Mercado de aeronaves consegue contornar as turbulências comerciais
26 May, 2026
Mercado de aeronaves consegue contornar as turbulências comerciais Apesar de ter pago US$ 80 milhões em taxas a partir de abril de 2025, a Embraer fechou o ano ultrapassando metas de entregas aos EUA Em março, o segmento de aeronaves e equipamentos relacionados liderou a exportação de produtos brasileiros para os Estados Unidos, alcançando 12,1% do total de vendas ao somar US$ 351,6 milhões. Nos quatro primeiros meses do ano, as vendas ao país totalizaram US$ 768,3 milhões (ganho de 23,6% na comparação com o mesmo período de 2025). A fabricação de aeronaves para exportação é concentrada na Embraer, que tem 85% de sua produção voltada à aviação civil. Em 2025, foram entregues 244 aeronaves - um aumento de 18,4% em relação a 2024 - e os Estados Unidos seguem como seu grande consumidor. A empresa se tornou primordial para a malha aérea regional americana, principalmente com os jatos E-175, que dominam 88% desse mercado. Assim, apesar de ter pago US$ 80 milhões em taxas a partir de abril de 2025, a Embraer fechou o ano ultrapassando meta de entregas e batendo recorde na carteira de pedidos. Com a negociação do governo brasileiro e sob pressão das próprias empresas americanas voltadas à aviação regional, o governo Trump retirou a taxação de 10% em fevereiro último. Juliano Cortinhas, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília e professor visitante da Universidade da Virgínia, destaca que a Embraer e seus aviões de médio porte, com design aerodinâmico eficiente para o consumo de combustível, são fundamentais para esse nicho de mercado. Assim, diante do prejuízo com a imposição de barreiras, “o dinheiro falou na orelha do Trump”. A Embraer ganha mais impulso com o E195-E2, com eficiência ainda maior (29% menos consumo de combustível por assento, com total de 146), além da abertura de mercados pela capacidade de decolar em pistas curtas. Em setembro do ano passado, a Avelo se adiantou na encomenda de 50 desses jatos (por US$ 4,4 bilhões e previsão de entrega para o primeiro semestre de 2027), com direito de compra para mais 50. A carteira de pedidos do primeiro trimestre deste ano, divulgada pela Embraer em 27 de abril, somou US$ 32,1 bilhões, com crescimento de 22% em relação ao mesmo período de 2025. O recorde foi puxado pela aviação comercial, com US$ 15 bilhões e aumento de 50% nas vendas, principalmente para a Europa. Dos Estados Unidos, ainda em junho passado, a Embraer recebeu pedido de compra de 60 aeronaves (por US$ 3,6 bilhões), com entrega a partir de 2027, e direito para mais 50, por parte da SkyWest. Em setembro a Embraer assinou acordo com a SNC (Sierra Nevada Company), para a venda de um A-29 Super Tucano, conceituado para treinamento de pilotos. Juliano Cortinhas observa que nesse setor militar os americanos compram pouca coisa, mas são estratégicos e “bons em proibir”. Parte importante das aeronaves da Embraer vem dos Estados Unidos, que não querem concorrentes desenvolvendo aeronaves no padrão Otan, por exemplo, para ponto de venda. Daí a tecnologia protegida. No fim de março, ainda foram anunciadas negociações para venda do cargueiro militar KC-390. José Luis Gordon, diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comercio exterior do BNDES, destaca como estratégica a retomada dos financiamentos para exportação e também inovação, além da expansão industrial. “Para a Embraer, de 2023 até abril deste ano, foram R$ 27,13 bilhões para exportação, ou 108% a mais que nos quatro anos anteriores ao governo Lula. Para inovação e expansão fabril, mais R$ 1,95 bilhão.” Perspectivas a médio e longo prazos, diz, estão ligadas ao “grande debate no setor aeronáutico: como descarbonizar o setor, como usar combustível mais sustentável de aviação, como diminuir o peso do avião para gastar menos querosene”. Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas