Blindagem multifuncional bloqueia ondas eletromagnéticas e esconde o calor

admin
5 Oct, 2026
Redação do Site Inovação Tecnológica - 05/10/2026 Escudo eletromagnético Com as ondas de rádio permeando todos os ambientes, os escudos contra radiação eletromagnética passaram à categoria de tecnologias essenciais, não apenas para evitar interferências entre as múltiplas fontes de dados, como também para proteger a saúde das pessoas. Agora essas blindagens estão dando um passo à frente, tornando-se multifuncionais, incorporando pela primeira vez outra tecnologia futurística, a dos mantos de invisibilidade. Engenheiros coreanos criaram um filme ultrafino que combina blindagem contra interferência eletromagnética (EMI), invisibilidade infravermelha (IR) e alta resistência mecânica, o que é essencial para seu uso prático. Os pesquisadores alcançaram essas propriedades multifuncionais combinando fibras de nanotubos de carbono e MXenos em uma estrutura composta que lembra a estrutura de tijolos e argamassa de uma parede. "A chave para essa tecnologia é combinar nanomateriais com características diferentes, como tijolos e argamassa, preservando os pontos fortes de cada material e compensando suas respectivas fraquezas," disse o professor Taehoon Kim, do Instituto Coreano de Ciência dos Materiais (KIMS). "Esperamos que esse material multifuncional encontre ampla aplicação não apenas em futuros sistemas de defesa e tecnologias aeroespaciais, mas também na solução de problemas de interferência eletromagnética em dispositivos de comunicação de última geração e eletrônicos vestíveis." Nanotubos mais MXenos As blindagens metálicas convencionais são pesadas, suscetíveis à corrosão e têm flexibilidade limitada. As fibras de nanotubos de carbono representam uma alternativa atraente por serem leves, mecanicamente resistentes e altamente eficazes na blindagem EMI, mas sua estrutura fibrosa dificulta a montagem em revestimentos em grandes áreas, além do que elas apresentam uma emissividade infravermelha bastante alta. Os MXenos, por sua vez, possuem baixa emissividade infravermelha, mas sua resistência mecânica e estabilidade relativamente baixas limitam seu uso prático. Os pesquisadores conseguiram tirar proveito do melhor de cada um dos dois materiais integrando fibras de nanotubos de carbono com MXenos em um filme compósito híbrido ultrafino. O resultado é um material que fornece simultaneamente blindagem EMI, camuflagem infravermelha e propriedades mecânicas robustas. As superfícies das fibras de nanotubos foram inicialmente funcionalizadas com grupos amina para promover a ligação com o MXeno. Depois de misturado em solução, o material foi enrolado para formar um filme. Na arquitetura híbrida resultante, as fibras de nanotubos alinhadas funcionam como os "tijolos" estruturais, enquanto o MXeno preenche os espaços entre eles, funcionando como a "argamassa" eletricamente condutora. Essa estrutura suprime o deslizamento entre as fibras individuais de nanotubos, aumentando assim a resistência mecânica do filme. Ao mesmo tempo, a estrutura similar a uma parede de tijolos cria caminhos elétricos contínuos por todo o material, melhorando significativamente seu desempenho de blindagem eletromagnética. O revestimento de MXeno na superfície do filme também reduz a emissão infravermelha, diminuindo a visibilidade do material para sistemas de detecção infravermelha, como câmeras termográficas. Superblindagem Apesar de ter apenas 17,5 micrômetros de espessura, aproximadamente um quinto da espessura de um fio de cabelo humano, o filme multifuncional alcançou uma eficácia de blindagem de aproximadamente 90 decibéis (dB), bloqueando mais de 99,9999999% das ondas eletromagnéticas incidentes nas faixas de frequência de comunicação e radar. O filme também apresentou uma resistência à tração de 1,02 gigapascal (GPa), demonstrando desempenho mecânico comparável ao do aço de alta resistência. Ao mesmo tempo, ele suprimiu a emissão infravermelha e manteve um desempenho estável sob condições de alta temperatura e umidade, além de deformação mecânica repetida. Graças à sua finura e leveza, o novo filme poderá ser utilizado para isolar ambientes da interferência eletromagnética, inibir a emissão térmica de estruturas e veículos, como aviões e drones, e proteger equipamentos eletrônicos aeroespaciais. Sua forma flexível também o torna adequado como material de blindagem para dispositivos de comunicação 5G e 6G, eletrônicos vestíveis e produtos eletrônicos dobráveis ou flexíveis.