Nobel anuncia ganhadores a partir da próxima segunda-feira; veja 5 pontos-chave sobre o prêmio

admin
1 Oct, 2026
Os Prêmios Nobel serão concedidos a partir da próxima segunda-feira (5), em Estocolmo e Oslo, começando pelo de Medicina. A seguir, cinco pontos-chave sobre a láurea, concedida a pessoas que contribuíram para o bem da humanidade, conforme o desejo de seu criador, o sueco Alfred Nobel (1833-1896). Sem prêmios póstumos Desde 1974, os estatutos da Fundação Nobel estabelecem que o prêmio não pode ser concedido postumamente, salvo se a morte ocorrer após o anúncio do nome do laureado. Antes de a regra ser formalizada por escrito, apenas duas personalidades já falecidas foram premiadas, ambas de nacionalidade sueca: o poeta Erik Axel Karlfeldt (Literatura, em 1931) e o secretário-geral da ONU Dag Hammarskjöld (Nobel da Paz, em 1961). Também houve ocasiões em que o prêmio não foi concedido, como forma de homenagear um laureado falecido, como em 1948, após o assassinato de Mahatma Gandhi. Um laureado recente não teve a oportunidade de receber o famoso telefonema que anuncia um Nobel: após a concessão do prêmio de Medicina de 2011 ao canadense Ralph Steinman, soube-se que ele havia morrido três dias antes, embora seu nome continue na lista de vencedores. Nobel, o poeta Apaixonado pela poesia inglesa e admirador de Percy Bysshe Shelley e Lord Byron, Alfred Nobel é lembrado como o inventor da dinamite, mas nunca deixou de escrever versos, fosse em sueco ou na língua de Shakespeare. Em uma carta a um amigo, escreveu: "Não tenho a menor pretensão de classificar meus versos como poesia. Escrevo de vez em quando com o único propósito de evitar a depressão ou de melhorar meu inglês". Em 1862, o jovem de 29 anos, que duvidava do próprio talento, escreveu em francês a uma jovem: "A física é o meu campo, não a escrita". No ano de sua morte, em 1896, escreveu uma tragédia escandalosa, "Nêmesis", sobre o assassinato, na Roma do século 16, de uma mulher que assassinou o padrasto incestuoso. A obra foi publicada, porém quase todos os exemplares acabaram queimados após a morte dele. Restaram três. Mulheres sub-representadas Apenas 68 dos 633 prêmios Nobel concedidos desde 1901 foram atribuídos a mulheres, ou seja, 11%. No entanto, essa proporção aumentou ao longo da década de 2020. As áreas científicas apresentam a menor proporção de mulheres laureadas. Os comitês responsáveis pela concessão dos prêmios se recusam a estabelecer cotas e preferem incentivar a indicação de mulheres cientistas. Só nas categorias de Física, Química e Medicina, de 659 pessoas premiadas, as mulheres são 14. A primeira pessoa a ganhar o Nobel duas vezes foi uma mulher: a francesa de origem polonesa Marie Curie (Física em 1903; Química em 1911). Jovens e idosos Em 2014, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai tornou-se, aos 17 anos, a pessoa mais jovem a receber um Nobel: o da Paz. Outro jovem laureado, o australiano Lawrence Bragg, recebeu em 2015 o de Física aos 25 anos —juntamente com seu pai— por trabalhos realizados quando tinha 21 anos. A iraquiana Nadia Murad recebeu, em 2018, o Nobel da Paz aos 25 anos por seus esforços em favor da minoria yazidi. Em contrapartida, o americano John B. Goodenough é o laureado mais velho, tendo recebido o Nobel de Química em 2019, aos 97 anos, por seus trabalhos sobre as baterias de íons de lítio que alimentam os veículos elétricos. Seu compatriota Arthur Ashkin havia sido agraciado um ano antes com o Nobel de Física, aos 96 anos. Detidos Desde 1901, cinco laureados com o Nobel da Paz estavam detidos quando receberam a premiação. Em 1936, o jornalista e pacifista alemão Carl von Ossietzky havia sido enviado a um campo de concentração nazista. Em prisão domiciliar, a opositora birmanesa Aung San Suu Kyi, laureada em 1991, foi autorizada pela junta militar que governava seu país a viajar a Oslo, porém decidiu não comparecer ao evento. Em 2010, o dissidente chinês Liu Xiaobo estava preso. O prêmio foi colocado sobre uma cadeira vazia. Em 2022, o ativista bielorrusso de direitos humanos Ales Bialiatski, que estava detido, foi representado por sua esposa, Natalia Pinchuk. Em 2023, a ativista iraniana Narges Mohammadi celebrou seu Nobel de sua cela na prisão de Evin.