Varejo físico recuou 0,7%, mesmo com retomada pós-Carnaval

admin
16 Apr, 2026
O varejo físico brasileiro apresentou retração de -0,7% no número de visitantes em março de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo o Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV Seed), estudo divulgado mensalmente pela Seed Digital. O resultado indica uma retomada do fluxo após o Carnaval, mas ainda sem força suficiente para sustentar crescimento, evidenciando um consumidor mais seletivo e sensível ao cenário econômico. Baseado em dados de cerca de 58 milhões de visitantes mensais em milhares de lojas em todo o país, o índice mostra que março foi marcado por uma recomposição do calendário comercial e pela volta gradual da rotina de consumo. Datas como o Dia do Consumidor e o Dia Internacional da Mulher ajudaram a reativar a demanda, mas não foram suficientes para impulsionar o desempenho geral. A expectativa de uma recuperação mais robusta não se confirmou, mesmo com uma base comparativa favorável, já que, em 2025, o Carnaval ocorreu em março. Entre os fatores que pressionaram o consumo estão a manutenção da taxa de juros em patamar elevado, entre 14,75% e 15%, o aumento dos custos logísticos impulsionado pela alta dos combustíveis e a instabilidade internacional, além do cenário eleitoral no Brasil. O levantamento revela um cenário fragmentado no país. As regiões Norte (4,1%) e Sul (3,6%) lideraram o crescimento, impulsionadas por maior eficiência logística e pela antecipação das coleções de outono, que estimularam o consumo. Por outro lado, Centro-Oeste (-4,6%), Sudeste (-1,7%) e Nordeste (-0,7%) registraram queda. No Centro-Oeste, o recuo reflete a cautela associada à acomodação dos preços das commodities agrícolas, enquanto no Sudeste houve maior dispersão do consumo para canais digitais, impactando o varejo físico. O desempenho também variou entre os canais de lojas de rua e shoppings. Enquanto o varejo de rua apresentou alta volatilidade no trimestre – com crescimento em janeiro (7,3%), forte queda em fevereiro (-11,8%) e leve retração em março (-1,2%) -, os shoppings mantiveram trajetória mais estável, com crescimento de 2,3% no último mês. A resiliência dos centros de compras está associada ao ambiente controlado e ao perfil de consumo mais orientado à conveniência, o que contribui para maior conversão de visitas em vendas. O estudo aponta que o setor deve enfrentar um período desafiador ao longo de 2026, marcado pela convergência de fatores como a reforma tributária, a possível redução da jornada de trabalho, a Copa do Mundo e o ciclo eleitoral. “Esse conjunto de variáveis tende a aumentar a volatilidade do consumo e exigir maior capacidade de adaptação das empresas, com uso intensivo de dados, revisão de estratégias comerciais e ganho de eficiência operacional”, diz o estudo. Economistas alertam que alta indica começo de desaceleração no consumo Para Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo Multisport, “o dado mais recente de vendas no varejo brasileiro traz um sinal importante sobre o comportamento do consumo no país e ajuda a entender o momento da economia.” “O índice mostra uma variação mais moderada na comparação mensal, o que indica um ritmo de crescimento mais equilibrado após períodos de maior volatilidade. Ainda assim, no acumulado, o varejo segue sustentado por fatores estruturais, como a melhora gradual do mercado de trabalho, a digitalização do consumo e a diversificação dos canais de venda. Para o setor de bens de consumo, especialmente aqueles ligados a estilo de vida, esporte e bem-estar, esse cenário continua sendo relevante. O consumidor brasileiro não deixou de consumir, ele está mais seletivo, mais atento ao valor percebido e à experiência”, avalia. Já para Peterson Rizzo, Gerente de R.I da Multiplike, “nos primeiros dados de 2026, o desempenho do varejo mostra que o consumo segue avançando, mas de forma cautelosa. O crescimento está concentrado em itens essenciais, o que revela que a inflação ainda pressiona o orçamento das famílias.” “Juros elevados continuam freando compras de maior valor e o uso do crédito, limitando uma recuperação mais espalhada do comércio. Esse cenário indica que a política monetária segue cumprindo seu papel de conter a inflação, ainda que ao custo de uma atividade mais moderada. Além disso, as tensões no cenário internacional elevam a incerteza, afetam o câmbio e os custos, e acabam influenciando o comportamento do consumidor. Assim, o varejo começa o ano em terreno positivo, mas longe de um ciclo forte de expansão”, diz. O post Varejo físico recuou 0,7%, mesmo com retomada pós-Carnaval apareceu primeiro em Monitor Mercantil .