É preciso usar IA para combater ataques de DDoS, recomenda Nokia
30 Sep, 2026
O volume e a frequência de ataques DDoS no mundo aumentaram sensivelmente nos últimos dois anos e a única forma de combatê-los é usando inteligência artificial com machine learning para identificar rapidamente novos padrões e a origem das ameaças. A recomendação é de Bruno de Troch, CTO de infraestrutura de redes na Europa da Nokia, durante apresentação no Atlantic Convergence , evento realizado nesta quarta-feira, 30, em Lisboa. “Vimos recentemente um ataque de 30 TB. Isso é capaz de derrubar uma rede inteira ou até um país”, relatou Troch. De dois anos para cá, a capacidade dos ataques de DDoS aumentou mais de 100 vezes, por conta do crescimento no número de redes de bots e de proxies residenciais, com uma grande variedade de vetores, especialmente dispositivos conectados dentro de casa, como caixinhas de IPTV. O mercado de proxies residenciais foi impulsionado nos últimos anos pela demanda de coleta de conteúdo na web para treinamento de IA por big techs. Isso estimulou a adição dessas ferramentas em SDKs de apps legítimos, em geral gratuitos, e de uso diverso, como jogos e utilitários. Seus usuários, ao concordarem com os termos de serviços, na maioria das vezes sem tê-los lido, tornam seus smartphones parte dessas redes. Há também muitos dispositivos de IoT que já saem de fábrica com esse recurso em seu firmware. Uma estimativa conservadora é de que se paga entre US$ 1 e US$ 8 por GB trafegado por essas redes para treinamento de IA. O problema é que essas mesmas redes também acabam sendo usadas para ataques de DDoS. Os criminosos estão utilizando IA para aumentar a escala dos ataques e torná-los cada vez mais sofisticados, dificultando a detecção. DDoS: contra-ataque com IA É impossível combater o problema com uma análise humana do tráfego, diz Troch. É preciso utilizar ferramentas de IA para identificar novos padrões de ataque tão logo eles aconteçam. Ele também recomenda que a interface para os gestores de rede deixe de ser um painel e passe a ser conversacional, o que ajudará a ganhar mais agilidade. Além disso, outra tendência é usar agentes de IA para tomarem medidas proativas de defesa contra DDoS. Por fim, infiltrar-se dentro das botnets é uma forma de investigar o problema, ajudando a identificar de onde vêm os comandos. A Nokia está em constante colaboração com autoridades policiais, como FBI e Interpol, para prender as quadrilhas por trás das botnets. A Nokia tem hoje uma solução de IA para proteger redes IP chamada Nokia Deepfield Defender, que usa técnicas de machine learning para a detecção de ataques. Foto no alto: Bruno de Troch, CTO de infraestrutura de redes na Europa da Nokia, durante o Atlantic Convergence (crédito: Rita Gazzo) *O jornalista viajou a convite da DE-CIX