Gears of War E-Day é o melhor jogo da franquia

admin
1 Oct, 2026
Gears of War: E-Day - Review Com narrativa impactante e excelente gameplay, a franquia está na sua melhor forma Que os deuses da nostalgia me perdoem, mas Gears of War: E-Day é o jogo da franquia. Falo isso com total convicção. E vou além, porque talvez seja um dos melhores jogos de guerra que eu já joguei, se não o melhor. Guerra é um tema difícil de levar para o videogame. O jogo precisa ser divertido e satisfatório de jogar e Gears entrega as duas coisas. O arsenal é gigantesco com mais de 15 armas disponíveis ao longo da campanha. E a atmosfera é tensa do começo ao fim, como tem que ser, porque guerra é: tragédia, morte e tristeza. E-Day tinha uma responsabilidade enorme nas costas que era representar o dia fatídico da invasão Locust no universo de Gears of War. O que aconteceu com a sociedade naquele dia? Depois de toda a jornada absurda dos últimos jogos, esse dia precisava traumatizar os personagens. E estamos falando de Marcus Fenix e Dominic Santiago acompanhados de dois personagens que me deixaram muito empolgado, Mags e Lucas. Com um elenco sensacional, um design de mapa absurdo que conta uma história trágica e junto com isso a melhor gameplay que Gears of War já teve. O jogo ficou mais rápido e mais solto. Os personagens agora pulam, correm, escalam, e o desafio acompanha as novidades na movimentação. Os inimigos se movimentam melhor e a guerra fica mais intensa. Tem hora que você precisa recuar, tem hora que precisa avançar, e uma decisão errada é o suficiente para matar você porque o game não tem medo de ser desafiador. É ousado e mantém as raízes de Gears of War, raízes que eu sinceramente não sentia desde Gears of War 3. O level design desse jogo é genial! Vamos começar o review pelo o que E-Day tem de mais brilhante, o level design. Ou seja, como o mapa foi pensado e como ele afeta o loop de gameplay — aquilo que você faz durante toda a jogatina. O jogo se passa em Kalona e, de primeira, parece muito “tranquilo”: a gente está num bar tomando uma cerveja depois do fim de mais uma guerra. Existe aquela melancolia no ar, e os soldados da COG já estão lidando com o luto. Tudo normal até que começa a invasão Locust. A campanha é dividida em cinco atos: o primeiro é mais introdutório e você anda pela cidade de um jeito mais linear; ato 2 em diante, o jogo vira o que eu vou chamar de “jogo capitular em mundo semiaberto”. Você tem um objetivo para cumprir mas também tem um pedaço do mapa aberto para fazer missões secundárias e pegar colecionáveis. Dá para ir direto no objetivo e seguir a história, ou aproveitar a liberdade naquele espaço. Depois você desbloqueia outra parte do mapa para uma missão específica e continua avançando. Nem tudo acontece no centro da cidade. Tem capítulo na floresta, no metrô, numa base militar. Só que você sempre volta para Kalona e muitas vezes passa pelo mesmo lugar em capítulos diferentes. É como acompanhar o registro do dia da invasão, um dia que não termina nunca e vira uma tortura conforme o tempo passa. E é aí que está a grande sacada: Voltar aos mesmos lugares é divertido porque você passa a conhecer o ambiente. E é brilhante porque você vê o resultado da guerra naquele lugar. Prédios destruídos, gente morta e tudo que compõe um verdadeiro cenário trágico de guerra. Eu sempre questionei muito os jogos do gênero, e aqui você vai entender por que estou tão empolgado com E-Day lidando com essa temática. Em muitos games de guerra quando você retoma um lugar no modo campanha ele vira seu para sempre e ninguém mais encosta. Em Gears of War, os Locusts estão vindo do subsolo e estão sempre um passo à frente. Você toma o controle de uma área para fazer uma missão: escoltar uma carga ou resgatar civis mas quando volta para lá, depois de ter abandonado o lugar ele foi novamente dominado pelo inimigo. Fora os eventos malucos que acontecem pela cidade. Às vezes você está andando por um corredor sem relação nenhuma com missão principal ou secundária e tem uns soldados num telhado dizendo que perceberam um padrão na movimentação dos Locust e estão armando uma emboscada. Eles perguntam se você quer participar e isso nem é missão. Se você ficar ali os inimigos passam e a emboscada acontece. Guerra é dolorosa e muita decisão difícil precisa ser tomada. Você está presente nesses momentos, que moldam bastante a personalidade dos personagens que a gente vai acompanhar anos depois ao longo da franquia. O que você tem nesse contexto são coisas moralmente questionáveis, violência absurda e a necessidade de tentar fazer o melhor possível por aquela cidade, no meio de uma invasão que oblitera tudo. Esse loop de fazer uma missão, voltar e perceber que aquele