De rival do Dolphin a SUV gigante: Omoda & Jaecoo terá 7 lançamentos em 2027
29 Sep, 2026
A Chery parece disposta a acelerar de vez sua operação própria no Brasil e transformar Omoda e Jaecoo em marcas de volume, sem depender da CAOA para isso. A meta anunciada para 2027 é vender 150 mil carros entre as duas bandeiras e colocá-las entre as cinco maiores do varejo, um salto enorme para uma operação que ainda está construindo presença no país. Para chegar lá, o plano passa por sete lançamentos entre novos modelos e versões ao longo de 2027, cobrindo do segmento A0 aos SUVs B, C, D e E. A marca ainda não abriu a lista completa, mas parte desse quebra-cabeça já está montada, com Omoda QQ, Omoda 4 e Jaecoo 8 entre as novidades mais claras e outras possibilidades surgindo a partir dos modelos que já estão ou estarão na gama brasileira. Abaixo, te listamos as mais quentes e prováveis. Omoda QQ é anti-Dolphin que deve vir na faixa dos R$ 125 mil Entre as novidades mais avançadas está o Omoda QQ, que deve chegar ao Brasil já em janeiro de 2027 com a missão de se tornar um dos principais produtos de volume da marca por aqui, ocupando uma faixa de preço próxima dos R$ 125 mil e abrindo espaço para uma ofensiva inédita entre os compactos. Segundo informações de João Anacleto, do canal A Roda, ele será o primeiro de três modelos menores que a Omoda pretende posicionar abaixo dos R$ 150 mil, estratégia importante para uma marca que quer deixar de atuar apenas nos segmentos mais caros e disputar mercado em escala muito maior. O modelo também será uma das portas de entrada da gama elétrica do grupo por aqui, com bateria de 43 kWh e motor traseiro de 123 cv, configuração que lhe garante tração traseira e autonomia anunciada na China próxima dos 430 km, embora a expectativa para o ciclo brasileiro fique na casa dos 325 km. Com cerca de 4,19 m de comprimento, 1,81 m de largura e 2,70 m de entre-eixos, o QQ ficará próximo do porte de hatches e SUVs compactos atuais, combinando dimensões relativamente contidas com um entre-eixos longo para tentar aproveitar melhor o espaço interno. Omoda 4 vai mirar Tera, Avenger e companhia Já entre os modelos que ainda terão motor a combustão, há o Omoda 4, que deve completar a gama até R$ 150 mil e disputar espaço com Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Jeep Avenger e companhia. Com cerca de 4,40 metros, o SUV ficará abaixo do Omoda 5 e deverá funcionar como uma das principais apostas de volume da marca no Brasil. A motorização pode acabar sendo justamente seu maior diferencial diante desses rivais. Há algum tempo, o Motor1.com Brasil apurou que a marca trabalhava com várias opções para o SUV, inclusive um conjunto híbrido pleno de 1.5 turbo com transmissão DHT, capaz de entregar cerca de 224 cv e 30,1 kgfm. Se mantido por aqui nessa faixa de preço, o Omoda 4 colocaria um sistema híbrido bem mais potente contra SUVs que ainda dependem majoritariamente de conjuntos apenas a combustão. A estratégia pode ficar ainda mais interessante em 2027, quando o Grupo Chery pretende introduzir no Brasil sua nova família de híbridos flex, baseada justamente no 1.5 turbo e preparada para trabalhar também com etanol, fazendo de um modelo com tanto potencial de volume um dos candidatos naturais a estrear a tecnologia por aqui. Globalmente, o modelo também foi desenvolvido para receber versões 100% elétricas e até somente a combustão, permitindo que a Omoda adapte a oferta a diferentes mercados, embora no Brasil a eletrificação deva ganhar peso justamente como forma de diferenciar o SUV em uma faixa que começa a ficar cada vez mais congestionada. Do lado da Jaecoo, aposta será no SUV grande 8 No topo da gama ficará o Jaecoo 8, SUV de 4,82 metros e 2,82 m de entre-eixos que chega ao Brasil no primeiro trimestre de 2027 para