Credibilidade da Premier League depende de dura punição ao Manchester City
30 Sep, 2026
Resumo Uma comissão independente concluiu que houve 114 violações das regras financeiras pelo Manchester City ao longo de vários anos. Uma bomba que, detonada, atinge toda a Premier League. Está em jogo a credibilidade de uma competição que construiu boa parte de seu prestígio mundial sobre a ideia de que todos os times disputam sob as mesmas regras. E, como o mundo a acompanha, pode-se dizer que é um imbróglio internacional. O clube irá recorrer, e tem esse direito. Mas, se o caso continuar se arrastando pelos tribunais durante muitos anos, o campeonato seguirá sob o fantasma da desconfiança. O torcedor precisa acreditar que o campo decide os jogos, sem desequilíbrios artificiais e irregulares provocados fora dele. Clubes ricos ou mais bem administrados, donos que investem mais ou menos, tudo isso pode conviver. Mas, sem a certeza de que a disputa é séria, tudo fica sob suspeita. E não se está falando de uma pequena irregularidade, de uma falha burocrática eventual, não. O relatório descreve mecanismos que permitiriam apresentar uma realidade financeira diferente da situação efetiva do clube, como o financiamento disfarçado, no qual patrocinadores arcavam apenas com parte de determinados contratos, enquanto o restante seria bancado pela Abu Dhabi United Group, ou seja, pelos próprios proprietários do City. Assim, era possível inflar artificialmente as receitas comerciais, ampliando a capacidade financeira do Manchester City e fazendo com que, no papel, ela se enquadrasse nas regras da Premier League. A cifra atribuída a esse mecanismo é bizarra: 830,69 milhões de libras, hoje aproximadamente R$ 5,72 bilhões. Não é exatamente um penduricalho contábil. Essa grana permitia contratar jogadores, pagar salários e montar elencos poderosos por várias temporadas. Como ficam os clubes que perderam títulos da primeira divisão do futebol inglês para os Citizens por míseros pontos? E aqueles que ficaram fora da Champions League por diferenças mínimas? Outras equipes deixaram de receber premiações, receitas de televisão e dinheiro das competições europeias. Os prejuízos causados aos rivais que não feriram as regras devem ser considerados, obviamente. Por isso, o caso também poderá abrir uma enorme discussão sobre eventuais pedidos de indenização. A questão não é apenas quanto o Manchester City deverá ser punido, caso a decisão seja mantida, mas também quem foi prejudicado, quanto perdeu e se terá direito a ser compensado.