prédio ainda estava de pé da última vez que você passou ali é um ponto altíssimo do jogo. Eu não esperava que eles conseguissem trazer um frescor tão inteligente para a franquia. Passar de novo na frente da farmácia, do mercado onde você lutou, e ver o que a guerra fez com aquele lugar… é até dificil explicar o quanto isso é profundo. Arsenal, mods e builds A gameplay desse jogo é animal! O arsenal é insano — para um Gears of War — com muita arma divertida. E agora as armas são customizáveis: É possível colocar uma luneta curta na Longshot, um pente estendido na Lancer e fazer um monte de customizações divertidas. Você também tem um equipamento especial que dá para trocar. Durante boa parte da campanha eu usei uma injeção de adrenalina que cura você por alguns segundos e praticamente deixa você imortal por um tempinho. A armadura também é customizável, o que permite montar builds. A minha build, por exemplo, me dá uma recarga perfeita quando eu mato inimigos de perto. Antigamente Gears era bem linear nesse sentido de usar as armas e equipamentos que conseguia pegar pelo caminho. Em E-Day de tempos em tempos você encontra um uma caixa de suprimentos. Ali você customiza as armas, repõe toda a munição e escolhe com qual arma quer seguir. Cada arma nova que você encontrar fica disponível assim que você achar o próximo Supply Cache. Esse sistema faz você jogar com as suas armas favoritas na hora que você quiser. Com o tempo eu peguei um lança-granadas muito forte e carreguei até o final. Praticamente todo inimigo mais pesado eu derrubei com ele. Teve momentos em que eu nem carregava fuzil mais, andava com o lança-granadas e a Longshot com luneta curta explodindo a cabeça de Locust safado. Quando a munição acaba as caixas estão bem posicionadas e o level design leva isso em conta. Se tem uma viatura de polícia provavelmente tem munição por perto. Como você revisita o mapa várias vezes, é fácil começar a pegar esses detalhes e a saber que ali tem alguma coisa só de bater o olho. Difícil do jeito certo Tudo isso eu joguei não sozinho. Ao longo da campanha você tem os companheiros Dom, Mags e Lucas, e eles participam bastante. Quando você cai precisa chegar perto deles para te levantar. Eles tentam mas dependendo da situação eles caem também! E aí é você quem precisa levantar eles… imagino que jogar isso em coop deve ser incrível porque: o jogo é difícil senhoras e senhores. Terminei no normal e é o seguinte: vacilou, morreu. E você não morre sozinho, porque se cair em um lugar ruim, o NPC vem resgatar você e morre junto. Zerar a campanha em coop nas dificuldades mais altas vai exigir movimentação, estratégia, escolha de armas, gadgets e posicionamento, porque jogando solo já foi bem complicado! Por isso, inclusive, não fiz todas as missões secundárias. Algumas são desafiadoras e devido ao período de review eu precisava acelerar para terminar o jogo. Várias vezes deixei desafios de lado e mesmo no normal foi difícil. Teve boss fight que me deixou verdadeiramente nervoso, e foi extremamente satisfatório de vencer. Não é reclamação, ok? Tem um nível fácil abaixo e dois acima, mas eu escolhi ficar no normal e foi uma experiência sensacional! O jogo não tem medo de te matar, e esse desafio é gostoso demais. Visual e som Artisticamente o visual é incrível. É aquele momento em que você fala "meu Deus, que jogo bonito". A iluminação e as texturas são surreais e o áudio também é muito bom. Nos momentos mais tristes entra um violãozinho e, na tensão, entra uma música mais intensa. Mas claramente é um jogo pesado. Ainda não consegui fazer os testes de desempenho mas devo fazer nos próximos dias. A minha é bem potente e o jogo rodou liso sem nenhum problema sério nesse sentido, porém… precisamos falar dos bugs. O problema sério: bugs Agora o defeito (e é um defeito grande) preocupante mesmo. Joguei uma versão de acesso antecipado e a expectativa é de melhorias no dia de lançamento, mas preciso apontar que encontrei muitos bugs! E não estou falando só de bug visual pequeno. A câmera travava em alguns lugares e eu não conseguia batalhar. Às vezes eu jogava uma granada e ela não saía da mão. O mais grave aparecia nas emboscadas e hordas quando você precisa segurar a posição e matar todos os inimigos. Você mata todo mundo e a luta não termina, a missão não avança e a música de ação continua tocando. Muitas vezes era porque faltava um Locust no combate e ele simplesmente não vinha! Comigo aconteceu de um deles pular uma barreira e ficar preso dentro de um caminhão, eu ouvia o bicho e via um pedacinho do pé dele, mas era impossível de matar. Isso aconteceu com muita frequência (pelo menos uma vez a cada hora). A solução costumava ser simples: era só carregar o