DNA pode ajudar famílias de desaparecidos a encontrar respostas em Macaé
28 Aug, 2026
Macaé - Para muitas famílias, o desaparecimento de uma pessoa deixa uma pergunta que atravessa os dias, os meses e até os anos: onde ela está? Em Macaé, uma ação da Polícia Técnico-Científica vai ampliar as chances de transformar essa espera em resposta. O Instituto Médico Legal recebe nesta sexta-feira, dia 28, familiares de pessoas desaparecidas para a coleta de material genético que poderá ser comparado com perfis armazenados em bancos de DNA de todo o país. A mobilização faz parte da Semana de Mobilização Nacional, promovida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, com o objetivo de ampliar os bancos estaduais e nacional de perfis genéticos. A partir das informações coletadas, os sistemas podem realizar cruzamentos contínuos para auxiliar na localização e identificação de pessoas desaparecidas. No Norte Fluminense e na Região dos Lagos, o atendimento será concentrado no Posto Regional de Polícia Técnico-Científica de Macaé, na Avenida Aluísio da Silva Gomes, no 100, no bairro Novo Cavaleiros, ao lado da Cidade Universitária. A unidade é referência para moradores de seis municípios: Macaé, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Carapebus, Conceição de Macabu e Quissamã. A coleta é rápida, indolor e não exige jejum. O procedimento utiliza uma haste flexível, conhecida como swab, colocada na parte interna da bochecha para recolher o material genético. O atendimento prioriza parentes biológicos de primeiro grau, como pais, filhos e irmãos. No caso de filhos, a orientação é que estejam acompanhados do outro genitor, sempre que possível. Crianças e adolescentes também podem participar, desde que estejam acompanhados por um responsável legal. Famílias que já realizaram a coleta em mobilizações anteriores não precisam repetir o procedimento. Para fazer o cadastro, o familiar deve apresentar documento de identidade e o Registro de Ocorrência do desaparecimento, realizado junto à Polícia Civil. Quando houver disponibilidade, também podem ser apresentados objetos de uso pessoal da pessoa desaparecida que possam conter material genético, como escova de dentes, barbeador, dente de leite ou cordão umbilical. Esses objetos podem ser especialmente importantes em situações nas quais não há familiares de primeiro grau disponíveis para a coleta, ampliando as possibilidades de comparação genética. O material recolhido recebe tratamento confidencial e tem finalidade exclusiva de auxiliar na busca e identificação de pessoas desaparecidas. O cruzamento dos perfis permite que uma informação genética coletada hoje possa contribuir para uma identificação no futuro, inclusive em casos registrados longe da cidade de origem da família. Mais do que uma coleta, a mobilização representa uma oportunidade para famílias que convivem com a ausência e a incerteza. Cada perfil inserido nos bancos de dados amplia a rede de informações disponível para a Polícia Técnico-Científica e pode criar uma nova possibilidade de resposta para quem espera por notícias. A iniciativa também reforça a importância de manter atualizado o registro do desaparecimento e de participar das ações oficiais de coleta. Quanto maior a quantidade de perfis disponíveis, maiores são as possibilidades de cruzamento entre familiares e pessoas que ainda aguardam identificação.