Última unidade baseada na percepção humana, candela mostra seus limites

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4 Sep, 2026
Redação do Site Inovação Tecnológica - 04/09/2026 Candela Em sua versão atual, o Sistema Internacional de Unidades (SI) utiliza sete unidades básicas: Metro (comprimento), segundo (tempo), quilograma (massa), kelvin (temperatura), ampere (corrente elétrica), mol (quantidade de moléculas ou átomos) e candela (intensidade luminosa). Aos poucos, as definições de todas essas unidades vêm sendo atualizadas em termos de constantes naturais, mas o trabalho ainda não está completo. "A candela é a única unidade do SI que não se baseia apenas na física, mas também na percepção humana," detalha o professor Karl Gegenfurtner, da Universidade de Giessen, na Alemanha. Mas está na hora de mudar. A equipe do professor Gegenfurtner acaba de demonstrar que as medições baseadas na candela erram sistematicamente na avaliação do brilho das fontes de luz coloridas, divergindo consideravelmente da percepção humana. Acontece que os pesquisadores descobriram uma regra surpreendentemente simples para a aparência real das superfícies coloridas: O brilho percebido pode ser previsto quase completamente considerando apenas o componente de cor mais intenso entre os três componentes ponderados: Vermelho, verde e azul. Essa regra explica mais de 95% das avaliações observadas e supera todos os modelos fotométricos estabelecidos. A descoberta vem bem a calhar: Os LEDs já permitem alterar livremente a composição espectral da luz, mantendo a luminância constante, de modo que duas instalações podem ser classificadas como igualmente brilhantes e ainda assim parecerem visivelmente diferentes. Continuar usando a candela implica na inviabilidade de padronizar essas fontes de luz, um indicador claro de que é hora de rever a definição ou mesmo o uso da candela no SI, dizem os pesquisadores. Unidade internacional de luz O padrão da candela foi estabelecido na década de 1920, baseado na pressuposição de que o brilho de uma mistura de cores é igual à soma de suas partes. Não foi o que os experimentos mostraram: Para os observadores participantes do estudo, as cores saturadas pareceram consideravelmente mais brilhantes, e a luz azul contribuiu mais fortemente para o brilho percebido do que a medição fotométrica prevê. Essa ideia um tanto prosaica de simplesmente em pedir a observadores que classificassem superfícies coloridas da mais clara até a mais escura mostrou-se notavelmente robusta. Os observadores classificaram 144 cores, e suas ordenações foram quase idênticas quando repetidas mais de seis meses depois. As avaliações também permaneceram igualmente estáveis quando as mesmas pessoas repetiram a tarefa em casa, em seus próprios monitores não calibrados, e quando outros 486 participantes a completaram online. Com os dados em mãos, a equipe testou uma ampla gama de modelos, incluindo modelos de luminância, radiância e modelos de aparência de cor já estabelecidos, como o CAM16. Nenhum deles conseguiu explicar o padrão obtido pelo método mais simples possível, a percepção dos observadores. O estudo, portanto, fornece não apenas um método confiável para medir o brilho de cores misturadas, mas também uma base computacional simples e até então desconhecida para a percepção da luz em cenas do cotidiano. "Estas descobertas podem influenciar substancialmente o planejamento da iluminação em edifícios, a calibração de telas e o desenvolvimento de fontes de luz com eficiência energética," enfatizou Gegenfurtner.