Fla tenta fim de jejum em meio a queda de braço de Bap com futebol feminino
4 Sep, 2026
Resumo O Flamengo tenta voltar a uma final de Brasileirão Feminino após dez anos, e vê o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, protagonizar uma queda de braço com o futebol feminino profissional. O que aconteceu O Flamengo foi campeão em 2016 e desde então não chegou à decisão nacional. O time encara a Ferroviária, no sábado, às 16h30 (de Brasília), pelo jogo de volta das quartas de final. O Rubro-Negro venceu a partida de ida por 1 a 0. O time tem como principal nome a veterana Cristiane, artilheira rubro-negra no Brasileirão, com cinco gols. Ela divide o posto com a meio-campista Fernandinha. O clube trouxe três reforços este ano, mas prioriza as categorias de base, especialmente o time sub-20. Ao apresentar o balanço de gestão em dezembro do ano passado, Bap afirmou que o foco está na equipe de base e que esta, inclusive, apresenta um desempenho esportivo superior à da equipe profissional. Nós entendemos que é melhor a gente focar no time das meninas do sub-20. São mais novas, mais fortes, resilientes e é um time que tem uma performance, comparativamente à profissional, melhor. Nós entendemos que este é o caminho que temos que trabalhar. Bap, presidente do Flamengo, em apresentação de resultados da gestão Tanto que a única jogadora do Fla a ser convocada para a seleção brasileira principal este ano veio da base. A meio-campista Kaylane — que já integra o elenco profissional — foi chamada por Arthur Elias para os amistosos contra os Estados Unidos em junho deste ano. Ela também está no grupo que disputará a Copa do Mundo sub-20 ainda este mês, assim como as rubro-negras Sofia, Emily e Brendha. O sub-20 é bicampeão da Copinha (2023 e 2025) e atual campeão brasileiro. A equipe ainda é atual bicampeã carioca, e o clube visa uma parceria com a Prefeitura de Maricá para o fortalecimento da base. Eu considero muito positiva a decisão de priorizar a formação, especialmente porque o futebol feminino ainda precisa ampliar seus processos de desenvolvimento de atletas. [...] No caso do Flamengo, os resultados recentes mostram que essa estratégia já começa a dar frutos. Mas eu faria uma ressalva: priorizar a base não pode significar diminuir a responsabilidade com a equipe profissional. Para um clube do tamanho do Flamengo, as duas coisas precisam caminhar juntas. É preciso formar, mas também oferecer condições para que essas atletas encontrem um ambiente profissional competitivo quando chegarem ao time principal. Roberta Nina, colunista do UOL Bap e o futebol feminino O dirigente recentemente se posicionou de forma contrária a utilização do Ninho do Urubu para treinos do time feminino. O presidente afirmou que há outras modalidades para o clube "abraçar". Se nós pretendemos abraçar o futebol feminino do Flamengo dentro do CT do Flamengo, de forma nenhuma. Nós temos aqui remo, basquete, ginástica olímpica, nado sincronizado, polo aquático, tênis, judô, todos esses filhos para ajudar. O futebol feminino é mais um, e não era nem da família, ele foi agregado, vamos dizer assim, foi adotado pelo Flamengo. Nós temos limitações e, antes de estimular o subsídio ao futebol feminino, eu tenho que alimentar todos os outros esportes. O Flamengo não vai se expandir de maneira irresponsável apenas para atender discurso de A ou B. Bap, em entrevista ao canal do Venê Casagrande no YouTube O Flamengo também não disponibilizou o Ninho para a Copa do Mundo Feminina. Ao todo, o Maracanã receberá nove jogos do Mundial, entre eles a abertura e final. Não é uma obrigação. A gente não entende que devamos parar. Trouxemos todas as atividades que nós tínhamos nas categorias de base para dentro do CT. [...] tem muita coisa acontecendo no CT e o investimento é para o Flamengo. Nós não temos nada a ver com a Copa do Mundo de futebol feminino. Bap No último ano, o Flamengo investiu mais de R$ 22 milhões no futebol feminino, mas teve R$ 11 milhões de receita. Os dados foram apresentados por Bap no fim do ano passado. Em agosto deste ano, o time ganhou um novo patrocinador, a Cinbal. A Betano, o banco BRB e a Shoppee também estampam a camisa do feminino. O patamar do Fla no futebol feminino O Flamengo terminou a fase de grupos do Brasileirão na quinta colocação. Os oito primeiros avançaram às quartas de final. O time é tricampeão consecutivo do Carioca. Ao todo, o Fla levou o Estadual nove vezes. Hoje, o Flamengo ainda não está no mesmo patamar de investimento, estrutura e protagonismo esportivo que alguns dos principais projetos do futebol feminino brasileiro (exemplos: Corinthians, Palmeiras, Ferroviária, Cruzeiro). Ao mesmo tempo, é possível reconhecer uma evolução, especialmente na formação. O clube vem apresentando resultados muito relevantes na base e conseguiu consolidar um projeto que já produz atletas para o profissional e para as seleções. Então, eu vejo o Flamengo como um projeto que tem potencial para ocupar uma posição muito mais protagonista no futebol feminino brasileiro, mas que ainda precisa transformar esse potencial em investimento estrutural e continuidade também na equipe profissional. Roberta Nina, colunista do UOL Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.