save que o jogo voltava ao normal. Algumas vezes, mais raramente tive que refazer uma batalha que já estava no meio. Mesmo assim aconteceu bem mais do que eu gostaria e em alguns momentos ficou frustrante. Sinto que Gears poderia ter mais um ou dois meses para essas otimizações. Acredito que vão lançar e corrigir com o tempo. Marcus, Dom, Mags e Lucas Não quero falar muito, mas tem vários personagens clássicos que aparecem em outros pontos da franquia. Quem jogou os outros Gears sabe que o Marcus já conhecia vários outros personagens, e aqui você vê o “começo” dessas relações. O mais legal é o desenvolvimento do relacionamento do Marcus e Dom que vivem um momento compartilhando o luto. Sempre foram personagens que me fascinaram e as nuances deles estão bem destacadas nesse jogo — o que aumenta o sofrimento de quem jogou a trilogia original. Tem a Mags e o Lucas Reyes que são sensacionais justamente por serem meio opostos. A Mags é veterana, já está cansada, lutou outras guerras e carrega as próprias questões. O Lucas é o novato, disciplinado, brincalhão, engraçado e meio medroso em alguns momentos. Essa dinâmica é muito boa, divertida na medida certa e profunda quando necessário. Sempre acho essa dinâmica entre os quatro protagonistas muito importante para Gears of War. Colecionáveis e Caixas Rigidas Algo que gostei muito são os colecionáveis. Muitos trazem uma lore e referências como uma caixa de cereal com uma celebridade ou uma estátua. Eles são bonitos, relativamente fáceis de encontrar e desbloqueiam pedaços interessantes da história. Às vezes é algo que a gente não conhecia e quase todas vêm com um comentário do Marcus (ou do Dom) por cima. E são totalmente opcionais de se procurar. Quando você abre o mapa esses colecionáveis aparecem marcados, e se você clicar ficam destacados para você ir atrás. O jogo também organiza os colecionáveis por ato, então se você está no meio do ato dois e vê um espaço vazio na lista, é porque deixou algo para trás. Sempre vale parar e ler o textinho de cada um, porque é bem legal e bem imersivo. Entre os colecionáveis também temos as Caixas Rígidas. Você encontra essas caixas pelo mapa e elas desbloqueiam upgrades. Às vezes liberam um espaço novo tipo um terceiro slot de modificação na sua Gnasher, às vezes trazem a modificação em si. Não adianta achar o pente estendido se a arma não tem slot livre e você só consegue aquela modificação exata abrindo a caixa específica. Como tem muita arma, (é um dos arsenais mais completos que já vi em Gears) tem muito upgrade também. E por que isso vira ponto negativo? Porque é coisa demais a ponto de ficar sufocante. Como o jogo é dividido em capítulos em um mundo semiaberto, muitas vezes você passa de capítulo e não consegue mais voltar para aquele lugar, mas o mapa continua mostrando o que ficou lá. Você avança, abre o mapa e percebe que esqueceu alguma coisa. Se lascou…Ou você pega numa segunda jogada ou carrega um save de 40 minutos atrás. Eu estava num ritmo acelerado por causa da review então para mim isso pesou bastante. A parte boa é que aumenta a rejogabilidade. A parte ruim é que às vezes você está procurando exatamente um upgrade e já deixou umas dez caixas para trás porque inevitavelmente você se distrai com outras coisas. Com os colecionáveis isso incomoda menos porque eles são detalhes de história. As caixas fazem falta de verdade, ainda assim, a ideia de ter tantos upgrades de arma é muito boa e acaba compensando. Duração e rejogabilidade Importante deixar claro que esse review é só da campanha. Sem entrar em detalhes para não dar spoiler, são cinco atos. O primeiro é mais curto, com pouco mais de uma hora, e funciona mais como tutorial. Os outros ficam em torno de 2h30 explorando um pouco, ou algo como 2h15 se você for bem direto. Tem ato mais longo mas a média gira em torno de duas horas e pouco, o que dá umas 12 ou 13 horas para terminar. Outro ponto positivo é a variedade de inimigos e o jeito como eles te atacam. Os Locusts são inteligentes e usam estratégia de guerra. E a dificuldade escala aos poucos conforme você avança. A variedade de armas também pesa muito a favor, porque além de ter muitas, você tem liberdade para usar o que quiser na hora que quiser. Tudo isso que estou detalhando aponta para uma rejogabilidade altíssima. Se a dificuldade estivesse um pouco mais alta eu teria sofrido em vários pontos que passei com tranquilidade, e mesmo no normal já sofri em alguns. O Veredicto Minha única preocupação em tudo isso é o desempenho. Espero que o jogo chegue com menos bugs e rodando melhor porque fora isso eu tive uma experiência simplesmente fenomenal com Gears of War: E-Day, e recomendo de coração. Este com certeza é o melhor jogo da franquia.