Nem tudo são flores: tropeço mostra a Ancelotti pressão de treinar o Brasil
14 Jun, 2026
Resumo Foram meses de muita cordialidade e bom humor envolvendo imprensa, torcida brasileira e Carlo Ancelotti no comando da seleção. Ao longo de pouco mais de um ano no cargo, o italiano foi se tornando um grande ícone da esperança de um Brasil que há 24 anos não retoma seu lugar como potência do futebol mundial. Assumindo o time após um ciclo parcial tumultuado, Ancelotti navegou o caminho até a Copa do Mundo livre de grandes pressões - até ontem. O Brasil fez um primeiro tempo assustador, voltou a ter problemas cada vez mais recorrentes e empatou com o Marrocos na estreia no Mundial em Nova Jersey. Um tropeço. Na entrevista coletiva pós-jogo, um clima inédito na era Ancelotti. O italiano estava irritado, e foi lacônico em respostas sobre o desempenho do time. "Eu não estou aqui para falar de um jogador individualmente. Falo da equipe. Na primeira parte não jogou bem. No segundo tempo, melhorou", disse, perguntado sobre por que não utilizou Endrick. A irritação tinha também motivos extra-jogo - ele se incomodou ao ter que responder, em pé, a uma série de entrevistas antes prévias a detentores de direitos de transmissão, e chegou a reclamar ainda com a Fifa. Era, entretanto, só um componente. Pela primeira vez, Ancelotti está no centro das críticas e da pressão pelo desempenho abaixo do esperado da sua seleção brasileira. O meio de campo formado por Casemiro e Bruno Guimarães voltou a não funcionar - o Brasil já tinha tido menos volume de jogo do que o Panamá no amistoso do dia 31 de maio. Dessa vez, foi sufocado pelo Marrocos, mesmo com mais um jogador, Lucas Paquetá. Ancelotti segue sem dar oportunidade a Danilo Santos, do Botafogo, entre os titulares. No ataque, voltou a escalar Igor Thiago, mesmo depois de o centroavante ter perdido oportunidades no amistoso diante do Egito, dia 6, em Cleveland. Ele voltou a decepcionar diante do Marrocos. Decisivo na data Fifa de março e nos dois amistosos preparatórios, Endrick ficou 90 minutos no banco de reservas. "Temos que fazer a avaliação da primeira parte, a equipe não jogou bem, alguns problemas de equilíbrio de equipe. Falta demais, muitas bolas perdidas, e aí temos que melhorar nesse aspecto. Fomos melhores no segundo tempo e não podemos perder a confiança. Não podemos pensar que o time está perfeito no primeiro jogo. Tomamos esse resultado, que não é ruim, e vamos lutar no próximo jogo. A Copa do Mundo não se ganha no primeiro jogo", disse Ancelotti, quando questionado sobre as escolhas. É possível vencer uma Copa depois de uma estreia abaixo do esperado, mas Ancelotti está agora no centro das pressões. O Brasil chegou à Copa do Mundo sem encontrar o time ideal, e traz consigo problemas que já tinham sido identificados antes do torneio começar, mas parecem longe de serem resolvidos. Caberá ao comandante usar a sua experiência como um dos treinadores mais vencedores da história do futebol para resolver esses problemas antes que seja tarde. Trocar os pneus com o carro andando. Na seleção que venceu seis Copas e hoje luta para não amargar o maior jejum da sua história, o carro já está em alta velocidade, e só vai acelerar mais. Se não encontrar respostas, Ancelotti certamente vai encontrar pressão - e ela pode estar entre as maiores que ele vivenciou na sua vitoriosa carreira. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.