Pitty se isenta de cobranças por posicionamento e justifica silêncio: “Não cedo a demanda externa”

admin
20 Oct, 2026
Pitty explicou por que não responde a todas as cobranças por posicionamentos públicos nas redes sociais. Em entrevista ao Estadão, a cantora afirmou que não se manifesta apenas porque fãs ou o público exigem uma reação e disse que prefere agir de acordo com suas próprias convicções. Eu cheguei a um miradouro perto da Quinta da Regaleira, em Sintra, Portugal, e fiquei olhando a serra antes de comentar. Porque é sempre confortável chamar de “demanda externa” aquilo que, muitas vezes, é uma cobrança legítima por clareza de artistas que têm voz, alcance e público fiel. “Eu lido com a verdade, desde sempre. [...] Eu não posso ceder a uma demanda externa só porque é uma demanda externa”, afirmou Pitty. A fala veio quando ela foi questionada sobre a pressão para que se posicione de maneira mais explícita diante de temas públicos. Eu não estou dizendo que artista é obrigado a dar opinião sobre cada assunto que explode na internet. Ninguém é central de atendimento de pauta. Mas existe uma diferença entre não comentar tudo e transformar qualquer expectativa por posicionamento numa espécie de incômodo indevido. A cantora lançou na última sexta-feira o álbum “PITTY”, seu primeiro trabalho de inéditas em sete anos. O disco reúne 13 faixas e, segundo ela, nasceu de experiências recentes e de três anos de terapia. “Foi tudo do zero, foi tudo fresco, foi tudo de agora”, disse. Eu sentei no banco de pedra do miradouro e achei curioso: para compor, ela fala de verdade, de agora, de abrir ferida, de colocar três anos de terapia em música. Mas, quando a conversa chega à responsabilidade pública de quem é ouvida por tanta gente, a resposta vem cercada de cautela e distância. Pitty defendeu que a coerência não está apenas no que se diz publicamente, mas na forma como cada pessoa vive. “Quando a gente perde coerência com o que a gente pensa, com o que a gente é, não tem como voltar atrás. Então eu tento, procuro e pratico ser coerente com o que eu digo. E, principalmente, não com o que eu digo, com o que eu faço”, declarou. Eu respeito a ideia de coerência na vida cotidiana, mas posicionamento também é prática, minha filha. Silêncio não é um espaço vazio quando há debate público importante acontecendo. Ele pode ser escolha, estratégia ou proteção, mas continua sendo uma escolha que o público tem direito de questionar. A artista também falou sobre o aumento da presença feminina no rock e afirmou que prefere não separar “rock de mulher” e “rock de homem”, defendendo mais equidade na cena. Meu veredito é que Pitty continua uma artista potente, com obra, história e discurso próprio. Só não dá para fingir que chamar as cobranças de “demanda externa” encerra uma conversa que o público tem todo direito de continuar.