a testemunha, essa sim exemplar, que comparece, dá o depoimento dela, e a gente ainda tem que ficar aqui observando a testemunha de defesa fazendo um ar negativo balançando a cabeça. Eu vou pedir encarecidamente a vossa excelência, além de pedir que seja aplicada multa, eu peço que retire Giovanna do plenário. Rodolfo Justino Moraes, promotor de Justiça A condenação de Sastre Fernando Sastre foi condenado a 17 anos, um mês e dez dias de prisão, em regime inicial fechado, por homicídio doloso qualificado e lesão corporal gravíssima qualificada. O júri reconheceu que ele assumiu o risco de matar ao dirigir embriagado e em alta velocidade. A qualificadora foi o perigo comum. A perícia apontou que o Porsche trafegava a 156 km/h em uma via com limite de 50 km/h quando atingiu a traseira do carro de Ornaldo, que morreu no acidente. Marcus Vinicius Machado Rocha, passageiro do Porsche, ficou gravemente ferido. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.