Acabei de ganhar um trauma: de reforma de casa. E todo dia encontro gente com o mesmo problema

admin
28 Aug, 2026
Se alguém me dissesse que a essa altura eu ia ganhar um novo trauma eu não acreditaria, mas o pior é que aconteceu. Fiquei traumatizada com a reforma do apartamento. Basta alguém agora falar em pedreiro, pintor, eletricista para eu me agitar. Se mencionar a palavra serralheria então, começo a sentir calafrios - tomei golpe de um caloteiro que vendeu e não entregou. A julgar pelas dezenas de conversas que tenho tido sobre reformas nos últimos meses, estou longe de ser a única traumatizada. Basta citar o assunto para que pessoas de diferentes perfis comecem a desfiar um rosário de queixas e lembranças negativas. Leia também Reformar apartamento usado ou comprar imóvel na planta? Marcenaria sob medida desponta como recurso para transformar ambientes Morar melhor: Conheça 5 livros que vão te ajudar a criar a condição ideal de viver bem em casa Um homem me contou que foi parar no psiquiatra de tanto perder o sono. Outro disse que perdeu 10 quilos porque a obra não terminava nunca. Uma prima, abandonada pelo empreiteiro após pagar 60% da obra, penou para achar alguém que terminasse o trabalho por menos que o dobro. Um amigo flagrou caixas de piso roubadas no porta-malas do prestador de serviço. Posso não ter dado sorte, mas não teve nem sequer uma pessoa que tenha me dito: “Reforma? Nossa, a minha foi tão legal...” As reclamações não envolvem apenas perrengues clássicos - a parede que não foi bem impermeabilizada e estragou o armário, o pedreiro que furou errado o revestimento ao instalar o toalheiro, o encanamento que você descobre que não existe e te obriga a quebrar o teto do vizinho do andar de baixo (obrigada, João!). Não. Tem também as promessas descumpridas, os prazos ignorados, o prestador que desaparece após ter matado a família inteira nas desculpas anteriores. De atraso em atraso, o serviço que deveria durar 15 dias leva dois meses. E o que deveria custar 10 vira 20. E, como em reforma uma coisa costuma depender de outra, o negócio vai se estendendo. Alguém brincou que ao passar por essa experiência a gente se depara com o “Jaque”: Já que você está quebrando a parede, alguém te convence que precisa trocar o piso; já que está trocando o piso, precisa acertar as portas; já que está acertando as portas, por que não instalar o ar-condicionado? E, independentemente do que se faça, já que entrou nessa, precisa melhorar a pintura e a marcenaria. Claro que tudo isso custa dinheiro. Muito mais do que você imaginava gastar no início. E, independentemente do orçamento, isso aumenta bastante o trauma porque as contas, os boletos, os pixes e as transferências vão virando uma espécie de bola de neve que transforma qualquer pessoa minimamente organizada em especialista em contabilidade criativa (obrigada, Maurício!). Você passa a fazer contas no café da manhã, no banho e, se bobear, no meio da madrugada. Porque a tomada que você precisa é sempre a mais cara. Um negócio que você nem sabia que existia vira indispensável - e lá se vão mais reais. E existe um detalhezinho que deixa orçamentos em geral 10% mais caros: comissões, cashbacks e vale-presentes que alguém recebe por indicar um lugar ou prestador de serviço “ótimo”. Enquanto você passa a quase chorar de emoção ao ver que um contrato fui finalmente cumprido à risca, descobre detalhes técnicos que nunca imaginou e se pega discutindo de cor de tinta a tipo de persiana como se fosse expert. Entre muitas e muitas camadas de poeira, também sonha com o momento em que aquele acampamento de coisas empilhadas, encaixotadas e cobertas com plástico preto voltará a ser seu lar. Quando enfim consegue retomar o território, ainda leva tempo para se recuperar e descobre que nem tudo ficou 100%. Mas, para não precisar refazer e pagar novamente, você decide esquecer. Nesse embate entre expectativa e realidade, entre o que diz o arquiteto e o que afirma o empreiteiro, entre o que você planejou e o que dá pra fazer, passam-se alguns meses. Tirei férias do trabalho para terminar a reforma, e voltei mais cansada. Porque não se trata de cansaço apenas físico. É o cansaço de ter que prestar atenção em tudo o tempo inteiro. De cobrar, conferir, perguntar, comparar. E ter mais surpresas. Após começar a acreditar que a pior fase havia passado, sentei no sofá para dar uma zapeada na TV recém-instalada novamente na sala. Mais uma expectativa frustrada: alguém tinha quebrado a tela na reforma...