levar a marca a uma faixa bem mais alta de preço e posicionamento. Irmão dos CAOA Chery Tiggo 8 e 9, ele terá opções com seis ou sete lugares e deve disputar espaço com GAC GS9, BYD Atto 8 e GWM Wey 07. A motorização não fugirá muito da receita de seus conterrâneos e apostará num conjunto híbrido do tipo plug-in, combinando um 1.5 turbo com dois motores elétricos, um em cada eixo, além de transmissão DHT de três marchas e tração integral. A bateria é de lítio-ferro-fosfato (LFP), com 30 kWh, enquanto a potência final destinada ao Brasil ainda não foi divulgada, já que o mesmo conjunto aparece com calibrações diferentes dependendo do mercado. Como o Grupo Chery prepara para 2027 uma nova geração de híbridos flex para o Brasil, o Jaecoo 8 também aparece naturalmente entre os candidatos a receber uma evolução capaz de rodar com etanol. De qualquer forma, a própria marca já deixou claro, em outras ocasiões, que toda a linha brasileira terá algum nível de eletrificação. Omoda 5 HEV Prestige Fotos de: Motor1 Brasil Jaecoo 7 PHEV Omoda 5 e Jaecoo 7 devem ganhar novas versões Parte dos sete lançamentos também deverá vir de carros que já fazem parte da gama brasileira, caso de Omoda 5 e Jaecoo 7, que tendem a ganhar novas configurações ao longo de 2027. Além de ampliar as respectivas linhas, os dois aparecem como candidatos naturais a receber os novos conjuntos híbridos flex que o Grupo Chery prepara para o país, aproveitando a adaptação do 1.5 turbo para funcionar também com etanol. Outro que mudará, ainda em 2026, é o elétrico E5, que tem visual quase idêntico ao do Omoda 5 híbrido. A atualização visual apareceu brevemente durante um evento em Interlagos, em meados de agosto, e a Omoda & Jaecoo confirmou que dará mais detalhes sobre ele ainda neste ano, durante o último bimestre. Planta da JLR desde 2016, Itaiaia (RJ) pode parar nas mãos da Omoda & Jaecoo Produção nacional já em 2027 A ambição de vender 150 mil carros também passa obrigatoriamente pela produção nacional, que, segundo Shawn Xu, CEO global da Omoda & Jaecoo, deve começar já no início de 2027. A empresa ainda não anunciou oficialmente onde ficará sua operação industrial, embora a fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ) seja apontada como o caminho mais avançado para a marca estabelecer uma estrutura própria no país, novamente sem depender da CAOA. Os primeiros candidatos também já foram citados pela própria direção da companhia, que estuda começar justamente pelos modelos com maior potencial de volume. Omoda 5 e Jaecoo 5 aparecem na frente dessa fila, compartilhando plataforma e o conjunto híbrido de 1.5 turbo que também deverá receber adaptação flex para funcionar com etanol. Itatiaia seria especialmente conveniente por já possuir uma planta moderna e em operação, inaugurada em 2016 com capacidade inicial para cerca de 24 mil carros por ano e possibilidade de expansão. Ainda assim, esse volume está muito abaixo da meta comercial de 150 mil unidades anunciada para 2027, o que indica que a produção brasileira deverá conviver por bastante tempo com importações e crescer gradualmente conforme a operação ganhar escala. A nacionalização também poderá transformar o Brasil em base de exportação para outros países da América do Sul, algo que a Omoda & Jaecoo já citou como parte de sua estratégia regional, enquanto a combinação entre fabricação local, novos híbridos flex e uma gama muito maior ajuda a explicar por que 2027 foi escolhido como o ano da grande virada da dupla por aqui. Leia mais QQ volta ao Brasil sem CAOA Chery e pode ter preço de BYD Dolphin Mini Novo Jaecoo 5 2027 é híbrido pleno de 224 cv e chega em setembro SUVs em agosto: Omoda 5 supera Corolla Cross e Haval H6 bate recorde Com mais de 20 mil unidades no país, Omoda & Jaecoo terá vendas diretas em breve