A inteligência artificial entra em casa pelos eletrodomésticos
14 Oct, 2026
A inteligência artificial entrou no centro das conversas sobre inovação há um tempo. Em muitos casos, aparece associada a sistemas complexos, grandes volumes de dados e transformações profundas nos negócios. No mercado global de eletrodomésticos, o impacto dela já é claro: segundo um estudo do Fortune Business Insights, o setor de home appliances inteligentes atingiu US$ 48,52 bilhões em 2025, cerca de R$ 249,78 bilhões, com previsão de um crescimento de US$ 54,77 bilhões (ou R$ 281,96 bilhões) em 2026 para US$ 166,83 bilhões (em torno de R$ 858,84 bilhões) até 2034. Na Brastemp, o uso dessas inovações parte de uma simples pergunta: como a tecnologia pode tornar a vida das pessoas melhor? Para a Whirlpool, dona da Brastemp, a verdadeira tecnologia não é aquela que se exibe, mas a que resolve dores cotidianas de maneira silenciosa, intuitiva e eficiente. A inovação precisa ter um propósito claro. Se uma solução tecnológica não simplifica a rotina, economiza recursos ou devolve às pessoas o tempo —uma das coisas mais importantes—, ela é apenas um ruído. Esse motor de transformação reflete-se em diferentes frentes do nosso negócio e, para que isso aconteça, a inovação precisa começar antes da tecnologia. Todos os anos, interagimos com mais de 300 mil consumidores no Brasil. Essa escuta ajuda a identificar desafios concretos: preservar melhor os alimentos, reduzir o tempo dedicado às tarefas domésticas, economizar água e energia, ampliar a capacidade dos produtos e aproveitar melhor os espaços cada vez mais compactos. Essa escuta é o que guia a nossa área de desenvolvimento de novos produtos, e é a partir dela que inovações como a integração de sensores de precisão e softwares inteligentes redefiniram o desempenho da linha branca. Em nossos refrigeradores B-Smart, por exemplo, a IA analisa a frequência de abertura de portas, a carga de alimentos e a temperatura para ajustar o compressor dinamicamente. O resultado tangível é a preservação de vegetais por até 44% mais tempo, evitando o desperdício alimentar nos lares. Trata-se de uma evolução direta frente aos dados do Food Waste Index Report 2024, referência global do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) que aponta que, em 2022, foram desperdiçados 1,05 bilhão de toneladas de alimentos (equivalentes a 132 kg por pessoa), sendo 60% desse total originado nos próprios domicílios. Da mesma forma, nas nossas lavadoras, sensores inteligentes identificam o peso e o nível de sujidade das roupas, calculando sozinhos o tempo de ciclo e reduzindo em até 40% o consumo de água e energia por lavagem. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os eletrodomésticos representam uma parcela substancial da demanda global de eletricidade, e "features" ligados à eficiência, como os da Brastemp, já ajudaram a reduzir pela metade o consumo energético de categorias essenciais como as máquinas de lavar. A transformação promovida pela inteligência artificial reconfigura não apenas nossos produtos, mas toda a gestão do negócio. Ao integrar o uso responsável de dados entre P&D, produção, marketing, vendas e atendimento, passamos a trabalhar com uma visão única da jornada do consumidor, conectando cada etapa, da identificação de uma necessidade até a experiência pós-compra. É essa mesma filosofia de integração que orienta nossa produção: no final de 2025, inauguramos em Rio Claro a nossa "Fábrica do Futuro", um hub de inovação e tecnologia onde automação, dados e inteligência artificial atuam juntos para prever demandas e elevar a eficiência. Nessa visão, a IA não substitui o olhar humano, ela o potencializa com empatia e responsabilidade. Este equilíbrio atende ao anseio do próprio mercado: embora as pessoas estejam adotando a tecnologia em ritmo acelerado, cresce a busca por transparência, segurança de dados e controle, como bem indica a pesquisa Connected Consumer 2025, da Deloitte. A inovação, portanto, só gera valor real quando vem acompanhada de confiança. É esse compromisso ético e centrado no ser humano que nos permite democratizar a inteligência artificial na linha branca, afinal, quando o eletrodoméstico assume as preocupações da rotina, a tecnologia cumpre seu papel mais nobre: deixar a vida acontecer com mais leveza. *Jorge Giordan é vice-presidente de engenharia e marketing de produto da Whirlpool América Latina