O PERFIL DO ELEITORADO EM 2026

admin
28 Jul, 2026
Décio Freire* A partir de 16 de agosto terá início a campanha eleitoral, estando permitida, a partir desta data, propaganda eleitoral, inclusive na internet. Com isso, estará deflagrada a corrida para as eleições de 4 de outubro, aquela que analistas consideram que poderá ser a mais acirrada e complicada da história, uma vez que será a primeira campanha que poderá contar com o uso da inteligência artificial. E toda a parafernália, certamente, será utilizada, para chamar a atenção do eleitorado brasileiro, que, em 2026, engloba 158.745.463 pessoas, o que representa um aumento de 1,46% ou 2,29 milhões de votos a mais que em 2022. Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o maior crescimento proporcional se deu no Norte do país, com 549 mil novos eleitores. No Sudeste, por sua vez, o número de eleitores diminuiu em cerca de 400 mil eleitores, caindo de 66,7 milhões para 66,3 milhões. São Paulo continua sendo o estado com o maior colégio eleitoral, abrigando nada menos que 21,48% do total nacional ou 34,1 milhões de eleitores. Minas Gerais, com 16,3 milhões, e Rio de Janeiro, com 12,8 milhões, ocupam a 2a e a 3a colocações entre estados com maior número de eleitores, mas, somados, não atingem o quantitativo do eleitorado paulista. A Região Sudeste, no entanto, em que pese ter reduzido o número de eleitores, ainda abriga 69,8 milhões de eleitores (ou 43,9% do total de votos), o que supera a soma do eleitorado das regiões Nordeste (43 milhões), Norte (12,4 milhões) e Centro-Oeste (10,9 milhões). A maioria do eleitorado é do sexo feminino, somando 83,8 milhões de votos, ou 52,84% do total, contra 74,8 milhões de eleitores do sexo masculino. O relatório do TSE mostra, ainda, que o número de brasileiros aptos a votar fora do país cresceu mais de 30% nos últimos quatro anos, o que representa que 918,9 mil brasileiros poderão votar ao redor do mundo em 2026. Esse número é ainda pequeno se considerada a estimativa de brasileiros residentes no exterior. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, nos últimos quatro anos cerca de 700 mil pessoas emigraram do Brasil para outros países, atingindo o número de 5,3 milhões de brasileiros residentes no exterior no final de 2025. Os Estados Unidos abrigam 39% desse total. Lisboa, em Portugal, e Boston, nos EUA, disputam a liderança entre as capitais mundiais que mais têm residentes brasileiros (cerca de 250 mil em cada). O número de brasileiros residindo fora do Brasil é equiparado às populações de países como Nova Zelândia, Costa Rica, Noruega e Finlândia. Ao mesmo tempo, a população desses países também equivale ao analfabetismo no Brasil que, em 2026, superou 5,4 milhões de pessoas. Além disso, segundo dados do Datafolha, nada menos que 79,4 milhões de eleitores vivem com até dois salários mínimos mensais (50% do total) e outros 57,1 milhões recebem de dois a a cinco salários mínimos por mês. Outro dado crescente é o contingente de pessoas chamado em “situação de rua” que, segundo o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG), reúne 349 mil pessoas em 2026. Isso representa, segundo o OBPopRua, um crescimento expressivo, com a população tendo aumentado, no Brasil, 65% em pouco mais de três anos. Quem vai se consagrar vitorioso(a) nas eleições de outubro ninguém sabe, mas uma coisa é certa: os números mostram que os novos governantes terão pela frente um dos períodos mais desafiadores de nossa história. *Advogado, presidente do Conselho Consultivo dos Diários Associados