Neymar diz que juiz “acordou meio de chico” e a turba não perdoa

admin
4 Apr, 2026
Não acreditei no que meus olhos viam, mas era real. Isto é, tanto quanto um escândalo nas redes sociais pode ser real. Em plena Sexta-Feira Santa, o jogador Neymar, o eterno Menino Ney, estava sendo massacrado. O pecado dele? Ter usado uma expressão popular ao reclamar do mau humor do árbitro. Ele disse que “[o juiz] acordou meio de chico e veio pro jogo”. Oooooh! ENTRE PARA A MINHA COMUNIDADE NO WHATSAPP! [https://sndflw.com/i/BGCLFclD6FuMggrDeeYS] Teve mulher chorando. Teve “homem” se descabelando. Subindo nas tamancas, se é que ainda me é permitido dizer isso. Sem nenhuma certeza, inventaram que “estar de chico” vem de “chiqueiro”. Depois de um duplo twist carpado lógico, concluíram que isso é o mesmo que chamar todas as mulheres de porcas. E não vou me espantar se daqui a pouco aparecer alguém pedindo a prisão de Neymar. Histeria (ops) Em meio à histeria coletiva, me espantou que alguém cravasse a origem da expressão e optasse por aquela que é politicamente mais conveniente. Essa aí do chico/chiqueiro/sujeira. Pode até ser, mas pode não ser. Há quem diga que a expressão surgiu na literatura de cordel e fazia referência às cheias sazonais do rio São Francisco, cujas águas enlameadas pintam o sertão de um vermelho-ocre. Caramba! Tão melhor, mais bonita e mais poética. O que me leva a concluir que a ofensa, nesse e em tantos casos parecidos, é uma questão de escolha. De múltiplas escolhas, aliás. Primeiro, escolhe-se o bode-expiatório. O criminoso. A dedo. Depois se amplia para além do razoável a dor causada pela “ofensa”. Neste ponto, evocam-se justificativas e teorias convenientes. São os pregos da cruz. Aí é só vestir a camisa de virtuoso, de esclarecido (ops), de woke. E partir para o abraço.