D2D: maior desafio regulatório é a interferência de radiofrequência
2 Oct, 2026
Entre os principais desafios regulatórios para a implementação do Direct-to-Device ( D2D ), ou seja, a conectividade via satélite diretamente para dispositivos móveis, está o risco de interferência de radiofrequência. A questão foi apresentada durante o Congresso Latinoamericano de Satélites , evento promovido pelo Teletime e realizado nesta quinta-feira, 1, no Rio de Janeiro/RJ. Luciana Ferreira, coordenadora de processos de satélite da Anatel, e Larissa Jales, gerente de políticas e regulação da GSMA, apontam possíveis riscos de interferência caso operadoras e empresas de satélite utilizem as faixas terrestres. Como o D2D utiliza frequências das redes móveis terrestres (IMT/SMP) ou do serviço móvel por satélite (MSS), é necessário evitar que o sinal vindo do espaço cause interferências nas redes terrestres existentes, em faixas de frequências vizinhas de outras operadoras ou em países de fronteira. A Anatel, por exemplo, aguarda diretrizes técnicas globais, como as que deverão surgir na Conferência Mundial de Radiocomunicações da UIT, para definir limites estritos de potência e feixe. “A nossa maior preocupação é a interferência. A gente enxerga o direct-to-device como uma cobertura complementar aos sistemas terrestres. Então, para poder ter essa compatibilidade entre os sistemas, precisamos fazer estudos para verificar se existe possibilidade de a gente utilizar a cobertura com satélite nas faixas de frequência SMP, do IMT”, explicou Ferreira. Não à toa, em março de 2024 , a agência lançou um sandbox regulatório para estudar o D2D, mas nenhuma empresa demonstrou interesse inicialmente. Em agosto deste ano, a Anatel prorrogou o sandbox até 2029 ou até a entrada em vigor de regras definitivas para o serviço. A extensão ocorreu a pedido da Vivo, que manifestou interesse em aderir ao ambiente experimental. Vale também dizer que, em julho deste ano, o Conselho Diretor da Agência ampliou a atribuição de faixas de espectro para a operação do serviço móvel por satélite. Em caráter secundário, as empresas poderão usar as seguintes faixas: 700 MHz, 850 MHz, 900 MHz, 1.800 MHz, 1.900/2.100 MHz e 2.500 MHz. A utilização do espectro pelas empresas de satélite deverá ocorrer sempre em parceria com operadoras terrestres detentoras das faixas. Durante o evento, Ferreira comentou que, além da Vivo, outras operadoras também estão interessadas em entrar no sandbox e conversando com a Anatel. Ela lembrou, porém, que a agência aguarda as resoluções da UIT para regulamentar o D2D no país. Para Larissa Jales, gerente de políticas e regulação da GSMA, o tema também é caro à organização, que está de olho sobretudo na questão da integração. “No nosso ponto de vista, não é se vai acontecer, mas como. E temos dois pontos que são importantes para nós: que ele aconteça de forma suplementar e coordenada”, afirmou. A GSMA acredita que o D2D não é uma bala de prata que vai resolver o problema de conectividade. Foto: Luciana Ferreira (esq.), coordenadora de processos de satélite da Anatel, e Larissa Jales, gerente de políticas e regulação da GSMA. Crédito: Isabel Butcher/Mobile Time