Mostra de cinema aponta caminhos para formação em memória audiovisual
28 Jun, 2026
Em sua 21a edição, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto consolida seu papel como principal espaço do país para debates sobre preservação do patrimônio audiovisual, educação e políticas públicas para o setor. Até terça-feira (30), o festival reúne pesquisadores, realizadores, professores, estudantes, arquivistas e gestores culturais em uma programação que combina exibições de filmes, encontros nacionais e oficinas com discussões sobre o futuro da preservação audiovisual no Brasil. Notícias relacionadas: - 81⁄2 Festa do Cinema Italiano reúne filmes de prestígio internacional . - CineOP transforma Ouro Preto em capital da memória audiovisual . - Cuiabá: festival de cinema levanta discussões sobre migração e clima. Entre os principais anúncios da mostra está a possível criação de um Centro de Referência em Preservação Audiovisual no Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), em parceria com o Centro Técnico Audiovisual (CTAv). A iniciativa foi apresentada durante o debate de abertura pelo reitor do IFRJ, Thiago Matos Pinto, e pretende fortalecer a formação profissional na área, ampliar a oferta de cursos e estruturar um espaço permanente voltado ao ensino, pesquisa e extensão em preservação audiovisual. Caso seja aprovado pelas instâncias da instituição, o centro contará com infraestrutura própria, orçamento específico e poderá ampliar a qualificação de profissionais em um segmento considerado estratégico para a preservação da memória audiovisual brasileira. Ouro Preto (MG), 26/06/2026 – Cineop transforma Ouro Preto em capital da memória do audiovisual brasileira. Foto: Leo Fontes/Universo Produção Desde a abertura, o tema da edição Um País Existe nas Imagens que Preserva tem orientado os debates da mostra, que articula três eixos: preservação, história e educação. Na cerimônia de quinta-feira, a coordenadora-geral da CineOP, Raquel Hallak, destacou que preservar imagens é preservar a própria identidade do país. “Quando uma imagem some, não é apenas um arquivo que desaparece, é uma memória que se apaga. É uma possibilidade de reconhecimento que se interrompe. É o próprio país que se torna menos visível para si mesmo”, afirmou. Segundo ela, preservar o audiovisual vai além da guarda dos acervos. “A preservação não é o fim do processo, e sim o início de novas formas de acesso, de circulação, de formação de público e de desenvolvimento do audiovisual”, explica. A abertura da mostra também homenageou a cineasta Helena Solberg, de 88 anos de idade, que recebeu o Troféu Vila Rica e acompanhou a exibição restaurada de seus primeiros filmes, A Entrevista e Meio-Dia, produzidos no início da década de 1960. Formação de público Outro destaque da programação é o Cine Expressão, segmento da CineOP dedicado à infância e à juventude, que reúne estudantes das escolas públicas de Ouro Preto e da região em sessões comentadas e atividades pedagógicas. A curadora Ramina El Shadai disse que o projeto parte da ideia de despertar o interesse dos jovens pelo cinema antes mesmo de pensar na formação de plateias. “Nós tiramos a formação de plateia como objetivo e colocamos como prioridade observar as potências dos jovens diante da tela. Primeiro é preciso fazer com que eles gostem de estar ali”, defende. Após as sessões, os estudantes participam de conversas sobre sentimentos, emoções e temas despertados pelos filmes. As escolas também recebem materiais pedagógicos elaborados especialmente para ampliar as discussões em sala de aula. “A gente fortalece o sentimento de pertencimento. Quando se fortalece essa cultura dos interessados, a plateia acontece naturalmente”, avalia. Cine Expressão, segmento da CineOP dedicado à infância e à juventude – Foto: Leo Lara/Universo Produção Encontros Além das exibições de filmes, a CineOP promove ao longo da programação fóruns e encontros nacionais voltados à preservação audiovisual, educação e memória, reunindo representantes de cinematecas, universidades, instituições públicas e profissionais do setor para discutir políticas de preservação, acesso aos acervos e estratégias de formação. As discussões buscam consolidar propostas e encaminhamentos para fortalecer a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro e ampliar sua circulação junto ao público. A 21a CineOP segue até terça-feira (30), com todas as atividades gratuitas. Parte da programação pode ser acompanhada também de forma online por meio da plataforma da mostra. * A repórter viajou a convite da CineOP Conteúdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por Anna Karina de Carvalho – Enviada especial *