Campanha na TV: as estratégias dos principais nomes nos 3 maiores estados

admin
26 Aug, 2026
Campanha na TV: as estratégias dos principais nomes nos 3 maiores estados Resumo Numa disputa presidencial acirrada, com possibilidade de encerramento já no primeiro turno da eleição nacional, os desempenhos dos candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nos três maiores colégios eleitorais do país ganha peso imponderável para o resultado da disputa nacional. A coluna apresenta as estratégias dos principais candidatos a governador de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, tanto da base quanto da oposição, para explorar os espaços na maior máquina de influência no voto a esta altura do campeonato: a propaganda eleitoral no rádio e na TV. São Paulo O candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem uma dianteira confortável e é o favorito desde já na corrida eleitoral. Ele possui, de longe, o maior tempo de propaganda — 70% do horário eleitoral, contra 30% de seu principal adversário, Fernando Haddad (PT). Mas há um problema: o grupo que faz a comunicação do governador está rachado. Ao meio. Ainda assim, segundo aliados, a propaganda de Tarcísio deve, primeiro, apresentar o governador como alguém que, de fato, passou a atuar por São Paulo por força do destino, de uma missão que caiu em suas mãos por força divina. O governador ressaltará feitos de seu mandato nas mais diversas áreas — habitação, saúde, educação e segurança —, com destaque para medidas em favor das mulheres. A ideia é transmitir uma mensagem de trabalho a ser continuado, admitindo eventuais erros, mas disposição em corrigi-los. A mulher de Tarcísio, Cristiane Freitas, e seu vínculo com a família serão explorados. Não haverá menção, de saída, a Haddad, mas o rechaço histórico do estado ao PT tende a ser ressaltado. A estratégia de Haddad será a oposta. Se Tarcísio, de saída, afasta-se de menção direta a Flávio e Eduardo ou Jair Bolsonaro, dizem aliados do petista, a campanha de Haddad tenderá a associar o governador à família do ex-presidente e às mazelas que, vira e mexe, a afetam, como suspeita de tolerância a milícias. A ordem é nacionalizar a campanha, tratar São Paulo como um flanco fundamental para a vitória de Lula e atacar, principalmente, a sensação de insegurança no estado como um todo. Minas Gerais Os dois adversários mais viáveis do senador Cleitinho (Republicanos), aliado de Flávio, apostam no derretimento dele no correr da campanha, em cerca de 15 dias. O PT, que vai com Patrus Ananias, um político já conhecido em MG, quer "reapresentá-lo", fazer uma campanha à mineira, focada no estado, com certo viés nostálgico, apostando na oscilação de humor demonstrada pelo líder das pesquisas na pré-campanha. Com força também deve vir o atual governador, Mateus Simões (PSD), que era vice de Romeu Zema (Novo). A campanha apostará basicamente na defesa do que foi construído ao longo dos últimos oito anos — apontando para desafios ainda não vencidos —, mas sempre com a ideia de demonstração de autoridade e equilíbrio, mais uma vez mirando o líder Cleitinho. As duas campanhas, de Patrus e de Mateus, apostam na perda de densidade do candidato do Republicanos com a largada da propaganda na TV. A conferir. Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) apostará numa campanha focada no estado, relembrando o vínculo histórico com o Rio. Favorito a ser batido, será apresentado como o representante "do velho, do que já foi testado, do antigo" por Douglas Ruas (PL), seu principal rival. Ruas afastou-se de Claudio Castro, o ex-governador. Apostará na ideia de que representa a renovação dentro de um grupo que o Rio já conhece. O fato de ser um político jovem —ele tem 37 anos— será usado à exaustão. Para se ter uma ideia, até tomadas de corrida à beira da praia para demonstrar vigor físico estão no script. Para fragilizar Paes, em especial no interior, a campanha tende a trabalhar a ideia de que o ex-prefeito maneja hábitos da "velha política", resvalando na ideia do conchavo. A popularidade de Paes na capital é a muralha a ser vencida. Para manter acesa a chama de que pode vencer no primeiro turno, Lula precisa no mínimo repetir o desempenho que teve em São Paulo, Minas e Nordeste em 2022. Já a campanha de Flávio aposta numa votação melhor do que a de Jair Bolsonaro em estados importantes, como Bahia e Rio Grande do Norte, para enterrar as pretensões do presidente. A campanha no rádio e na TV começa dia 28. As primeiras peças de governador e presidente irão ao ar no sábado (29). Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.