Nasa diz fazer seu máximo para levar humanos à superfície da Lua em 2028
24 Oct, 2026
A Nasa conseguirá levar astronautas à Lua em 2028? Nesta sexta-feira (23), Jared Isaacman não garantiu que sim, mas afirmou que a agência espacial americana tem feito o máximo possível para cumprir essa meta. "Temos o mandato, os recursos e o apoio das partes interessadas para executar essa missão, e é isso que pretendemos fazer", disse o administrador da agência, durante uma entrevista coletiva em que apresentou atualizações sobre o programa Artemis, cujo objetivo é levar americanos de volta à superfície lunar pela primeira vez desde 1972. Em abril, a Nasa enviou quatro astronautas para dar uma volta ao redor da Lua, sem pouso, durante a missão Artemis 2. Para o ano que vem, está previsto que a Artemis 3 orbite a Terra por 14 a 17 dias, para que os astronautas possam praticar procedimentos de acoplagem com protótipos de módulos lunares. Estes últimos estão sendo desenvolvidos por duas empresas privadas: a SpaceX, de Elon Musk, e a Blue Origin, de Jeff Bezos. Por enquanto, a agência não decidiu qual módulo usará na Artemis 4, missão prevista para o fim de 2028 que levará dois astronautas à superfície lunar, perto do polo sul. Antes de receber humanos a bordo, os dois modelos de módulo terão de cumprir um voo de demonstração não tripulado até o satélite natural da Terra. Muitos especialistas externos duvidam que seja possível realizar um pouso na Lua em 2028 e dizem acreditar que a China levará seus astronautas à superfície antes da Artemis. Na entrevista coletiva, Isaacman e outros altos funcionários da Nasa falaram sobre como buscam acelerar o cronograma americano sem comprometer a segurança. Por exemplo, a agência estuda a ideia de um traje espacial mais simples para os primeiros pousos lunares do programa Artemis. Esse traje não teria todos os recursos de que a Nasa acabará precisando quando os astronautas passarem semanas ou meses na Lua. Mas reduziria a massa pela metade, para pouco mais de cem quilos por traje, poupando um peso precioso que teria de ser transportado até o satélite e de volta. "Quando se pensa em tudo o que precisa ser levado à superfície lunar, isso faz uma enorme diferença", disse Jeremy Parsons, gerente do programa Artemis na Nasa. Em seu discurso de abertura, Isaacman relembrou a corrida espacial da década de 1960 entre os Estados Unidos e a União Soviética e o rápido progresso alcançado durante o programa Apollo. Apenas nove meses se passaram entre a Apollo 7, a primeira missão com astronautas a bordo, e a Apollo 11, quando Neil Armstrong se tornou o primeiro ser humano a pisar na Lua. Hoje, a potência rival é a China, que avançou muito nas últimas duas décadas com seu programa espacial consistente e bem direcionado. O país pretende enviar seus astronautas à Lua até 2030. Desde que assumiu o cargo de administrador da Nasa, em dezembro do ano passado, Isaacman tem buscado reformular o programa Artemis, adotando uma abordagem mais gradual, semelhante à do Apollo. "É uma estratégia que esta agência conhece muito bem", afirmou. O primeiro pouso lunar do programa estava inicialmente previsto para ocorrer durante a missão Artemis 3 e aconteceria, na melhor das hipóteses, no fim de 2028. Porém, Isaacman decidiu que fazia mais sentido testar primeiro, na órbita da Terra, tecnologias essenciais de acoplagem, antes de depender delas a quase 400 mil quilômetros de distância, na Lua. Isso também permitiria à Nasa realizar lançamentos mais cedo e ampliar sua experiência no lançamento de foguetes. "A ideia de que levar mais tempo, gastar mais e, de alguma forma, voar menos produziria resultados melhores ou mais seguros é, a meu ver, um equívoco que permaneceu sem correção por tempo demais", disse Isaacman.