Bomba atômica em Hiroshima completa 81 anos; leia declaração de Truman sobre o ataque

admin
1 Aug, 2026
Em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram a bomba atômica Little Boy sobre Hiroshima, no Japão. A detonação ocorreu às 8h15, horário local, a cerca de 600 metros de altura, matando instantaneamente de 50 a 100 mil pessoas e resultando em um total de 90 a 166 mil mortes nos meses seguintes em decorrência dos efeitos da radiação. Três dias depois, Nagasaki também seria atingida. Os ataques foram conduzidos poucos dias depois da proclamação da Declaração de Potsdam [https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1945Berlinv02/d1382], que, em 26 de julho, afirmava: “Exigimos que o Governo do Japão proclame agora a rendição incondicional de todas as forças armadas japonesas e forneça garantias adequadas e suficientes de sua boa-fé em tal ação. A alternativa para o Japão é a destruição imediata e total”. Ao anunciar o ataque contra Hiroshima, o então presidente americano, Harry Truman, citaria a declaração de Potsdam. E declararia: “É uma bomba atômica. É o aproveitamento do poder fundamental do universo. A força da qual o sol extrai seu poder foi liberada contra aqueles que trouxeram a guerra para o Extremo Oriente”. O Japão apresentaria sua rendição no dia 14 de agosto. Leia na íntegra, em tradução livre, a declaração do presidente Harry Truman informando do ataque contra Hiroshima: “6 de agosto de 1945 Há dezesseis horas, um avião americano lançou uma bomba sobre Hiroshima, uma importante base do Exército Japonês. Essa bomba tinha mais poder do que 20.000 toneladas de TNT. Tinha mais de duas mil vezes o poder de explosão da bomba britânica Grand Slam, a maior bomba já usada na história da guerra. Os japoneses começaram a guerra pelo ar em Pearl Harbor. Foram recompensados muitas vezes. E o fim ainda não chegou. Com esta bomba, adicionamos agora um novo e revolucionário aumento na destruição para complementar o crescente poder de nossas forças armadas. Em sua forma atual, essas bombas já estão em produção e formas ainda mais poderosas estão em desenvolvimento. É uma bomba atômica. É o aproveitamento do poder fundamental do universo. A força da qual o sol extrai seu poder foi liberada contra aqueles que trouxeram a guerra para o Extremo Oriente. Antes de 1939, a crença aceita pelos cientistas era de que, teoricamente, era possível liberar energia atômica. Mas ninguém conhecia um método prático para fazê-lo. Em 1942, porém, sabíamos que os alemães estavam trabalhando febrilmente para encontrar uma maneira de adicionar energia atômica às outras armas de guerra com as quais esperavam escravizar o mundo. Mas eles falharam. Podemos agradecer à Providência por os alemães terem obtido os V-1 e V-2 tardiamente e em quantidades limitadas, e ainda mais por não terem obtido a bomba atômica. A batalha dos laboratórios representou riscos fatais para nós, assim como as batalhas aéreas, terrestres e navais, e agora vencemos a batalha dos laboratórios, assim como vencemos as outras batalhas. A partir de 1940, antes de Pearl Harbor, o conhecimento científico útil para a guerra foi compartilhado entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, e muitas contribuições inestimáveis para nossas vitórias vieram desse acordo. Sob essa política geral, a pesquisa sobre a bomba atômica foi iniciada. Com cientistas americanos e britânicos trabalhando juntos, entramos na corrida da descoberta contra os alemães. Os Estados Unidos dispunham de um grande número de cientistas de renome nas diversas áreas do conhecimento necessárias. Possuíam os enormes recursos industriais e financeiros indispensáveis ao projeto, que poderiam ser dedicados a ele sem prejuízo indevido de outras atividades vitais para a guerra. Nos Estados Unidos, o trabalho em laboratório e as usinas de produção, cujo início substancial já havia sido dado, estariam fora do alcance dos bombardeios inimigos, enquanto a Grã-Bretanha, naquela época, estava exposta a constantes ataques aéreos e ainda corria a ameaça de uma invasão. Por essas razões, o Primeiro-Ministro Churchill e o Presidente Roosevelt concordaram que era prudente prosseguir com o projeto nos Estados Unidos. Hoje, temos duas grandes usinas e muitas outras menores dedicadas à produção de energia atômica. Durante o auge da construção, o número de empregos chegou a 125.000, e mais de 65.000 pessoas ainda hoje trabalham nas usinas. Muitas trabalham lá há dois anos e meio. Poucos sabem o que estão produzindo. Veem grandes quantidades de material entrando e nada saindo dessas usinas, pois o tamanho físico da carga explosiva é extremamente pequeno. Gastamos US$ 2 bilhões na maior aposta científica da história — e vencemos. Mas a maior maravilha não é a dimensão do empreendimento, seu sigilo, nem seu custo, mas a conquista de mentes científicas em reunir fragmentos infinitamente complexos de conhecimento, detidos por muitos homens em diferentes campos da ciência, em um plano viável. E não menos maravilhosa foi a capacidade da indústria de projetar e do trabalho de operar as máquinas e os métodos para realizar coisas nunca antes feitas, de modo que a criação de muitas mentes se materializasse e funcionasse como deveria. Tanto a ciência quanto a indústria trabalharam sob a direção do Exército dos Estados Unidos, que alcançou um sucesso singular ao gerenciar um problema tão diverso no avanço do conhecimento em um tempo surpreendentemente curto. É duvidoso que outra combinação como essa pudesse ser reunida em qualquer lugar do mundo. O que foi feito é a maior conquista da ciência organizada na história. Foi feito sob alta pressão e sem falhas. Estamos agora preparados para obliterar, de forma mais rápida e completa, todas as atividades produtivas que os japoneses possuem acima do solo em qualquer cidade. Destruiremos seus portos, suas fábricas e suas comunicações. Que não haja dúvidas: destruiremos completamente a capacidade do Japão de fazer guerra. O ultimato de 26 de julho em Potsdam foi emitido para poupar o povo japonês da destruição total. Seus líderes prontamente rejeitaram esse ultimato. Se não aceitarem agora nossos termos, podem esperar uma chuva de destruição vinda do ar, como nunca se viu na Terra. Atrás desse ataque aéreo, seguirão forças navais e terrestres em números e poder nunca antes vistos, e com a habilidade de combate que eles já conhecem bem. O Secretário da Guerra, que acompanhou pessoalmente todas as fases do projeto, divulgará imediatamente uma declaração com mais detalhes. Sua declaração apresentará informações sobre as instalações em Oak Ridge, perto de Knoxville, Tennessee, e em Richland, perto de Pasco, Washington, e uma instalação perto de Santa Fé, Novo México. Embora os trabalhadores nos locais estivessem produzindo materiais para serem usados na criação da maior força destrutiva da história, eles próprios não estiveram em perigo maior do que muitas outras ocupações, pois foram tomados os máximos cuidados em relação à sua segurança. O fato de podermos liberar energia atômica inaugura uma nova era na compreensão das forças da natureza pelo homem. A energia atômica poderá, no futuro, complementar a energia que hoje provém do carvão, do petróleo e da água corrente, mas, no momento, não pode ser produzida em escala comercial para competir com essas fontes. Antes que isso aconteça, será necessário um longo período de pesquisa intensiva. Nunca foi hábito dos cientistas deste país, nem política deste governo, reter conhecimento científico do mundo. Normalmente, portanto, tudo relacionado ao trabalho com energia atômica seria divulgado ao público. Mas, nas circunstâncias atuais, não se pretende divulgar os processos técnicos de produção nem todas as aplicações militares, enquanto não forem examinados mais a fundo os possíveis métodos de proteção a nós e ao resto do mundo contra o perigo de uma destruição repentina. Recomendarei que o Congresso dos Estados Unidos considere prontamente a criação de uma comissão apropriada para controlar a produção e o uso da energia atômica nos Estados Unidos. Analisarei mais detalhadamente e farei novas recomendações ao Congresso sobre como a energia atômica pode se tornar uma influência poderosa e decisiva para a manutenção da paz mundial.” Fonte: Harry S. Truman Presidential Library and Museum [https://www.trumanlibrary.gov/library/public-papers/93/statement-president-announcing-use-bomb-hiroshima].