Risco de morte e descaso; veja acusações de músico contra Simone Mendes
2 Sep, 2026
O desabamento envolvendo uma obra no imóvel de Simone Mendes, em Barueri, na Grande São Paulo, ganhou contornos ainda mais delicados em documentos obtidos com exclusividade pela coluna Daniel Nascimento. Léo Stuart, integrante da banda de rock Tihuana, conhecida pelo hit "Tropa de Elite", afirma que ele e sua família poderiam ter morrido após uma avalanche de água, lama e destroços atingir sua residência.O episódio aconteceu em 6 de novembro de 2024, durante fortes chuvas. Segundo o músico, um muro relacionado à obra no terreno da cantora cedeu e o material avançou sobre sua propriedade, atingindo áreas externas e a parte térrea da residência.No boletim de ocorrência registrado após o episódio, consta que a avalanche de lama e restos da obra atingiu o pomar, a piscina, o lago de carpas e a área de lazer, além de invadir a parte térrea da residência e danificar móveis e objetos. Diante da possibilidade de novos desabamentos, a Polícia Civil solicitou perícia no local em caráter de urgência.Caso também foi registrado como crime na Polícia CivilO episódio não ficou restrito à disputa cível. Leonardo procurou o 2o Distrito Policial de Barueri no dia seguinte ao desabamento, e o boletim de ocorrência classificou o fato como “crime consumado” de desabamento ou desmoronamento, previsto no artigo 256 do Código Penal.Na ocasião, o registro apontou a autoria como desconhecida. Leonardo aparece como vítima, enquanto o campo destinado ao responsável pelo fato traz “Autor Desconhecido 1”. Em uma segunda edição, feita em dezembro de 2024, a Polícia Civil incluiu o nome de Simone como proprietária da construção onde ocorreu o desabamento. O histórico acrescenta que foi constatada, no local, a ausência de sistema de escoamento de água e que a obra continuava em andamento.O caso também levou à produção de um laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica para apurar as circunstâncias do desabamento.O artigo 256 do Código Penal prevê pena de um a quatro anos de reclusão e multa para quem causar desabamento ou desmoronamento, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de terceiros. A legislação também prevê a modalidade culposa, com pena de seis meses a um ano de detenção.Isso não significa, contudo, que Simone tenha sido apontada como autora do delito. Uma eventual responsabilização dependeria do avanço das apurações e da individualização de eventual conduta relacionada ao desabamento.Laudo apontou risco a moradoresO laudo do Instituto de Criminalística reforça a dimensão do episódio. Segundo o documento, na área da obra não foram encontradas canaletas, tubulações ou outros meios para direcionar a água proveniente das chuvas.A perícia também registrou que a área havia sido desmatada e apontou características do terreno que favoreciam o deslocamento da água em direção à residência de Leonardo. Segundo o laudo, pelo que foi observado durante a vistoria, o local gerador do desmoronamento foi a obra vizinha à residência do músico.O documento também apontou que a queda representava risco para terceiros, incluindo moradores e pessoas que estavam na residência atingida. Nos autos, os advogados de Leonardo sustentam que as consequências poderiam ter sido fatais para o músico e sua família.Uma das carpas de estimação de Leonardo teria morrido após o lago ser atingido pela lama e pelos destroços. O músico também relata forte impacto emocional provocado pelo episódio.Segundo os advogados de Leonardo, o "pavor" vivido durante o desabamento teria sido tamanho que o músico adquiriu outros dois lotes para construir uma nova residência. Eles afirmam que permanecer na casa atingida passou a ser, para ele, “sinônimo de tristeza e medo”.Leonardo diz que Simone não o procurou após desabamentoAlém do risco que afirma ter enfrentado, Léo também reclama da postura adotada por Simone após o episódio. É justamente nesse ponto que seus advogados fazem uma das afirmações mais duras apresentadas nos autos.Os advogados afirmam que Simone "nunca" teria procurado Leonardo, “sequer para saber se estava tudo bem com ele”, apesar de sustentarem que o ocorrido poderia ter provocado consequências fatais para o músico e sua família. Para os representantes de guitarrista, a ausência de contato demonstraria falta de preocupação da cantora com o músico e seus familiares após o episódio. Os representantes jurídicos de Leonardo afirmam ainda que, em vez de buscar uma solução amigável, a cantora teria preferido se esquivar do caso. Eles classificam a postura como "lamentável", mas fazem uma ressalva: dizem querer acreditar que essa conduta não tenha partido diretamente de Simone, mas, "talvez, de sua assessoria".Vale lembrar que as acusações sobre a responsabilidade de Simone pelo ocorrido e as declarações sobre sua postura após o episódio são alegações apresentadas por Léo Stuart e seus advogados. Embora existam laudos, registros policiais e decisões judiciais relacionados ao desabamento, a ação indenizatória continua em andamento e não há condenação definitiva da cantora ao pagamento dos valores reivindicados pelo músico.No âmbito policial, embora o boletim tenha sido inicialmente registrado com autoria desconhecida, uma segunda edição passou a identificar Simone como proprietária da construção onde ocorreu o desabamento. O documento, no entanto, não a aponta expressamente como autora do delito previsto no artigo 256 do Código Penal.A coluna procurou a assessoria de Simone Mendes para comentar o caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações. fotogaleria