Técnico do Corinthians destaca união do elenco em meio à luta contra o rebaixamento no Brasileirão

admin
25 Oct, 2026
Técnico do Corinthians destaca união do elenco em meio à luta contra o rebaixamento no Brasileirão O Corinthians vive um momento delicado no Campeonato Brasileiro. Sem vencer há dez jogos na competição, a equipe alvinegra entrou na zona de rebaixamento após a derrota para o Vasco da Gama, no último sábado. Diante do cenário de pressão, o técnico Clarence Seedorf destacou o comprometimento dos jogadores e explicou como tem trabalhado para manter o elenco motivado em busca de uma reação na temporada. “Este grupo está trabalhando muito bem todos os dias, com profissionalismo, entrega, disciplina e vontade. É um grupo unido, fechado, que sabe exatamente o que tem de fazer. É por isso que vocês veem essa reação quando as coisas não acontecem: é normal, pois quando se trabalha muito e o resultado não sai como o esperado, a frustração aparece. Às vezes, é justamente nessas horas que precisamos manter o foco e a união para continuar trabalhando dessa maneira. A única solução é trabalhar forte, com ideias claras, que é o que nós temos", iniciou em entrevista coletiva em São Januário. Além dos resultados dentro de campo, Seedorf destacou a necessidade de manter um ambiente construtivo no CT Dr. Joaquim Grava e reforçou a importância de contar com pessoas experientes para compreender o momento da equipe e contribuir para a evolução dos atletas. “Nós estamos acostumados com as críticas no futebol. É muito simples: você ganha e é um fenômeno; você perde e não sabe nada. Funciona assim em geral. Agora, com todo o respeito, não tenho muita sensibilidade para quem vem falar de fora. Acredito que precisamos fazer um trabalho diário, tendo muita experiência no futebol para entender este momento, os jogadores e o que eles precisam para evoluir, além de manter um ambiente positivo", complementou. Outro ponto abordado pelo treinador foi a participação da psicóloga Anahy Couto no processo de adaptação ao Corinthians. O holandês explicou que o acompanhamento psicológico tem contribuído para essa aproximação, permitindo que a comissão técnica compreenda não apenas os aspectos esportivos, mas também o lado humano dos atletas. "Todos gostariam de trabalhar em um ambiente positivo, pois é melhor e permite que você se expresse melhor. Então, o foco inicial foi exatamente esse. E mais uma coisa: a psicóloga me ajuda a conhecer melhor o grupo com mais rapidez, já que não temos tempo para aprofundar individualmente com cada atleta. Fizemos o máximo para nos entendermos. A parte técnica é a mais fácil; vamos a campo, eu observo e compreendo. Contudo, por trás de cada jogador, existe uma pessoa", pontuou. Na avaliação de Seedorf, a mudança no ambiente de trabalho já apresenta sinais positivos, embora os resultados ainda não correspondam ao esforço realizado. O técnico reconheceu que a Fiel terá de conviver com a apreensão até o fim do campeonato, mas destacou que a responsabilidade de representar o Corinthians precisa orientar a postura de todos. “Acho que conseguimos, em pouco tempo, transformar o ambiente em algo mais construtivo, positivo e otimista, acreditando que tudo é possível. É claro que o torcedor vai ter que sofrer com a gente até o final, mas a união, a responsabilidade e a vontade de dar essa alegria ao torcedor são um pensamento diário de todo mundo. Todos aqui sabemos quem representamos e estamos trabalhando de maneira muito séria, como falei na minha primeira coletiva: no mínimo, temos que fazer um trabalho bem-feito, com entrega, disciplina e união. Acho que já conseguimos isso. O que falta é essa vitória que estamos buscando, e não vamos parar de lutar por ela em todas as partidas que disputarmos", disse. Questionado sobre possíveis mudanças de costumes e posturas no Corinthians em comparação com sua experiência anterior no futebol brasileiro, Seedorf preferiu não aprofundar o assunto. O holandês atuou pelo Botafogo entre julho de 2012 e janeiro de 2014 e, durante sua passagem pelo clube carioca, esteve envolvido em discussões sobre a rotina de trabalho e o comportamento dos profissionais. Agora, à frente do Timão, ele afirmou que prefere concentrar suas atenções nas condições atuais e nos desafios que tem pela frente. “Este é um outro clube. Em termos de infraestrutura, não