Chevrolet Sonic agrada ao volante, mas tropeça em alguns detalhes
1 Oct, 2026
Chevrolet Sonic agrada ao volante, mas tropeça em alguns detalhes SUV pequeno da General Motors tem bom desempenho e acerto dinâmico; ausência de recursos pesam diante de rivais cada vez mais equipados No primeiro encontro, o Chevrolet Sonic deixou uma boa impressão. O Diário dirigiu o novo SUV pequeno por alguns quilômetros durante seu lançamento, em maio, nos arredores de uma concessionária de São Bernardo. O motor respondeu bem, a suspensão filtrou as imperfeições do piso e a cabine parecia mais silenciosa do que se poderia esperar. Porém, como alguns quilômetros não são suficientes para tirar uma conclusão real, foi preciso levar o carro para casa, conviver durante uma semana e colocá-lo diante de situações mais próximas da rotina para entender onde o modelo realmente acerta - e onde poderia ter feito mais. Em síntese, a convivência revelou um carro de duas faces. De um lado, um SUV realmente agradável de dirigir, com boa dose de conforto para a categoria que pertence e ágil no trânsito. Aliás, suas dimensões (veja ficha técnica abaixo) facilitam a vida na cidade. Do outro, aparecem heranças de projetos conhecidos da Chevrolet, como Onix e Tracker, perceptíveis não apenas na plataforma, mas também em escolhas de acabamento e equipamentos. Em um produto completamente novo, porém, e que chega para disputar uma das faixas mais concorridas do mercado, são detalhes que merecem atenção. Concorrentes O Sonic ocupa o espaço abaixo do Tracker e entra em uma briga que já reúne modelos como Fiat Pulse, Renault Kardian, os Volkswagen Tera e Nivus, e que promete crescer com a entrada do novo SUV compacto da Hyundai e até do Fiat Argo X, que embora seja hatch, quer beliscar esse segmento de SUVs pequenos. Desse modo, é uma categoria na faixa dos R$ 130 mil na qual o consumidor encontra cada vez mais tecnologia e sofisticação. Visualmente, o Sonic não passa despercebido. A dianteira segue a identidade mais recente da marca, com luzes diurnas acima dos faróis, enquanto a traseira tem desenho próprio e alinhado aos lançamentos globais da Chevrolet. Há uma queda suave do teto em direção à traseira, embora o formato não seja suficiente para classificá-lo como um SUV cupê. É um desenho contemporâneo e, sobretudo, coerente com a proposta de quem quer deixar o universo dos hatches sem partir para um utilitário maior. Por dentro, é bem acabado, mas há abuso de plásticos. Ao volante, entretanto, é que o Sonic encontra seu argumento mais convincente. O motor 1.0 turboflex de três cilindros entrega até 115 cv e 18,9 mkgf de torque, sempre ligado ao câmbio automático de seis marchas, que é bem escalonado. O conjunto é conhecido do Tracker, mas recebeu calibração específica para o irmão menor. Na prática, isso faz diferença. O Sonic responde com certa rapidez nas retomadas (graças ao torque que aparece cedo, aos 1.800 rpm) e tem boa disposição. O casamento entre motor e câmbio não é um primor, mas não falta fôlego ao carro. Agora, as trocas manuais por botões na alavanca merecem aposentadoria. E no (péssimo) asfalto? A suspensão é outro ponto alto do veículo. Valetas, remendos e pisos irregulares fazem parte da rotina para qualquer motorista que trafegue pelo Brasil, mas o Sonic lida bem com isso. Mesmo nos trechos mais difíceis, a cabine não é castigada por pancadas secas ou sacolejos excessivos. Há algum movimento da carroceria, como é natural em um utilitário compacto, mas o conjunto - que é mais rígido - privilegia o conforto. O isolamento acústico é bom, levando em conta as outras opções da categoria. A lista de equipamentos, porém, é boa, mas poderia ser melhor. O Sonic oferece central multimídia de 11 polegadas integrada ao painel digital, tem espelhamento com Android e iPhone, câmera de ré, carregador de celular por indução e até estacionamento automático Easy Park, fora o pacote avançado de assistências à condução. Por outro lado, não há piloto automático adaptativo (como no Tera, por exemplo) e sequer freio de estacionamento eletrônico, presente nas versões mais caras do Renault Kardian. Divulgação/General Motors Outro ponto é o consumo. Fez, ao longo da semana de avaliação, 7,9 km/l - com etanol no tanque e rodando em trecho misto. De acordo com os números do Inmetro, porém, são 14,8 km/l com gasolina e 10,4 km/l com etanol no tanque. Resumo Por R$ 134.990 na versão Premier e R$ 140.990 na RS avaliada pelo Diário, o Sonic tem virtudes suficientes para despertar a atenção da clientela. É confortável, tem posição elevada de dirigir e facilidade no uso urbano. A questão é que, nessa faixa, não basta andar bem, é preciso entregar um pacote que acompanhe a evolução do segmento. Depois de uma semana, a impressão inicial permanece, afinal, o Sonic é gostoso de dirigir, mas agora acompanhada de uma ressalva importante: poderia ter ido além justamente nos detalhes que fazem diferença no dia a dia. FICHA TÉCNICA Chevrolet Sonic RS Turbo AT - R$ 140.990 Motor: 1.0 turbo, flex, 3 cilindros Potência: 115 cv a 5.000 (G/E) Torque: 18,3 mKgf (G)/18,9 mKgf (E) entre 1.800 e 3.500 Câmbio: Automático, 6 marchas; Tração dianteira Comprimento: 4,23 metros Largura: 1,77 metros Altura: 1,53 metros Entre-eixos: 2,55 metros Porta-malas: 392 litros Altura do solo: 20 cm Tanque de combustível: 44 litros Peso em ordem de marcha: 1.139 kg LEIA MAIS: