Falha em jatos da Azul ocorre em meio à expansão da Embraer no Brasil

admin
25 Sep, 2026
Resumo A falha no GPS dos jatos da Embraer que levou a Azul a cancelar voos atingiu a fabricante em um momento de expansão de sua presença na aviação comercial brasileira. Com a encomenda de 24 E195-E2 pela Latam, a empresa vem ampliando sua base de clientes entre as grandes companhias aéreas do país, até então concentrada na Azul. O que aconteceu Azul cancelou mais de 80 voos na terça-feira (22), afetando mais de 8.000 passageiros, segundo informações reunidas pelo UBS BB. O relatório afirma que as aeronaves voltaram ao serviço naquela noite, embora a causa da instabilidade ainda não estivesse confirmada. Problema envolveu a recepção do sinal de GPS nos modelos E190-E2 e E195-E2 equipados com aviônicos da Honeywell. Segundo o UBS BB, a Embraer montou uma sala de crise com a fornecedora para investigar a ocorrência. Uma comunicação da fabricante aos operadores indicava que a reinicialização do sistema recuperava o sinal apenas temporariamente. Instabilidade também afetou companhias aéreas no exterior, como KLM Cityhopper, Porter, Luxair e Binter Canarias. Conforme o relatório, a Embraer informou que o episódio não comprometia a segurança dos voos. Episódio levantou dúvidas entre participantes do mercado sobre possíveis efeitos nas encomendas da fabricante. A Latam, porém, afirmou que a falha não altera seus pedidos. O UBS BB também avaliou, em relatório publicado na quarta-feira, que não via, naquele momento, impacto duradouro para a Embraer. UBS BB não espera impacto duradouro para a fabricante. "Esperamos uma solução rápida e não vemos impacto duradouro para a Embraer neste estágio", escreveram os analistas Alberto Valerio, Andressa Varotto e Bruno Kenji, em tradução do inglês. Precedentes analisados pelo banco também não indicam, até aqui, custos para a Embraer. Em episódios anteriores, segundo o UBS BB, os custos das interrupções ficaram com as companhias aéreas, enquanto a correção veio do fornecedor do equipamento ou da origem do sinal. A avaliação é inicial e não determina quem arcará com eventuais despesas neste caso. Embraer amplia presença no Brasil Azul tem papel central na trajetória dos jatos da Embraer no país. A relação começou com a operação da companhia aérea, em 2008, e ganhou uma nova etapa em 2019, quando ela se tornou a primeira operadora do E195-E2 no mundo. Entrada da Latam abre uma nova frente para a fabricante no mercado brasileiro. O acordo anunciado em setembro de 2025 prevê a compra firme de 24 E195-E2 e opções para outras 50 aeronaves. As entregas foram programadas a partir do segundo semestre de 2026, inicialmente para a Latam Brasil, com possibilidade de atender posteriormente outras empresas do grupo. Latam mantém os planos para os aviões apesar do episódio com o GPS. A companhia afirmou ao UOL que a ocorrência não altera a encomenda feita à Embraer. Plano de frota da Latam previa receber sete E2 em 2026. O número consta de relatório do Santander de novembro de 2025, que reuniu informações apresentadas pela administração da companhia na teleconferência de resultados do terceiro trimestre. Trata-se da programação apresentada naquela ocasião, e não de entregas já realizadas. Jatos E2 podem ajudar a Latam a ampliar sua malha para mercados menores. No anúncio da encomenda, a companhia apontou potencial para acrescentar até 35 destinos na América do Sul. As aeronaves permitem atender rotas de menor demanda e complementar a operação de aviões maiores. Embraer tem destacado Azul e Latam ao falar da expansão dos E2 no país. Na teleconferência do segundo trimestre de 2026, o presidente da fabricante, Francisco Gomes Neto, citou a operação da Azul e a chegada da Latam ao explicar o papel dos aviões na conexão entre cidades menores. Pedido da Latam dá mais previsibilidade XP estimou o pedido firme da Latam em aproximadamente US$ 1 bilhão. O cálculo considera desconto de cerca de 50% sobre os preços de tabela e é uma estimativa da corretora, não o valor contratual divulgado pelas empresas. Para a XP, o negócio aumenta a visibilidade das receitas futuras da Embraer. A encomenda "ajuda a reduzir o risco da tese de investimento da Embraer, pois fornece maior visibilidade de receita", escreveu a corretora após o anúncio. A XP, porém, manteve suas projeções de entregas. Entrada da Latam também ocorre enquanto a Embraer ajusta os pedidos da Azul. No relatório anual de 2025, a fabricante informou que renegociou, em novembro daquele ano, encomendas anteriores da companhia aérea, reduzindo o conjunto de 51 para 25 aeronaves. A revisão ocorreu no contexto da reestruturação da Azul. Diversificação dos clientes reforça as perspectivas comerciais da Embraer no Brasil, mas ainda não significa que o país ganhou peso no faturamento. A receita atribuída ao Brasil passou de US$ 531,4 milhões em 2024 para US$ 630,2 milhões em 2025, alta de 18,6%. A participação na receita total permaneceu em 8,3%, e o avanço foi puxado principalmente pela aviação executiva. Maior presença dos jatos nas companhias brasileiras e o peso do Brasil nas receitas são, portanto, movimentos diferentes. A encomenda da Latam amplia a perspectiva de negócios da aviação comercial, mas os dados anuais ainda não permitem atribuir a ela um aumento da relevância financeira do país para a Embraer. Até agora, a falha no GPS não muda esse plano de expansão. A Latam manteve a encomenda e o UBS BB não identificou impacto duradouro para a Embraer. No momento da publicação do relatório, porém, a retomada das operações ainda não significava que a causa do problema tivesse sido definitivamente solucionada. O que dizem Azul e Embraer Azul afirmou que uma "instabilidade global no sistema de GPS" afetou os E195-E2 e levou ao cancelamento de mais de 80 voos. Segundo a companhia, mais de 8.000 passageiros foram impactados por cancelamentos e atrasos. A empresa disse ainda que os clientes afetados estão recebendo a assistência prevista pela Resolução 400 da Anac e que as medidas operacionais foram adotadas com foco na segurança. Aérea não respondeu aos questionamentos específicos enviados pelo UOL até a publicação desta reportagem. A reportagem perguntou se a empresa já recebeu uma explicação sobre a causa da falha e uma previsão de solução definitiva; qual foi o impacto financeiro; se pretende buscar ressarcimento da Embraer ou da Honeywell; se existe preocupação com novas ocorrências; e se o episódio altera sua avaliação dos E2 ou os planos para a frota. Embraer afirmou que relatos de instabilidade na recepção do sinal de GPS afetaram algumas aeronaves, incluindo modelos E2, e que trabalha com fornecedores e operadores para solucionar o problema. Fabricante também não respondeu às perguntas específicas enviadas pelo UOL. A reportagem questionou a Embraer sobre a causa da instabilidade; por que a frota da Azul foi mais afetada; se o problema está relacionado a equipamento, software ou configuração específica; se será necessária alguma intervenção nas aeronaves; eventuais custos; e possíveis impactos no cronograma de produção e entregas. Embraer também não informou se os E195-E2 encomendados pela Latam usam o mesmo equipamento ou configuração envolvidos no episódio. O UOL perguntou ainda se outros clientes procuraram a fabricante após a ocorrência e se houve questionamentos sobre encomendas ou entregas. As ações da Embraer fecharam em alta. Nesta quinta-feira (24), os papéis Embraer ON MN (EMBJ3 SA) encerram o dia em alta de 0,95%, cotadas a R$ 99,10. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.