Centros de treinamento de robôs humanoides se multiplicam na China

admin
28 Apr, 2026
247 - Em uma instalação de treinamento no distrito de Shijingshan, em Pequim, operadores submetem robôs humanoides a um exercício simples, porém altamente repetitivo: pegar uma chave, alinhá-la com uma fechadura, inseri-la e girá-la. Em todo o país, centros semelhantes estão surgindo rapidamente em cidades como Xangai e na província de Shandong, no leste chinês, evidenciando a expansão acelerada da infraestrutura dedicada ao desenvolvimento desses sistemas. A reportagem é do Diário do Povo. Com mais de 10 mil metros quadrados, a instalação reproduz ambientes do mundo real, como lojas de varejo e centros logísticos. Nesses espaços, os robôs são treinados para executar tarefas como dobrar roupas, separar encomendas, escanear códigos de barras e operar fechaduras. O maior centro de treinamento de robôs humanoides da China está localizado em Shijingshan, onde 100 unidades iniciaram suas atividades em outubro de 2025. Em um dos cenários simulados, voltado à logística, o robô precisa pegar um pacote, girá-lo para posicionar corretamente o código de barras diante de um scanner, alisar sua superfície após a leitura e, em seguida, colocá-lo em outra esteira — replicando com precisão o fluxo de trabalho de um armazém real. O processo de aprendizado desses robôs baseia-se em um ciclo contínuo de coleta de dados, processamento e treinamento de modelos de inteligência artificial. No centro, operadores orientam os robôs por meio de teleoperação e demonstrações práticas, enquanto registram dados brutos de movimento. Esse material é transformado em dados de treinamento, utilizados para aprimorar os modelos de IA, que depois são reimplantados nos próprios robôs. Cada robô pode gerar cerca de quatro horas diárias de dados de treinamento. Com um intervalo de amostragem de dois minutos, 100 robôs conseguem realizar ao menos 12 mil tarefas de coleta por dia, segundo Wang Song, diretor técnico da Leju Robotics. Durante a Reunião Anual de Padronização de Robôs Humanoides e Inteligência Incorporada de 2026, Wang Xingxing, fundador da Unitree Robotics, explicou que o aprendizado por imitação — baseado em dados reais de demonstrações humanas — permite que os robôs adquiram gradualmente uma ampla gama de movimentos semelhantes aos humanos. Huang Tiejun, presidente da Beijing Academy of Artificial Intelligence e professor da Universidade de Pequim, destacou que o desenvolvimento sistemático de ambientes de treinamento para inteligência incorporada foi incluído no 15o Plano Quinquenal (2026-2030). Segundo ele, essa diretriz será essencial para enfrentar os desafios relacionados à disponibilidade e qualidade de dados. Na avaliação do especialista, apenas por meio de treinamento e testes em condições reais será possível levar a inteligência incorporada além dos limites do laboratório. Zhao Xiaoguang, pesquisador do Instituto de Automação da Academia Chinesa de Ciências, descreveu essas instalações como “escolas de treinamento em serviço” para robôs. Nelas, os sistemas começam executando tarefas simples e evoluem progressivamente para atividades mais complexas. De acordo com dados da plataforma Tianyancha, a China já conta com mais de 1,08 milhão de empresas ligadas à robótica em operação. Nos últimos cinco anos, o número de novos registros cresceu de forma consistente, atingindo o pico em 2025. Impulsionado por forte apoio de políticas públicas em níveis nacional e local, o setor segue em expansão acelerada, ao mesmo tempo em que registra avanços tecnológicos significativos. Recentemente, a primeira linha de produção em massa de robôs humanoides do país, com capacidade anual de 10 mil unidades, entrou em operação na província de Guangdong, no sul da China, marcando um passo decisivo na industrialização em larga escala dessa tecnologia.