Haddad sofre 4ª derrota seguida e tem futuro incerto como sucessor de Lula
4 Oct, 2026
Resumo Após perder sua quarta eleição seguida hoje, Fernando Haddad (PT) deixa as urnas com o futuro político incerto. Precificada desde o início da campanha, a derrota em primeiro turno para Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo não surpreendeu, mas colocou dúvidas sobre a viabilidade eleitoral do petista como eventual sucessor de Lula em 2030, seja como candidato do governo ou da oposição. Haddad voltará a ser professor ou ministro? O resultado de hoje, aliado à dificuldade enfrentada pela campanha de reeleição de Lula, torna o futuro político-eleitoral de Haddad indefinido. Considerado um bom quadro político e o nome mais forte do PT em São Paulo, ele só conheceu a vitória em um processo eleitoral em 2012, quando disputou o comando da capital paulista. De lá para cá só acumulou derrotas: perdeu a tentativa de reeleição em primeiro turno e a eleição presidencial de 2018 e estadual de 2022, ambas em segundo turno. Se o presidente Lula perder a disputa em segundo turno para Flávio Bolsonaro (PL), o destino mais provável deve ser o retorno à USP (Universidade de São Paulo), onde se mantém como professor de ciência política. Caso contrário, a expectativa é que retorne a Brasília para ocupar, mais uma vez, um ministério e, quem sabe, tentar se firmar como sucessor. "A derrota não muda a situação de Haddad. Ele entrou na disputa sem expectativa de vitória, mas cumpriu seu papel e, na minha avaliação, permanece como principal herdeiro de Lula e como a liderança petista com maior capital eleitoral e social para além da bolha do PT", diz o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas de São Paulo). Campanha fria e cabo eleitoral de Lula Ao longo dos últimos 48 dias, Haddad rodou o estado de São Paulo, participou de 46 atos públicos e concedeu 29 entrevistas ou sabatinas para apresentar ao eleitor um plano de governo focado em educação, saúde, finanças e segurança pública, área que, diferentemente dos últimos pleitos, foi tratada com prioridade pela equipe petista. Resistente no início, o ex-prefeito da capital acabou por aceitar a indicação para assegurar palanque ao presidente no estado e tentar ao menos repetir os votos recebidos pelo partido em 2022 nos cenários estadual e federal. Disciplinado, cumpriu à risca a estratégia de levantar dúvidas sobre os resultados obtidos pelo governo Tarcísio, mas, sem fatos novos, foi forçado a repetir críticas já datadas sobre a privatização da Sabesp e as concessões de linhas de trem. Com raras exceções, como no ato realizado na praça da Sé, no domingo passado, Haddad não conseguiu nem sequer reunir candidatos a deputado federal ou estadual em suas agendas de rua. Datena (PSB), por exemplo, seguiu o candidato só nas primeiras caminhadas, e as candidaturas femininas da chapa com potencial de puxar votos, como as de Tabata Amaral (PSB), Erika Hilton (PSOL) e Luna Zaratini (PT), optaram por não se colar ao petista. Estagnado nas pesquisas, e por vezes até registrando queda nos índices de intenção de voto do petista, Haddad acabou assumindo o papel de cabo eleitoral de Lula já no primeiro turno. As companhias mais assíduas foram as candidatas da chapa ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), especialmente nos compromissos cumpridos ao lado do presidente Lula. A agenda nacional do presidente, no entanto, reservou pouco tempo a Haddad, que conseguiu pedir votos ao lado do padrinho apenas duas vezes. Até mesmo o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT), que era presença fixa nas primeiras agendas de Haddad, deixou de acompanhar o correligionário nas caminhadas pela capital. França, vice na chapa do petista, também "sumiu" das agendas, em mais uma prova de que a escolha do ex-governador para o posto —contestada por uma ala do PT— em nada ajudou Haddad ou Lula a levar a disputa paulista ao segundo turno. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.