Profissionais 50+ ganham espaço em empregos de base
8 Apr, 2026
Profissionais 50+ ganham espaço em empregos de base Empresas ampliam contratação de trabalhadores mais experientes, reconhecendo benefícios como estabilidade, diversidade e colaboração nas equipes. O mercado de trabalho brasileiro vem passando por mudanças significativas nos últimos anos, e uma delas é a crescente valorização de profissionais com 50 anos ou mais em empregos de base. Empresas de diferentes setores têm ampliado a presença de trabalhadores mais experientes em suas equipes, reconhecendo vantagens como maior estabilidade, compromisso com as funções e contribuição para ambientes de trabalho mais diversos e colaborativos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados pela Forbes, mostram que profissionais acima de 50 anos representam 27% da força de trabalho no Brasil, número superior ao da Geração Z, que compõe 24%. Além disso, uma pesquisa da Fundação Instituto de Administração (FIA), compartilhada pelo portal Viva, revela que trabalhadores 50+ já ocupam 13% dos cargos de liderança no país, evidenciando o papel crescente dessa faixa etária em diferentes níveis organizacionais. Lucimara Costa, diretora de Recursos Humanos (RH) da Nexti, empresa especializada em soluções de RH, explica que a valorização dos profissionais 50+ está diretamente ligada a transformações estruturais. "De um lado, há um fator demográfico importante: a população está envelhecendo e permanecendo ativa por mais tempo, aumentando a presença dessa faixa etária nas empresas. Por outro lado, organizações têm enfrentado desafios crescentes na atração e retenção de profissionais mais jovens, especialmente em funções operacionais", avalia. "Esse movimento vem sendo observado no mercado, com empresas revisando seus critérios de contratação e ampliando o olhar para perfis mais experientes como forma de garantir maior estabilidade e continuidade nas operações", acrescenta. Segundo ela, há também uma mudança prática na dinâmica de trabalho. "Em alguns contextos, profissionais mais experientes têm demonstrado maior aderência a modelos presenciais e rotinas mais estruturadas, o que tem influenciado decisões de contratação em determinados setores", diz. Nesse cenário, os profissionais 50+ deixam de ser vistos apenas pela experiência acumulada e passam a ocupar um papel estratégico no mercado, ajudando empresas a lidar com desafios como rotatividade, consistência operacional e formação de equipes mais equilibradas. Apesar dos avanços, a executiva reconhece que ainda existem vieses relacionados à idade. "Sim, ainda existem preconceitos, especialmente ligados à adaptação tecnológica e à flexibilidade para mudanças. No entanto, esses fatores vêm sendo gradualmente desconstruídos, tanto por evidências de mercado quanto por iniciativas das próprias empresas", pontua. A presença de pessoas mais experientes em funções de base pode gerar impactos positivos para as empresas. De acordo com Costa, esses profissionais tendem a contribuir com maior estabilidade e comprometimento, o que é especialmente relevante em ambientes operacionais com alta demanda e rotatividade. "Além disso, trazem uma bagagem prática que favorece a execução consistente das atividades e pode acelerar o aprendizado de outros colaboradores. Em equipes multigeracionais, essa troca de experiências fortalece a colaboração e amplia a diversidade de perspectivas, impactando positivamente o desempenho coletivo", afirma. A diretora de RH também destaca como plataformas digitais podem apoiar processos seletivos mais inclusivos. "Soluções digitais tornam o recrutamento mais estruturado e orientado a dados, permitindo que as empresas avaliem candidatos com base em competências, histórico profissional e aderência à vaga", sintetiza. "Plataformas de recrutamento ajudam a organizar grandes volumes de candidaturas e facilitam a identificação de perfis qualificados, inclusive profissionais 50+. Isso amplia o alcance das empresas e contribui para processos mais inclusivos, eficientes e alinhados às necessidades operacionais", completa. Para ela, tornar os processos seletivos e ambientes de trabalho mais inclusivos exige revisão de práticas. "O primeiro passo é eliminar termos ou exigências que possam desestimular candidatos por idade. Também é importante promover uma cultura organizacional que valorize a diversidade etária, incentivando a integração entre diferentes gerações e oferecendo suporte adequado no onboarding e no desenvolvimento contínuo", detalha. Costa recomenda que empresas que ainda não exploram esse potencial revisem seus critérios de contratação e testem a estratégia na prática. "Muitas vezes, a exclusão de profissionais 50+ acontece de forma não intencional, por meio de filtros ou padrões já estabelecidos", reitera. "É importante acompanhar indicadores como retenção, desempenho e clima organizacional. Na maioria dos casos, os resultados mostram ganhos relevantes em estabilidade e engajamento. Investir em processos mais ágeis e estruturados, apoiados por tecnologia, pode facilitar a atração e a integração desses profissionais, tornando a estratégia mais eficiente e sustentável no longo prazo", conclui a executiva. Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas