Remo traça estratégia para diminuir 16 mil km em voos e ganhar 20 treinos
25 Apr, 2026
Único representante da região Norte na competição, o Remo decidiu tratar a logística como parte central de sua estratégia esportiva em 2026. Diante de um cenário em que 85% dos clubes estão concentrados no eixo Sul Sudeste, o time paraense teria o maior desgaste de deslocamento do torneio, com previsão de 92.963 km percorridos em linha reta ao longo da temporada. O equivalente a quase duas voltas ao redor da Terra. Para minimizar esse impacto, o clube estruturou um plano que reduz em cerca de 16 mil km as viagens, economiza mais de 100 horas em aeroportos e voos comerciais e ainda amplia o tempo de preparação da equipe. A solução encontrada foi investir em voos fretados com contrato fixo ao longo do ano. Segundo o executivo de futebol Luis Vagner, a decisão nasceu da experiência prática com os problemas recorrentes enfrentados pelo elenco em temporadas anteriores. "A gente fez um contrato permanente para esse ano, encaixa com o Brasileiro. Foi com a Sideral. Eles deixam um avião locado aqui em Belém e a gente tem um contrato mínimo, uma garantia para mostrar a importância", afirmou. O dirigente relembra episódios que evidenciam o impacto negativo da logística tradicional. "Quando eu cheguei ao clube, encontrei a equipe em Salvador. O time já chegou lá desgastado. Eles foram na véspera do jogo, em voo comercial, saíram de Belém, foram a São Paulo, a saída atrasou, perderam a conexão e chegaram tarde no hotel. O descanso não foi ideal", contou. Para ele, esse tipo de situação é mais regra do que exceção quando se depende da malha aérea convencional. "A logística é muito complexa. Qualquer local que tem para jogar. Até existem voos diretos para alguns destinos, mas com horários muito complicados." Com o novo modelo, o Remo não apenas reduz distâncias, mas transforma tempo de deslocamento em ganho esportivo. A estimativa interna é de até 20 sessões adicionais de treino e recuperação ao longo da temporada. "Baixou aí uns 16 mil km, são 100 horas de voo, espera, aeroporto, conexões. Isso nos gera mais qualidade de treino. Entre 18 a 20 sessões a mais de treino e recuperação que estaremos no CT ou no hotel, e não cansando", explicou Luis Vagner. A mudança também impacta diretamente a rotina dos atletas. Em vez de se adaptar aos horários limitados das companhias comerciais, o clube passa a controlar sua própria programação. "Uma grande diferença é fazer o planejamento ideal e encaixar o horário dentro. Quando é voo comercial, você tem que se adaptar. Às vezes não treina, às vezes não come, às vezes não se recupera", disse o executivo. Outro ponto relevante é o conforto e a recuperação durante as viagens. Com o fretamento, os jogadores passam a ter mais espaço e condições adequadas dentro da aeronave, inclusive com possibilidade de tratamento fisioterápico a bordo. Além disso, há redução de riscos operacionais, como atrasos, perda de conexões e até divisão do elenco em voos diferentes, situação comum quando há dificuldade de acomodar grupos grandes em voos comerciais. "Os jogos estão saindo cada vez mais em cima. Nem sempre é fácil colocar 40, 45 pessoas no mesmo voo comercial. Às vezes tem que dividir, isso gera problema, pode gerar perda de foco. Com o fretado, a gente volta, recupera e libera. Hoje você pode até fazer fisioterapia no avião", destacou. Apesar dos benefícios, a estratégia exige investimento significativo. Luis Vagner admite que o custo adicional equivale a um salário mensal do elenco. Ainda assim, o clube entende que o retorno esportivo e operacional compensa. "Tem um investimento maior. Mas já se gasta de qualquer maneira com viagens. A gente teve que investir um salário no elenco mensalmente para ter o voo fretado. É uma questão mental, de várias coisas que influenciam", afirmou. Ao transformar logística em vantagem competitiva, o Remo busca equilibrar uma desvantagem geográfica histórica. Em um campeonato cada vez mais exigente e com calendário apertado, ganhar tempo de treino, reduzir desgaste e melhorar a recuperação pode ser decisivo. Para o clube paraense, a conta é clara: menos quilômetros no ar, mais rendimento dentro de campo. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.