Primeiros smartphones 6G devem chegar em até quatro anos, prevê Ericsson

admin
23 Jun, 2026
A Ericsson estima que os primeiros handsets com conectividade 6G devem chegar entre três e quatro anos e serão acompanhados pelos primeiros serviços comerciais oferecidos pelas operadoras. De acordo com o Ericsson Mobility Report 2031, a companhia prevê que a sexta geração das redes celulares terá 180 milhões de assinaturas. O diretor de soluções de rede da fornecedora para o Cone Sul da América Latina, Paulo Bernardocki, explicou que para o 6G ser bem-sucedido, a quinta geração precisa de uma base robusta, como aconteceu na migração do 4G para o 5G. Mas isso não está acontecendo atualmente. A principal preocupação da fornecedora é a lentidão na adoção do 5G standalone ( SA ). Importante lembrar, o 5G tem três padrões: Dynamic Spectrum Sharing ( DSS ) – usado no começo como uma primeira experimentação do 5G, mas sua base era no LTE; 5G non-standalone ( NSA ) – o mais usado hoje, um padrão que entrega as altas taxas de velocidade de acesso (Gbps), mas não oferece a pluralidade do 5G; 5G SA – o mais avançado, traz a velocidade e todas as capacidades tecnológicas da quinta geração. Uma vez adotado, o padrão standalone pode habilitar network slicing, antenas com Massive MIMO e consistência de menor latência e maior taxa de uplink (envio de dados) em novas tecnologias e dispositivos, como smartphones dobráveis, smartphones USRP (com tráfego dedicado para aplicações via network slicing), óculos em realidade estendida e aplicações com inteligência artificial. Entre o 5G e o 6G, o standalone Dispositivos e aplicações que devem puxar o crescimento até o 6G (divulgação) Mas como a adoção do SA está lenta, o horizonte apresenta desafios para as arquiteturas de redes, aplicações e devices que serão a base para o 6G. O primeiro desafio é o tráfego de rede que é 80% concentrado em downlink (download de dados) com vídeos e redes sociais. Porém, a evolução para esses novos form factors (que produzem muito conteúdo para o usuário na ponta) trarão estresse às redes das operadoras com um aumento de tráfego de uplink até cinco vezes do atual em 2031. Por isso, o diretor reforçou que é necessária a implementação do SA e do fatiamento de rede. Um exemplo bem-sucedido foi o caso do SoftBank na corrida de F1 no Japão. A operadora japonesa usou cinco slicings: usuários, realidade estendida, máquinas de pagamento; conexão em mmWave para usuários nas áreas VIPs; câmeras de vídeo. Atendendo a um total de 315 mil consumidores durante o fim de semana em 2025, a companhia registrou 41 vezes aumento de downlink e 14,6 vezes de incremento no uplink, ante o evento em 2024. SA no Brasil Caso de uso de network slicing do Softbank com a Ericsson (divulgação) Embora a adoção do 5G SA seja lenta globalmente – tanto que a previsão é de 6,4 bilhões de conexões 5G para 2031 –, apenas 3,9 bilhões serão SA, disse Bernardocki, ainda que o ritmo esteja ainda mais lento na América Latina. “Sabemos que a implementação do Standalone na América Latina, e em particular no Brasil, ainda vai bastante devagar. Esse é um ponto de atenção para os operadores para assegurar que o SA esteja implementado e a gente consiga usar toda a capacidade do 5G neste momento”, disse. Um primeiro movimento em prol da adoção do SA no Brasil é a utilização de frequências baixas que antes estavam em 4G e começam a migrar para o 5G. Bernardocki explicou que isso permite às telcos efetuarem a oferta exclusiva do fatiamento de rede com mais dinâmica. “Naturalmente, existe uma inércia hoje. Mas o que que vai acontecer? A operadora que se adiantar e começar a trazer esses serviços mais rapidamente, leva uma vantagem comercial. Então, essa corrida para a migração do Standalone começa agora. Os ingredientes estão prontos. Agora é o momento de ver esse crescimento com o SA. Temos tudo aquilo que é necessário para fazer o network slicing de uma maneira adequada”, afirmou, ao lembrar que antes vimos testes, mas pouco avanço comercial. Com a parte técnica resolvida, o diretor da Ericsson afirmou que as operadoras devem começar a testar e explorar as capacidades das redes, em especial pelos ciclos de produção estarem cada vez mais curtos: “Historicamente, as redes de telecom foram construídas para serem indestrutíveis. Então, acho que é a hora é agora de o pessoal experimentar um pouco”, disse. Para Bernardocki, o setor como um todo precisa ser mais ágil no lançamento de produtos na transformação organizacional.