falta nada no Corinthians. Também não quero falar agora sobre 14 anos atrás, quando eu estava aqui como jogador — a situação era bem diferente —, prefiro olhar para a frente. Muitas pessoas dizem muita coisa, mas um dia teremos tempo para conversar sobre a minha experiência anterior no Brasil", comentou. O treinador também reforçou que sua prioridade é fazer com que o elenco receba o reconhecimento pelo empenho demonstrado nos treinamentos. Para Seedorf, a equipe precisa manter a seriedade e a confiança no processo, mesmo diante da sequência negativa no Brasileirão. "Neste momento, estou focado no trabalho que temos pela frente aqui no Corinthians. Acredito muito nisso porque confio na nossa dedicação e em como estamos trabalhando bem. É uma questão de virar essa chave e conquistar a vitória, para que este grupo tenha a recompensa merecida pelo empenho que vem demonstrando todos os dias", completou. Treinador destaca conversa com organizadas e analisa desequilíbrio defensivo contra o Vasco Na última quinta-feira, torcedores organizados do Corinthians foram ao CT Joaquim Grava para cobrar jogadores e comissão técnica pelos resultados recentes no Campeonato Brasileiro. Segundo Seedorf, a conversa teve um efeito positivo sobre o elenco e reforçou a importância de manter características historicamente associadas ao clube, como entrega e disposição para lutar até o fim. “Acho que isso nos motivou. A conversa com a torcida foi muito positiva porque firmamos um pacto: a entrega dos jogadores e de todos, que é o DNA do Corinthians, não pode faltar; não podemos desistir de tentar e de lutar. E acho que vimos essas características nos últimos dois jogos. É um time que luta, um time que quer", analisou. Apesar de valorizar a postura competitiva da equipe, o comandante reconheceu que o Timão precisa encontrar um equilíbrio maior entre a busca pelo ataque e a organização defensiva. A equipe chegou a marcar dois gols em São Januário, mas sofreu a virada para os mandantes nos minutos finais. Seedorf avaliou que a vontade de buscar o terceiro tento não pode comprometer a proteção da própria meta, especialmente quando o desgaste físico começa a pesar. “Concordo quanto ao terceiro gol, e isso envolve dois lados: a vontade de fazer mais um e a necessidade de se organizar enquanto ataca. Às vezes, especialmente no final da partida, aos quase noventa minutos, com os atletas cansados e sem tanta clareza mental, ficamos no um contra um. O que vou dizer? Não buscar o terceiro gol? Não. Essa vontade de querer marcar é ótima. Agora, precisamos trabalhar para ter sempre aquela organização que tivemos contra o Vitória — onde o adversário praticamente não chutou a gol —, mantendo a consistência da nossa parte defensiva", ressaltou. Na sequência, Seedorf ponderou que, diante da situação delicada do Corinthians na tabela, até mesmo um empate em São Januário teria sido importante. O treinador lamentou que a equipe não tenha conseguido administrar melhor o momento da partida, mas evitou responsabilizar exclusivamente a postura ofensiva pelo resultado. “No final das contas, um empate também seria bom, dado o momento em que chegamos. O ideal era vencer, mas, se o empate era uma opção, precisávateis ter nos organizado um pouco melhor. Contudo, há dois lados, como já mencionei. Agora, teria muita coisa para contar sobre este grupo; infelizmente, não temos muito tempo, mas eles estão trabalhando demais", disse. Por fim, o técnico saiu em defesa do elenco e ressaltou que a dedicação dos atletas vai além das atividades realizadas em campo e no CT. Seedorf reconheceu, porém, que o adversário também tem seus méritos e que, desta vez, o Vasco conseguiu aproveitar melhor as oportunidades para conquistar os três pontos. "Vou defendê-los porque se dedicam intensamente: não são apenas duas horas no CT, são cinco ou seis horas diárias, antes, durante e depois dos treinamentos. Eles querem, fazem as coisas bem, mas sempre há um adversário do outro lado. E hoje o Vasco conseguiu levar a vitória, infelizmente", finalizou. Em busca da reabilitação na temporada, o Corinthians terá pouco menos de uma semana para se preparar para o próximo compromisso pelo Campeonato Brasileiro. O Timão volta a campo na sexta-feira, dia 30 de outubro, quando recebe o Mirassol na Neo Química Arena, às 20h, pela 33ª rodada da competição.