Técnico do Corinthians assume responsabilidade por derrotas e avalia momento de pressão no trabalho

admin
7 Sep, 2026
Técnico do Corinthians assume responsabilidade por derrotas e avalia momento de pressão no trabalho 140 visualizações 2 comentários Reportar erro Por Victor Bhering, Rafael Jacobucci e Rodrigo Vessoni Na noite deste domingo, o Corinthians foi derrotado para a Chapecoense por 2 a 1, na Neo Química Arena, pela 26a rodada do Campeonato Brasileiro. Após o apito final, o técnico Fernando Diniz comentou sobre o peso de emplacar quatro reveses consecutivos no torneio e fez uma avaliação franca do próprio trabalho à frente da equipe. “Em relação ao que eu projeto, a gente tem que projetar vencer o próximo jogo. Não tem muito o que ficar projetando no campeonato. É uma situação difícil. As quatro derrotas machucam muito. São três derrotas em casa e eu assumo a principal responsabilidade do time. Não tem muito o que questionar quando a gente perde. O time teve até desempenho e tem tido desempenho, mas a gente não pode perder quatro jogos seguidos no Campeonato Brasileiro e três jogos em casa", iniciou em entrevista coletiva. A pressão natural que acompanha a sequência negativa coloca o comandante no centro dos questionamentos sobre a eficácia de suas metodologias. Ciente da urgência de uma reação imediata, o treinador refletiu sobre o momento pessoal no cargo, prometendo dedicação redobrada para estancar os erros que vêm definindo os tropeços recentes. "Em relação ao meu momento de trabalho, o momento que eu tenho é de fazer o time voltar a vencer. A gente não tem conseguido vencer no Brasileiro. Tenho me empenhado ao máximo naquilo que eu posso e vou procurar fazer melhor ainda, tentar tirar dos jogadores para a gente evitar os erros que estão nos custando as derrotas", complementou. Um dos pontos que mais gera frustração na comissão técnica é o retorno de desatenções defensivas que pareciam superadas nos primeiros meses de sua gestão. O revés diante da equipe catarinense foi marcado por desajustes incomuns e evitáveis, originados em lances simples do adversário, o que expôs a vulnerabilidade atual do sistema defensivo alvinegro. "De maneira especial, algumas falhas que a gente praticamente não concedia ao adversário no começo do trabalho aqui. São coisas que, de certa forma, são fáceis de corrigir. Hoje a gente tomou dois gols de tiro de meta. Tivemos um volume ofensivo importante e não conseguiu converter em gol, mas a gente não podia, de maneira alguma, ter tomado os dois gols que tomou hoje", disse. Sem poder contar com Yuri Alberto, que continua fora por conta de um incômodo na coxa, a capacidade de criação e a previsibilidade do ataque corintiano entraram em pauta. Questionado se a equipe havia abusado dos cruzamentos como única alternativa ofensiva, Diniz rechaçou a ideia, defendendo que o time apresentou um vasto repertório de jogadas pelo chão e triangulações ao longo da partida. “Não acho que a gente jogou só bola na área hoje. A gente teve oportunidade de tudo: triangulação pelo lado, passe para trás, chute de fora da área, tabela. Isso aconteceu no jogo contra o Internacional, em Porto Alegre, quando foi uma estratégia que a gente usou e acabou até dando certo, pois fizemos dois gols de bola aérea. Mas acho que hoje o repertório foi muito maior do que só cruzar bola na área", comentou. Na tentativa de um "abafa" final para buscar ao menos o empate, o treinador abriu mão de seus principais articuladores, sacando Rodrigo Garro e Memphis Depay para povoar o setor ofensivo com centroavantes de ofício. A entrada da dupla Pedro Raul e Gui Negão mudou a característica da equipe nos minutos derradeiros, uma estratégia que, na visão do comandante, fez sentido para o contexto desesperador do jogo. "No final do jogo, quando a gente colocou Pedro Raul e Gui Negão, usamos esse artifício, e não foi também. O Gui Negão teve uma chance, Pedro Raul teve uma chance clara. Esse não é o problema; cruzar bola na área faz parte de uma estratégia, mas hoje, principalmente no primeiro tempo, até a gente tomar o segundo gol, criamos chances de maneiras bem variadas", relatou. Apesar da fase turbulenta e de amargar a terceira derrota seguida dentro de seus domínios, o Corinthians voltou a registrar um público superior a 40 mil pagantes em Itaquera. Visivelmente abatido com a disparidade entre o espetáculo nas arquibancadas de apoio incondicional e a baixa entrega em resultados no campo, o técnico fez questão de direcionar um pedido formal de perdão à torcida. “A gente tem que pedir desculpa. Peço desculpa em nome dos jogadores, porque a gente tem que entregar a vitória. O torcedor tem dado um show aqui e não tem coisa parecida em lugar nenhum. Pelo que a torcida faz, a gente tem que entregar mais. Não tem outra coisa para falar, senão pedir desculpa e arrumar um jeito de melhorar. Estou muito constrangido, e talvez a principal coisa seja por conta do torcedor, porque merece mais mais sorriso, mais vitória e mais tudo", finalizou. Com o resultado, o Corinthians emplaca sua quarta derrota seguida no torneio nacional, permanecendo com 32 pontos e caindo para o 11o lugar na tabela. Com isso, o time alvinegro vê a distância para a zona de classificação para a Libertadores de 2027 aumentar para 11 pontos e a diferença em relação à zona de rebaixamento se reduzir a sete pontos. Agora, a equipe comandada por Diniz volta suas atenções à Copa Libertadores. Nesta quarta-feira, o Timão vai até a Argentina enfrentar o Estudiantes, pelo jogo de ida das quartas de final, às 21h30.