Como a China está fazendo o carro familiar do brasileiro evoluir
27 Apr, 2026
É comum as pessoas que têm família grande desejarem carros como a minivan Kia Carnival - e, no passado, a Chrysler Grand Caravan, ou Town & Country. Só que o preço desses modelos também sempre foi muito alto. Para se ter ideia, atualmente o produto da marca sul-coreana custa quase R$ 700 mil, valor semelhante a de SUVs de luxo como BMW X5 e Volvo XC90. Mas os chineses estão virando o jogo, e permitindo aos brasileiros mais acesso a carros com conceitos semelhantes aos da minivan da Kia. Não dá para dizer, por enquanto, que existe uma popularização do carro familiar grande e confortável. Porém, com preços mais acessíveis e conceitos mais versáteis que o bom e velho sete lugares com terceira fileira retrátil, os carros chineses familiares estão ganhando espaço no Brasil. Por ora, ainda são oferecidos como opções premium nas gamas de sua marca. Mas produtos mais acessíveis estão a caminho. Nesse grupo, o destaque é o próximo carro da Leapmotor confirmado para o Brasil. Trata-se do C16, que chega em 2027 e é a versão de seis lugares do C10, já disponível no País. A expectativa é que este modelo fique abaixo dos R$ 300 mil. Há duas versões. A elétrica tem 292 cv e a híbrida (que utiliza conceito de autonomia estendida), 231 cv. O SUV traz dois bancos individuais na segunda fileira e um interiço, para duas pessoas, na terceira. Este é um conceito muito comum na China (leia mais abaixo). Com mais de 4,90 metros de comprimento, tem porte de utilitários-esportivos grandes - como XC90 e Q7 -, mas com teto mais alto e mais conforto e espaço para os passageiros. Está em estudo também o mais novo produto da Leapmotor na China, o D19. Também SUV - diferentemente da Carnival, que é minivan -, o modelo é mais sofisticado, no estilo do GWM Wey 07 - que custa R$ 424 mil. Também com versões híbrida e elétrica, traz coisas como tela de 24" atrás e geladeira com acionamento elétrico e função de aquecimento. O mais legal é o banco com o conceito gravidade zero na segunda fileira. Já vimos esse tipo de solução no Wey 07, mas na primeira fila. Essa tecnologia transforma o banco em uma classe executiva, com encosto reclinado e apoio para os pés. Há ainda coisas como massagem nos bancos traseiros e zonas individuais de ar-condicionado. Assim, esse tipo de produto traz conforto e conveniência muito superiores aos dos convencionais sete-lugares - segmento que, aliás, também tem novos representantes chineses, a exemplo do GWM Haval H9 e do BYD Atto 8. Estilo de vida chinês para família brasileira Os carros com mais comodidade para passageiro traseiro são prioridade na China. E como é cada vez maior o número de marcas desses país no Brasil, isso se reflete agora também no mercado nacional. O consumidor chinês sempre valorizou mais o banco de trás que o da frente. Tanto que, desde que o mercado do país começou a despontar para se tornar o maior do mundo - no ano passado, foram vendidos por lá 35 milhões de carros, quase 20 milhões a mais que o segundo colocado, EUA -, as montadoras preparam para a China versões exclusivas. O que elas têm de diferente? Entre-eixos mais longo, para ampliar o espaço traseiro. Ainda hoje, essas configurações, chamadas de "L", continuam sendo produzidas. No Salão de Pequim, que termina em 3 de maio, estão expostas versões de entre-eixos longo dos Audi A5 e A6, por exemplo. Até pouco tempo, aliás, mesmo a classe média chinesa preferia contratar motoristas para conduzir seus carros. Atualmente, com o aumento do custo de vida, esse hábito já não é tão comum. A tradição de valorizar o banco de trás do automóvel, porém, foi mantida. E, para as marcas chinesas, passou a ser muito mais que entre-eixos longo. No universo competitivo dessas montadoras, o ambiente precisa ter espaço, conforto, comodidade e até diversão, por meio do sistema de entretenimento. Carros com esses conceitos estão por toda a parte na China - inclusive no Didi, serviço do país semelhante ao Uber. Aliás, é esse culto ao banco de trás que leva a uma característica do carro chinês que causa estranhamento no brasileiro: a suspensão com amortecedor mole demais. Além de o consumidor da China valorizar muito mais o conforto gerado por essa solução que o prazer ao volante, as estradas do país são muito bem pavimentadas e têm poucas curvas. Um ajuste mais firme de suspensão não é considerado necessário, e também não é desejado pelo público da China. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.