Impostos e regras podem pesar no preço dos carros já em 2027
27 Oct, 2026
Impostos e regras podem pesar no preço dos carros já em 2027 Mudanças fiscais e custos industriais ameaçam compactos populares; fabricantes aguardam definições sobre tributos e exigências ambientais para definir futuro A compra de um carro zero-quilômetro pode pesar ainda mais no orçamento dos brasileiros a partir de 2027. A combinação entre novas regras tributárias, custos de produção e exigências de segurança e eficiência energética cria um cenário de incerteza para a indústria automotiva, especialmente no segmento de entrada, que atende consumidores com menor poder aquisitivo. Embora não exista confirmação de reajustes generalizados, a possibilidade de repasses preocupa o setor. Mas, indo direto ao ponto, o carro zero-km pode ficar mais caro? "Entendo que sim", pontua Milad Kalume Neto, sócio e diretor executivo da K.Lume Consultoria Automobilística. Para ele, a nova tributação e as questões regulatórias tendem a encarecer o produto. "O principal fator diz respeito ao CBS, ao IBS e ao Imposto Seletivo (previsto para começar a ser cobrado no ano que vem, mas ainda sem detalhamento das alíquotas)", conclui. A incidência e o formato da cobrança do Imposto Seletivo, a princípio, poderão influenciar a composição dos preços dos veículos no ano que vem. Sem conhecer o impacto efetivo do novo tributo, porém, fabricantes e consumidores seguem sem parâmetros definitivos para calcular os custos futuros. Ou seja, não dá para cravar o tamanho dessa possível alta.. Dúvidas e mais dúvidas O quadro também coloca em xeque a expectativa de simplificação prometida pela reforma tributária. A transição para o novo sistema envolve mudanças na cobrança de impostos e na concessão de incentivos fiscais, mecanismos utilizados pelos Estados para atrair fábricas e estimular investimentos. Na avaliação de representantes da indústria, a adaptação às novas regras exige planejamento e pode trazer custos adicionais antes que os benefícios esperados se materializem. A indústria precisa de previsibilidade para planejar investimentos e definir preços. Quando as regras tributárias ainda estão em discussão, fica mais difícil calcular os custos e saber quanto desse impacto poderá chegar ao consumidor. Para Kalume, o cenário de incerteza que domina o país logo após as eleições "é a receita de baixo investimento". De acordo com o especialista, "Sem definições (de alíquotas para a reforma tributária) tudo trava em relação a novos investimentos, afinal, as empresas trabalham de forma mais conservadora", pontua. Mais segurança e eficiência A pressão não se limita aos impostos. As montadoras também precisam cumprir metas de eficiência energética e redução de emissões estabelecidas pelo programa Mover, além de incorporar equipamentos e soluções voltados à segurança veicular. Embora essas mudanças possam trazer ganhos ambientais e de proteção aos ocupantes, a adaptação dos projetos e das linhas de montagem tem custos que, geralmente, influenciam o valor final dos automóveis. As fabricantes procuradas pela reportagem não quiseram antecipar previsões sobre preços para 2027. Compactos sob ameaça Os modelos compactos merecem atenção especial nesse cenário, cabe pontuar. Veículos como Fiat Mobi e Renault Kwid, por exemplo, representam uma porta de entrada para quem deseja sair do transporte público ou substituir um automóvel usado. Com margens de rentabilidade menores que as de carros de maior porte, no entanto, os modelos antigamente chamados de populares enfrentam o desafio de continuar competitivos mesmo com a elevação das despesas industriais. Se a conta deixar de fechar para as fabricantes, a oferta de versões mais acessíveis também poderá diminuir. Nesse cenário, há risco de o consumidor encontrar menos opções dentro da faixa de preço que consegue pagar. "O foco (das fabricantes) será por nichos mais rentáveis, como SUVs e compactos com maior valor agregado e, assim, os modelos de entrada tendem a ficar ainda mais escassos. Além disso margens restritas deverão ditar o ritmo das vendas em 2027. E um mercado em restrição ensejará um mercado de usados em alta. Ruim para uns, oportunidade para outros, no que incluo o segmento das motos", contextualiza Kalume. Cabe pontuar, ainda, que a combinação entre custos maiores e crédito caro pode dificultar a compra de um veículo novo. "Trata-se de uma combinação nociva a quem pretenda adquirir um novo veículo. Por tal motivo entendo que o mercado andará de lado em 2027. Uma taxa básica de juros (Selic) elevada encarece o financiamento, prejudicando a compra do bem. Além disso, a restrição de crédito é um outro fator levado em consideração pelas instituições financeiras que ficam ainda mais rigorosas nas aprovações", finaliza o especialista. LEIA MAIS: