Universidade de Stanford seleciona 3 advogados brasileiros para estudo sobre IA na Justiça do Brasil
29 Jul, 2026
A Universidade de Stanford selecionou três advogados brasileiros para conduzir uma pesquisa sobre os impactos da inteligência artificial (IA) no sistema de Justiça e no mercado jurídico do Brasil. O projeto conta com apoio do Center for Legal Informatics (CodeX), vinculado à Stanford Law School. O Brasil foi escolhido para sediar o estudo por ser considerado o maior mercado jurídico do mundo, segundo o Estadão. Os pesquisadores selecionados são Bruno Feigelson, sócio fundador do Lima ≡ Feigelson Advogados e da Associação Brasileira de Law Techs e Legal Techs (AB2L); Daniel Marques, diretor executivo da AB2L; e Tayná Carneiro, fundadora da Future Law. O país reúne mais de 80 milhões de processos em tramitação e mais de 1,3 milhão de advogados registrados, além de concentrar o maior número de cursos de direito do planeta. O gasto jurídico nacional corresponde a entre 1,5% e 2% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior percentual do mundo nessa categoria, segundo Feigelson. O ESTUDO A pesquisa pretende mapear em que medida a IA já está sendo utilizada por escritórios de advocacia, departamentos jurídicos corporativos e pelo próprio Judiciário. Um dos focos centrais é a transição de sistemas que funcionam como "copiloto"; ferramentas de suporte ao profissional; para o modelo de "autopiloto", no qual a tecnologia entrega serviços diretamente ao cliente final em tarefas rotineiras de alta complexidade cognitiva. O estudo também analisa como departamentos jurídicos podem redistribuir orçamentos entre escritórios tradicionais e operadores "tech-first" (tecnologia em primeiro lugar). Além disso, investiga a disputa entre escritórios convencionais, law techs e um modelo híbrido que Feigelson denomina "law companies". "O convite de Stanford visa justamente mostrar como o local do mundo que tem o maior gasto do PIB, o maior número de advogados, o maior número de faculdades de Direito está usando inteligência artificial e como isso vai mudar esse mercado, como vai mudar essa indústria jurídica", conta o advogado.