Caso perca Kia, grupo Gandini já tem plano B com marca chinesa

admin
21 Jul, 2026
Após os rumores de que poderia perder o direito de manter a representação e importação da sul-coreana Kia no país, o Grupo Gandini já pensa em soluções alternativas com uma nova marca, desta vez chinesa. Segundo fontes, o executivo estaria em conversas avançadas para trazer oficialmente ao país a Jiangling Motors Corporation (JMC), gigante chinesa focada em picapes e utilitários. Fundada em 1947, a Jiangling Motors Corporation é uma das maiores fabricantes chinesas de veículos comerciais e mantém uma longa parceria com a Ford, produzindo desde picapes até SUVs e vans. A marca também não é exatamente uma novidade no Brasil. O exemplo mais conhecido é o Territory, vendido por aqui desde meados de 2020 e nascido originalmente como JMC Yusheng S330. No passado, a fabricante também forneceu alguns VUCs comercializados pela Effa e, em breve, dará origem à Transit City, chamada na China de JMC Touring. JMC focará em utilitários e pode ter hatch polêmico Ao menos inicialmente, a ideia é que a chinesa ofereça por aqui produtos comerciais, caso da picape média Virgus. O modelo já foi visto em testes pela região de Itu, no interior de São Paulo por @edu.diniz e postado pelo Placa Verde. Não por acaso, é a cidade onde estão concentrados os principais negócios de Gandini e, desde meados da década de 90, também é a sede da Kia no país. Tal como a coreana, a ideia não é ter uma rede tão ampla, e não há previsão de fábricas. A expectativa, de acordo com as fontes ouvidas por Motor1.com Brasil, é posicioná-la de forma competitiva no mercado, abaixo dos principais produtos das marcas tradicionais. Hoje, a principal dúvida está na precificação dos produtos e definição de versões e equipamentos. Apesar de relativamente moderna, a Vigus aposta em visual e configurações bem mais franciscanas do que uma Ford Ranger ou Chevrolet S10. Nas dimensões, possui 5.335 mm de comprimento, 1.882 de largura e 1.834 mm de altura, estando próxima da média da categoria. De negativo, sua capacidade de carga - ao menos nas configurações já oferecidas no exterior - fica abaixo de 1 tonelada, com 870 kg. Já na motorização, oferece dois propulsores: o primeiro - e mais adequado ao gosto do consumidor dessa categoria - é um turbodiesel 2.5 de até 167 cv e 43,8 kgfm, enquanto o segundo é um 2.0 turbo a gasolina com 218 cv e 35,7 kgfm. A tração é 4x4 sob demanda, vinda da BorgWarner, enquanto as transmissões são originárias, sendo elas um manual de seis marchas e um automático de oito. JMC Vigus Fotos de: Reprodução JMC Gran Avenue PRO Fotos de: Reprodução Em alguns mercados, a marca ainda oferece um modelo um pouco maior, o Grand Avenue. Ele bebe muito da fonte de picapes da Ford, com visual que lembra uma mistura de F-150 com porte mais próximo de uma Ranger. Na Argentina, há até uma versão PRO, com visual à lá Raptor. Na motorização, usa um propulsor 2.3 turbodiesel de 2.3 litros com até 177 cv e 45,9 kgfm, ou um 2.3 turbo, com injeção direta e a gasolina, que aumenta a potência para 258 cv e 45,9 kgfm. Em ambos os casos, utilizam transmissão de oito marchas fornecida pela ZF, bem como tração 4x4 sob demanda. Correndo por fora, fala-se até no polêmico hatch oferecido durante alguns meses no país pela E-Motors, o Enova Easy. O modelo foi anunciado em março e não chegou a ter unidades entregues pela empresa mineira, como revelou a jornalista Isadora Carvalho, do Jornal do Carro, e posteriormente confirmada pela importadora. Subcompacto de apenas 3,50 metros de comprimento, menor até que Fiat Mobi e Renault Kwid, o Enova Easy utiliza um motor elétrico de aproximadamente 41 cv (30 kW) e 8,6 kgfm de torque, alimentado por uma bateria de LFP (lítio-ferro-fosfato) com capacidade entre 15,9 kWh e cerca de 17 kWh, a depender da especificação considerada. E, segundo o colunista Jorge Moraes, da CNN, há chances de que ele retorno ao país, mas agora nas mãos da operação gerida por Gandini. A grande questão, no entanto, é o preço. Quando era oferecido pela E-Motors, o hatch custava R$ 69.990, mas não chegou a ter unidades entregues. A alegação da empresa, ainda segundo o Jornal do Carro, é de que o produto nesse preço ficaria inviável pela alta do dólar e o retorno do IPI de 35% para elétricos. Muito antes do EX2, Geely ofereceu o GC2 no país Foto de: Geely Não é a primeira chinesa do grupo Gandini Mesmo tendo ficado por mais de três décadas à frente da operação da Kia no Brasil, José Luiz Gandini já se aventurou entre marcas chinesas na década passada, quando trouxe por um curto período a Geely. Bem longe dos modelos atuais elétricos e híbridos, a linha era composta apenas por dois carros: o hatch GC2 e o sedã médio EC7, ambos sempre a gasolina, manuais e sem muito sucesso comercial. Ao todo, durante os anos em que esteve presente por aqui, a marca emplacou apenas 1.282 unidades antes de deixar o mercado definitivamente em 2018. Na época, a operação atribuiu a decisão à alta do dólar e às incertezas políticas e tributárias do país. Leia mais Exclusivo: "Se eles vierem, vão me tirar fora", diz Gandini sobre futuro da Kia no Brasil Oficial: Kia Tasman chega à região já em 2026 contra a Toyota Hilux Geely não voltará ao Brasil, diz Grupo Gandini Kia Carnival 2026 deixa de lado V6 e vira híbrido de R$ 684.990