Cristiano Ronaldo, o colosso e frágil bilionário, ficou magoadinho
4 Oct, 2026
Sempre acreditei que, acontecesse o que acontecesse, Cristiano Ronaldo nunca sairia da seleção portuguesa pela porta pequena. Era uma questão logística —o seu ego não caberia. Afinal, coube. Na véspera de um jogo com a Dinamarca, Ronaldo abandonou o estágio da seleção e publicou uma mensagem na qual refere que, "a seu tempo", vai "dizer a verdade" sobre esta situação. Não quer falar ainda, provavelmente para não desestabilizar os colegas. Tem uma personalidade recatada e optou por sair discretamente, mandando vir o seu avião privado e comunicando na sua página de Instagram, com o maior número de seguidores do mundo. Explicar a razão da sua atitude, nesta altura, talvez gerasse barulho, perturbação e notícias em todos os jornais do mundo. Alguns amigos de Ronaldo não têm o mesmo sentido de responsabilidade e vão antecipando uma explicação. Primeiro, lembram que Ronaldo é um gigante, um colosso, um portento nunca visto. E depois dizem que Ronaldo ficou ofendido porque o técnico Jorge Jesus o mandou aquecer e depois não o lançou no jogo. Incrível. Então um suplente vai aquecer? Quem é que o técnico pensa que Ronaldo é? Um jogador de futebol? Mesmo os adversários têm andado a desrespeitá-lo. Por vezes, tiram-lhe a bola, sem qualquer respeito pelo seu estatuto. Mas há mais: arrependido de lhe ter dado indicações para fazer o seu trabalho, Jesus terá prometido a Ronaldo que lhe pediria desculpa na entrevista coletiva com a imprensa e não o fez. O gigante não aguentou tamanha mágoa. O colosso ficou melindrado. O portento nunca visto ficou magoadinho. O técnico feriu a susceptibilidade do frágil bilionário. O caso agravou-se quando, depois de Ronaldo ter decidido ir para casa, a camisa sete foi entregue a Rafael Leão. Foi mais uma ofensa. Nem o papa Leão estaria à altura da camisa, quanto mais o Rafael Leão. Ronaldo não é apenas o jogador mais bem pago do mundo. É também o relações públicas mais bem pago do mundo, a serviço do reino da Arábia Saudita. É merecedor de duplo respeito. Até porque, como os seus amigos lembram, é o ser humano com mais seguidores no Instagram. Tem de ser sempre convocado; todo o mundo sabe isso. Era como se Mauricio Pochettino, treinador dos Estados Unidos, deixasse fora da convocatória a Kim Kardashian. Impensável.