Muito além do palco: os segredos de quem escreve grandes musicais

admin
29 Sep, 2026
Olá, meninas! Autora, compositora e um dos nomes de destaque do teatro musical brasileiro, Anna Toledo vive uma fase especial da carreira. Depois de conquistar o público com trabalhos como “Tarsila, a Brasileira” e “Cenas da Menopausa”, ambos em parceria com Claudia Raia , ela agora também coloca no palco “7 Mulheres e Um Mistério”, espetáculo que mistura comédia, música e suspense. Em comum entre essas histórias está a presença de mulheres que fogem dos lugares previsíveis e ganham voz, personalidade e espaço para contar suas próprias histórias. E talvez seja justamente esse um dos grandes encantos do trabalho de Anna: olhar para mulheres reais ou fictícias e enxergar nelas possibilidades que vão muito além dos estereótipos. Nesta conversa, ela fala sobre as personagens que a inspiram, a parceria de longa data com Claudia Raia, os novos caminhos da dramaturgia feminina e, claro, sobre o que significa ser um verdadeiro mulherão. Confira abaixo Anna, você está por trás de grandes sucessos do teatro musical brasileiro e tem dado voz a mulheres muito fortes, como Tarsila do Amaral e as personagens de “7 Mulheres e Um Mistério”. O que te inspira nessas mulheres e o que você acredita que elas têm para ensinar ao público? A Tarsila era uma locomotiva e viveu muitas vidas em uma. Acho que essa recusa em aceitar limites – sociais, políticos, de idade – é uma grande inspiração para qualquer um. Já as minhas queridas “7 mulheres” estão aí pra mostrar que é possível quebrar os moldes com alegria. O desejo de ser feliz pode ser revolucionário. Sua parceria com Cláudia Raia já rendeu trabalhos de grande repercussão, como “Tarsila, a Brasileira” e “Cenas da Menopausa”. Como nasceu essa sintonia entre vocês e o que você admira na Cláudia como artista e como mulher? Vim para São Paulo quando passei num teste para fazer um musical com a Claudia Raia, em 2001. Claro que eu já conhecia a artista, mas tive a oportunidade de conhecer e admirar a profissional impecável que ela é – a primeira a chegar na sala de ensaio, que repassa as notas e passos todos os dias, que nunca acha que está bom e descansa em cima daquilo. Ela é um exemplo de profissional incansável. Aliás, se procurar a palavra “incansável” no google deve ter a foto da Claudia Raia (risos). Sou fã. Vivemos um momento em que histórias protagonizadas por mulheres estão ganhando cada vez mais espaço no teatro. Você sente que a dramaturgia brasileira está passando por uma transformação nesse sentido? O que ainda falta para que mais mulheres tenham suas histórias contadas e ocupem esses espaços? Desde que há Teatro existem personagens femininas grandiosas – de Antígona e Medeia, passando por Yerma, Norma e Blanche du Bois, as mulheres ocupam um espaço nobre no nosso imaginário. Porém quase todas são personagens imaginados e escritos por autores homens. Por geniais que sejam estes autores, a dramaturgia contemporânea vai se beneficiar muito de autoras mulheres com a vivência do universo feminino, trazendo novas complexidades e olhares. E quando eu digo isso, é no espaço da pluralidade de desejos (e desafios) diferentes do que estamos acostumadas a associar a um “personagem feminino”. Você já escreveu sobre mulheres reais, personagens fictícias e também sobre temas muito ligados ao universo feminino. Existe alguma história de mulher que você ainda sonha em levar para o palco? É interessante este termo “história de mulher”, porque realmente são muitas as histórias em que o gênero tem um papel e um peso no destino da personagem – e isso me interessa. Pra responder a sua pergunta sem vazar nenhum projeto, me interessam histórias em que a mulher inventa para si um caminho improvável. Anna, para você o que é ser um mulherão? Nunca pensei nisso, mas vá lá: talvez “um mulherão” seja aquela que cria a própria história ao invés de tentar ser a musa dos outros.