Jimmy Lai, o bilionário preso na China por fundar jornal pró-democracia vira símbolo de liberdade
23 Aug, 2026
Como mostra a prisão de Jimmy Lai, a prosperidade econômica de um país significa muito pouco se ele não conseguir preservar as liberdades civis. Em maio, o presidente Trump reuniu-se com Xi Jinping em Pequim, marcando a primeira visita de um presidente dos Estados Unidos à China desde 2017. Trump voltou com acordos [https://www.whitehouse.gov/fact-sheets/2026/05/fact-sheet-president-donald-j-trump-secures-historic-deals-with-china-delivering-for-american-workers-farmers-and-industry/] destinados a fortalecer as relações entre os Estados Unidos e a China e a promover a cooperação em importantes questões de política externa. Um dos acontecimentos mais notáveis após a reunião foi a rápida libertação [https://apnews.com/article/trump-xi-ezra-jin-mingri-pastor-released-3ccd7e03395b5b51f74c8fc2d2605285] do pastor Ezra Jin Mingri, detido em outubro de 2025 por liderar uma igreja cristã clandestina. Embora o retorno de Jin ao lar represente uma importante vitória para a liberdade religiosa, Trump não conseguiu garantir a libertação de outro prisioneiro político proeminente: Jimmy Lai, empresário de Hong Kong — e cidadão britânico — que está preso há mais de cinco anos por dirigir o jornal pró-democracia Apple Daily. Lai, um empreendedor que construiu sua própria fortuna e se tornou bilionário, teve a oportunidade de fugir [https://reason.com/2025/12/19/jimmy-lai-is-a-martyr-for-freedom/] antes de ser preso, mas decidiu permanecer no território para incentivar milhões de habitantes de Hong Kong a continuar lutando pela liberdade e pela autonomia que a região desfrutou durante décadas. A situação de Lai me toca profundamente por causa das experiências de minha família durante a Revolução Comunista Chinesa, mas deveria ser igualmente significativa [https://fee.org/articles/speaking-truth-to-power/] para todo americano que acredita nas virtudes das liberdades econômica e social. Nos últimos anos, a China complicou a convicção, há muito defendida pelos liberais clássicos, de que os mercados livres são fundamentais para a prosperidade econômica. Embora o país tenha adotado o planejamento central, ele se tornou [https://www.trade.gov/knowledge-product/exporting-china-market-overview] a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Hong Kong encontra-se em uma posição [https://www.bbc.com/news/world-asia-pacific-16526765] delicada: a ilha esteve sob influência britânica e, em alguns períodos, sob controle britânico desde 1842. Em 1997, terminou o arrendamento britânico do território, e Hong Kong foi devolvido à China. A política de “um país, dois sistemas” prometia [https://fee.org/articles/jimmy-lais-imprisonment-is-a-blueprint-for-how-authoritarians-use-national-security-to-crush-political-dissent/] que Hong Kong se tornaria parte da China, mas manteria sua economia capitalista e seu sistema político parcialmente democrático durante o período de transição de 50 anos. Ativistas argumentam que a China erodiu as liberdades e puniu os dissidentes, o que levou [https://www.cfr.org/backgrounders/hong-kong-freedoms-democracy-protests-china-crackdown] a grandes protestos em 2014 e 2019. No entanto, como mostra a prisão de Jimmy Lai, a prosperidade econômica não pode se sustentar se o país também não respeitar as liberdades civis. Lai está detido desde agosto de 2020. Em fevereiro, ele foi condenado [https://www.bbc.com/news/articles/c8d5pl34vv0o] a 20 anos de prisão por conspirar com forças estrangeiras, com base na lei de segurança nacional do território. Aos 78 anos, grupos de defesa dos direitos civis classificaram corretamente a sentença como uma “sentença de morte”. Ele foi mantido em confinamento solitário, período em que sofreu [https://www.pbs.org/newshour/world/hong-kong-court-hears-arguments-on-sentencing-of-democracy-advocate-jimmy-lai] uma perda substancial de peso e uma deterioração de sua saúde. Recentemente, o governo de Hong Kong tentou confiscar [https://apnews.com/article/hong-kong-jimmy-lai-assets-seize-government-d863338c514921d5a7edd21ede42a883] mais de 127 milhões de dólares de Hong Kong — o equivalente a 16 milhões de dólares americanos — de Lai, alegando que os recursos estão relacionados aos crimes cometidos por ele. Quando um governo não respeita as liberdades civis, a prosperidade econômica só alcança o limite que seus líderes permitem. Lai representa a transformação ocorrida em Hong Kong: de uma cidade que abraçava liberdades compatíveis com os sistemas britânico e americano para uma cidade que luta para preservar o que um dia teve. Hong Kong pode estar a milhares de quilômetros de distância, mas os valores pelos quais Lai e outros ativistas lutam são os mesmos em que os americanos acreditam: a liberdade de participar do governo, de criticar os políticos e suas decisões e de publicar opiniões sem medo de retaliação. Esses valores não deveriam parecer estranhos aos americanos. O presidente Trump deverá reunir-se [https://www.reuters.com/world/asia-pacific/trump-says-xi-will-visit-us-september-24-2026-07-23/] novamente com Xi no próximo mês. A disposição do governo chinês de libertar o pastor Jin oferece um motivo para manter a esperança em relação a Lai, embora Trump esteja correto ao afirmar que será “difícil [https://www.theguardian.com/world/2026/may/16/trump-not-optimistic-jimmy-lai-release-xi-jinping]” garantir sua libertação. Mas os Estados Unidos não podem desistir dele. Lai é um herói [https://fee.org/articles/hong-kong-convicts-jimmy-lai/] que colocou a própria vida em risco para que outros possam continuar lutando por nossos valores comuns de liberdade e dignidade humana. Rachel Chiu formou-se recentemente pela Faculdade de Direito de Yale e é colaboradora da Young Voices, uma organização que apoia jovens autores para que expressem suas opiniões sobre temas de interesse público. Sua atuação concentra-se em liberdade de expressão na internet e políticas relacionadas à tecnologia. ©2026 Foundation for Economic Education. Publicado com permissão. Original em inglês: True Courage in Hong Kong [https://fee.org/articles/true-courage-in-hong-kong/]