Tecnologia contra o câncer: o futuro já começou, mas para quem?
27 Apr, 2026
Imagem de Drazen Zigic no Freepik A medicina vive uma nova era no combate ao câncer . Inteligência artificial, terapias-alvo, cirurgias robóticas e exames cada vez mais precisos estão transformando o diagnóstico e o tratamento da doença, oferecendo mais chances de cura e melhor qualidade de vida aos pacientes. Em um país que deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano, até 2028 , segundo a última estimativa do Instituto Nacional do Câncer ( Inca ), esses avanços são essenciais. Mas uma pergunta permanece: quem realmente consegue acessar essa revolução? As novas tecnologias Com o passar dos anos, novas tecnologias são incorporadas à rotina de tratamento oncológico e algumas merecem destaque. Quando falamos sobre o diagnóstico assertivo, por exemplo, o Espírito Santo conta com uma das ferramentas mais modernas da atualidade: o PET-CT . Segundo a oncologista Virgínia Altoé, do Hospital Santa Rita, a máquina permite uma análise metabólica completa do paciente. O PET scan disponível no Santa Rita é uma das máquinas mais sofisticadas do país. Ele não mostra apenas onde está o tumor, mas também como ele se comporta metabolicamente. Virgínia Altoé, oncologista do Hospital Santa Rita PET-CT disponível no Hospital Santa Rita. Imagem: Aline Gomes/Folha Vitória Já Camila Cezana, também oncologista da instituição, destaca a evolução da biologia molecular e da terapia-alvo. “Hoje, a oncologia evoluiu muito com a biologia molecular, que permite tratar aquele tumor de forma direcionada ”, afirmou. “Enquanto a terapia-alvo permite tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais, porque atua exatamente onde o problema está.” No quesito cirúrgico, as intervenções robóticas também chamam atenção. Segundo a cirurgiã oncologista Ana Luiza Cardona, essa é uma tecnologia que veio para ficar. “Ainda é uma tecnologia cara, mas queremos trabalhar para oferecê-la cada vez mais para os nossos pacientes” , afirmou a cirurgiã oncologista do Hospital Santa Rita. Desigualdade no acesso ainda é um desafio Apesar dos avanços técnicos, o cenário oncológico ainda enfrenta um grande desafio: a desigualdade no acesso e no tratamento. Ana Luiza Cardona, destaca que essa diferença faz com que casos de câncer ainda sejam descobertos em estágios avançados e taxas de óbitos ainda sejam elevadas. No Brasil, infelizmente, ainda temos dificuldade de acesso aos exames de rastreamento. Por exemplo, uma mulher que deveria fazer um preventivo aos seus 25 anos, vai chegar para mim com câncer de colo uterino avançado, sem nunca ter feito um preventivo na vida. Ana Luiza Cardona, cirurgiã oncologista do Hospital Santa Rita A última estimativa publicada Inca corrobora essa afirmação. O câncer do colo do útero , por exemplo, é a segunda neoplasia mais comum nas regiões Norte e Nordeste, apesar de ser considerada uma das mais preveníveis, com a vacinação contra o HPV, e de detecção precoce, com o rastreamento e o tratamento lesões precursoras. Quanto ao tempo para acesso ao diagnóstico e tratamento, também há diferenças significativas. De acordo com um levantamento do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), a média brasileira para acesso ao diagnóstico é de 50 dias e para o tratamento é de 70. Entretanto, nas regiões Norte e Nordeste, pode chegar a 150 dias de espera. Vale destacar que a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC) prevê os prazos de até 30 dias para os exames e 60 dias para o início do tratamento. No Espírito Santo, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em relação ao tempo de espera para diagnóstico e tratamento, os prazos variam conforme o tipo de câncer, gravidade clínica, necessidade de exames complementares, regulação assistencial e disponibilidade de agenda na rede. “O tratamento oncológico segue a legislação vigente, especialmente a Lei Federal no 12.732/2012, que estabelece o início do primeiro tratamento no SUS em até 60 dias após o diagnóstico confirmado, salvo necessidade clínica devidamente justificada” , afirmou a pasta, em nota. Fortalecer atenção básica e distribuir casos é fundamental Para Ana Luiza Cardona, garantir o acesso ao tratamento oncológico passa pela atenção básica. “Fortalecer a atenção básica é fundamental, porque, muitas vezes, é nessa ponte que o paciente se perde” Já Virgínia Altoé acrescenta que a distribuição eficaz de recursos também precisa ser um foco de atuação na saúde pública. Precisamos pensar na questão da equidade, pois há pessoas que podem esperar e outras nem tanto. Talvez seja nisso que precisamos pensar daqui para frente: na distribuição inteligente dos recursos. Virgínia Altoé, oncologista do Hospital Santa Rita Congresso em Vitória vai debater fortalecimento da oncologia Nos dias 14 e 15 de maio acontecerá o 4o Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita reunindo especialistas e profissionais da saúde para discutir avanços, desafios e estratégias no cuidado oncológico. A programação inclui palestras, simpósios, mesas-redondas e sessões científicas. O objetivo é criar um ambiente de troca de experiências entre profissionais da oncologia, pesquisadores e gestores da área da saúde. Serviço 4o Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita Data: 14 e 15 de maio Local: Centro de Convenções de Vitória Inscrições: online, pelo site