Tela óptica converte diretamente luz infravermelha em imagem visível

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5 Oct, 2026
Redação do Site Inovação Tecnológica - 05/10/2026 Câmera infravermelha sem sensores Depois de décadas de tentativas para melhorar e baratear as tecnologias de visão noturna, cientistas descobriram agora que a luz infravermelha invisível pode ser tornada visível aos olhos humanos sem necessidade das tecnologias de detectores usadas nas câmeras infravermelhas atuais: Uma tela plana "traduz" diretamente a luz infravermelha em luz visível. A luz infravermelha é um tipo de luz invisível aos nossos olhos, carregando informações sobretudo sobre o calor dos objetos no ambiente. Ela é amplamente utilizada para monitoramento ambiental, inspeção industrial, medicina e segurança. No entanto, tecnologias como as das câmeras infravermelhas continuam caras porque dependem de detectores especializados, que dependem de materiais de alto custo, são difíceis de fabricar e muitas vezes requerem refrigeração. Uma equipe internacional de pesquisadores demonstrou agora uma nova maneira de enxergar a luz infravermelha que promete tornar esses sistemas menores, mais leves e muito mais baratos. "Essa abordagem oferece um caminho para tecnologias de imagem infravermelha leves e sem detectores," disse o professor Sefidmooye Azar, da Universidade de Queensland, na Austrália. "As aplicações potenciais incluem visão noturna, sensoriamento remoto, imagens biomédicas e câmeras infravermelhas compactas compatíveis com tecnologias de imagem visível padrão." Tela óptica converte infravermelho em visível De modo um tanto previsível, a solução para eliminar os sensores de infravermelho está nas metassuperfícies, componentes ópticos ultrafinos formados por conjuntos de nanoestruturas que conseguem controlar a luz de maneiras que a óptica convencional não consegue. Ao contrário das lentes, espelhos e cristais, cujas funcionalidades dependem de sua forma e espessura, as metassuperfícies são planas e muito finas, o que tem feito com que essa tecnologia se espalhe rapidamente, das blindagens eletromagnéticas e da holografia até telas fotônicas interativas e implantes médicos bioeletrônicos. O diferencial aqui consistiu na construção de uma "tela óptica", uma metassuperfície formada por nanoantenas que captam a luz infravermelha e a convertem diretamente em luz visível, tornando a imagem resultante mais de 1.000 vezes mais brilhante. Isso é possível porque as nanoantenas que formam a metassuperfície foram fabricadas de elementos selecionados da família das terras raras, ou lantanídeos. As nanopartículas dos elementos itérbio (Yb) e érbio (Er) convertem diretamente a luz infravermelha em fótons visíveis por meio de um fenômeno conhecido como processo anti-Stokes. Mais brilhantes e focadas O processo de conversão ascendente da luz é conhecido há muito tempo, mas a equipe projetou sua metassuperfície para que ela não apenas capture, mas também concentre a luz infravermelha incidente, fortalecendo drasticamente a interação entre a luz e as nanopartículas. Isso tornou as imagens convertidas mais de 1.000 vezes mais brilhantes do que as nanopartículas conseguiriam por si sós. Também foi preciso ajustar o foco. "Nós projetamos a superfície para que ela torne as imagens infravermelhas muito mais brilhantes sem deixá-las borradas," disse o professor Kenneth Crozier, da Universidade de Melbourne. Embora seja apenas um primeiro protótipo, exigindo mais desenvolvimento para que a tecnologia chegue aos produtos comerciais, os pesquisadores acreditam que ela poderá vir a ser aplicada amplamente. De fato, como a metassuperfície pode ser fabricada com métodos industriais, como a litografia por nanoimpressão, ela poderá viabilizar dispositivos de imagem infravermelha de baixo custo e grandes áreas.