Mosca tem espermatozoide gigante, até 40 vezes maior que o humano

admin
25 Jun, 2026
Compartilhar matéria A ideia de que os espermatozoides são sempre células microscópicas acaba de ser desafiada por uma descoberta da biologia reprodutiva. O macho da mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster) foge completamente à regra ao produzir espermatozoides gigantes, que podem atingir cerca de 1,8 milímetro de comprimento, cerca de 40 vezes o tamanho do espermatozoide humano. Embora a espécie seja amplamente estudada pela ciência, pesquisadores revelaram recentemente detalhes inéditos sobre a forma como esse sêmen extraordinário se organiza dentro do organismo. A presença de espermatozoides gigantes é resultado de uma estratégia reprodutiva bem-sucedida que evoluiu ao longo de mais de 100 milhões de anos. Leia Mais - Descoberta de menino em quintal muda teoria centenária da biologia - Mosquito transmissor da malária é junção de 5 espécies, diz estudo - Estudo mapeia potenciais alvos genéticos contra a esquistossomose O principal mistério que intrigava os cientistas envolvia um desafio de logística biológica. Milhares desses espermatozoides precisam permanecer armazenados até o momento do acasalamento em órgãos chamados vesículas seminais, estruturas minúsculas com cerca de 200 micrômetros de comprimento. O contraste mostra que a vesícula seminal é muito menor do que cada espermatozoide armazenado. Enquanto a cabeça da célula mede apenas cerca de 10 micrômetros, o restante é formado por um longo e espesso flagelo. Diante disso, os pesquisadores buscavam entender como estruturas tão extensas conseguem ser empacotadas em um espaço microscópico sem formar nós ou emaranhados que comprometeriam a fertilidade do animal. Utilizando reconstruções tridimensionais de alta resolução e técnicas de imagem em alta velocidade, a equipe descobriu que os espermatozoides se organizam em uma estrutura extremamente densa, alinhada e ordenada, semelhante a um “cristal líquido vivo”. Veja animais com características únicas na natureza Longe de permanecerem imóveis, os flagelos interagem constantemente, gerando fluxos coletivos que movimentam todo o material reprodutivo dentro da vesícula seminal. Mesmo em um ambiente extremamente congestionado, os espermatozoides conseguem se deslocar rapidamente em direções opostas sem se emaranhar. Segundo os cientistas, o segredo está no fato de que cada espermatozoide se move como se estivesse confinado em um tubo imaginário formado pelos próprios vizinhos. Leia também: Pássaros do amor: estudo científico revela que aves podem se masturbar Ao transmitir ondas de flexão e torção ao longo das caudas, essas células se impulsionam ativamente contra os flagelos de outros espermatozoides que seguem na direção contrária. Essa dinâmica intensa gera forças mecânicas contínuas que ajudam a manter o conjunto organizado e livre de emaranhados. Em outras palavras, é justamente a movimentação constante em um ambiente extremamente compacto que preserva o sêmen em um estado funcional, garantindo a eficiência reprodutiva da espécie. A descoberta transforma esses espermatozoides colossais em um novo modelo para o estudo da chamada matéria ativa na natureza e pode ampliar significativamente a compreensão científica sobre as estratégias de sucesso reprodutivo no reino animal. TópicosAnimaisdescoberta científicaReprodução Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Khauan Wood