Toro 2027 amplia disputa por diferentes usos da picape
3 Sep, 2026
Líder em emplacamentos, modelo reúne motores flex, híbrido-leve e diesel para atender trabalho, rotina urbana e viagens Por Sérgio Dias – de São Paulo A transformação do mercado brasileiro de picapes passa pela ampliação das funções atribuídas a esse tipo de veículo. Modelos antes associados principalmente ao transporte de carga passaram a dividir espaço com automóveis usados diariamente nas cidades, em viagens e nas atividades familiares. A Fiat Toro chega à linha 2027 dentro desse cenário, com seis versões e três propostas de motorização, incluindo pela primeira vez o sistema híbrido-leve de 48 volts. Toro 2027 amplia disputa por diferentes usos da picape Os emplacamentos mostram o espaço ocupado pelo modelo nessa disputa. De janeiro a julho, a Toro registrou 31.700 unidades, mais que o dobro das 14.351 da Ram Rampage , segunda colocada no levantamento. Chevrolet Montana aparece com 10.215 registros, Renault Oroch com 6.452 e Ford Maverick com 2.614. A diferença coloca a renovação da Toro diante de um desafio particular: incorporar novas tecnologias sem abandonar os diferentes usos que sustentaram sua presença no mercado brasileiro. A linha 2027 é formada por Endurance Flex, Freedom Flex, Volcano T270 MHEV, Ultra T270 MHEV, Volcano Diesel e Ranch Diesel. Volcano e Ultra passam a utilizar o sistema híbrido-leve associado ao motor Turbo 270, enquanto as duas configurações diesel mantêm o 2.2 turbodiesel de 200 cv e 450 Nm. Foi justamente a Ranch Diesel, equipada também com transmissão automática de nove marchas e tração 4×4, que avaliei. Cidade e estrada Minha experiência começou nas atividades cotidianas em São Paulo e avançou depois pelas rodovias do Estado. Passei por Atibaia, Campinas e Itatiba e também fui até Praia Grande, no litoral. Trânsito urbano, deslocamentos curtos, estradas e serra permitiram observar como uma picape capaz de transportar mais de uma tonelada se comporta quando boa parte de sua utilização não envolve carga. A versão avaliada oferece ainda central multimídia de 10,1 polegadas Na cidade, os 4,954 metros de comprimento exigem atenção em garagens e vagas, característica inerente a um veículo desse porte. Direção com assistência elétrica, sensores e recursos eletrônicos ajudam nas manobras. A suspensão independente McPherson na dianteira e multilink na traseira também interfere diretamente nessa convivência, principalmente quando a caçamba está vazia. Foi durante o Dia dos Pais que essa relação entre trabalho e utilização familiar apareceu de outra maneira. Eu estava com a Toro Ranch e meu pai pôde acompanhar alguns dos deslocamentos comigo. Bancos revestidos em couro, climatização, espaço da cabine, central multimídia de 10,1 polegadas e sistemas de assistência fizeram parte de uma situação cotidiana que pouco tem a ver com a imagem tradicional de uma picape destinada exclusivamente à carga. Diesel mantém função Nas rodovias, o motor 2.2 turbodiesel passou a mostrar por que continua presente mesmo com a chegada da eletrificação à linha. Os 450 Nm estão disponíveis a 1.500 rpm e ajudam principalmente nas retomadas e ultrapassagens. A transmissão automática de nove marchas administra o funcionamento do conjunto conforme velocidade e demanda de aceleração, sem exigir intervenções frequentes. A capacidade de carga chega a 1.010 quilos e a caçamba comporta 937 litros Nos deslocamentos por Atibaia, Campinas e Itatiba, valorizei justamente essa disponibilidade de torque e a possibilidade de percorrer distâncias maiores mantendo velocidade de cruzeiro. O consumo homologado pelo PBEV é de 10,5 km/l na cidade e 13,6 km/l em estrada. O tanque comporta 60 litros, combinação que reduz a frequência das paradas para abastecimento em viagens. A ida até Praia Grande acrescentou descidas, subidas e alterações constantes de ritmo. A Ranch dispõe de seletor de tração 4WD, controle de descida e 198 mm de distância livre do solo com o veículo vazio. A proposta permite que o mesmo automóvel utilizado durante a semana em centros urbanos disponha de recursos adicionais quando encontra terrenos ou condições de aderência diferentes. Tecnologia chega junto Essa multiplicidade de funções também explica a presença crescente de sistemas eletrônicos nas picapes. A linha Toro 2027 passa a oferecer assistência ao motorista de série, com alerta de colisão e frenagem automática e assistente de permanência em faixa. Na Ranch, sensor de ponto cego e alerta de tráfego cruzado traseiro complementam o pacote. A versão avaliada oferece ainda central multimídia de 10,1 polegadas, carregador de celular sem fio, entrada e partida sem chave, sensor de chuva, espelho interno eletrocrômico, freio de estacionamento eletrônico e Fiat Connect////Me. A capacidade de carga chega a 1.010 kg e a caçamba comporta 937 litros, números que mantêm a função de transporte mesmo com a incorporação de equipamentos associados ao uso pessoal. A Toro chega, portanto, a uma década de mercado enquanto a própria definição de picape intermediária continua mudando. A nova possibilidade híbrida-leve atende à busca por redução de consumo e emissões nas versões flex, enquanto o diesel permanece direcionado a consumidores que valorizam torque, autonomia e tração integral. A existência das duas soluções dentro da mesma gama mostra que a transição tecnológica do setor automobilístico brasileiro não ocorre por um único caminho. Escolha pelo uso Ao concluir minha avaliação da Fiat Toro Ranch 2027, três pontos ficaram em evidência. O primeiro é o conjunto formado pelo motor 2.2 turbodiesel de 200 cv e 450 Nm e pela transmissão automática de nove marchas. O segundo é a possibilidade de conciliar capacidade de carga de 1.010 kg com uma cabine adequada também à utilização familiar, algo que pude perceber no Dia dos Pais ao viajar com meu pai. O terceiro está na combinação entre tração 4×4 e sistemas de assistência e segurança. Como ponto que pode melhorar, considero que os 4,954 metros de comprimento e o diâmetro de giro de 12,3 metros exigem mais atenção em garagens e espaços urbanos reduzidos. Depois de utilizá-la na capital, no interior e no litoral, percebi que a Ranch ajuda a explicar a liderança da Toro: sua proposta permite que trabalho, rotina e viagem façam parte da utilização de um mesmo veículo.