BRB pede ao STF que eventual acordo de delação no caso Master reserve recursos para ressarcir o banco

admin
3 Apr, 2026
BRB pede ao STF que eventual acordo de delação no caso Master reserve recursos para ressarcir o banco O banco pretende, com isso, garantir o bloqueio de eventuais bens recuperados para garantir seu ressarcimento no caso O Banco de Brasília (BRB) apresentou um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que um eventual acordo de colaboração premiada ligado ao Banco Master reserve valores para indenizar o banco por prejuízos sofridos na operação que envolveu a tentativa de aquisição do banco de Daniel Vorcaro pela instituição, que é controlada pelo governo do Distrito Federal. O banco pretende, com isso, garantir o bloqueio de eventuais bens recuperados para garantir seu ressarcimento no caso. Com o documento apresentado ao Supremo, o BRB tenta garantir seu lugar como um dos principais prejudicados pelo esquema, já que teve seu patrimônio exposto na tentativa de aquisição do Master. Em comunicado enviado ao mercado nesta quinta-feira, o BRB afirmou que a medida tem como objetivo realizar uma reserva de bens e ativos que venham a ser identificados, recuperados, bloqueados, repatriados ou ofertados no contexto das investigação em curso e também no âmbito de acordos de colaboração premiada. Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, está negociando um acordo de delação premiada com os investigadores. Ele foi acusado de praticar uma série de fraude para inflar os ativos do Banco Master e repassar notas de crédito podres para o Banco de Brasília durante a tentativa de aquisição do Master pelo BRB. O BRB esclareceu que a iniciativa, por enquanto, tem natureza preventiva e cautelar, já que não há definição quanto à existência de valores a serem recuperados. "O BRB manterá seus acionistas e o mercado devidamente informados acerca de quaisquer desdobramentos relevantes relacionados ao tema, nos termos da regulamentação aplicável", afirmou o banco no documento. A legislação prevê que eventuais valores recuperados após investigação sobre ilícitos devem levar em conta a prioridade de reparação para as partes lesadas. O BRB tenta encontrar uma saída financeira para cobrir o rombo deixado com as transações com o Master. Ao desfazer a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito, suspeitas de fraude, o BRB herdou diversos ativos do Master, cujo lastro também é duvidoso. Pelas contas do BC no fim do ano passado, era estimado um buraco de ao menos R$ 5 bilhões. Já o presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou em fevereiro que o banco estimava uma necessidade de reserva de recursos para fazer frente a possíveis perdas de R$ 8,8 bilhões e um aporte do controlador, o governo do DF, de R$ 6,6 bilhões. Até o momento, não está claro, contudo, como será feita essa capitalização. O governo do DF aprovou a alienação prévia de nove imóveis públicos para contribuir com a solução, que têm valor total preliminarmente estimado em R$ 6,6 bilhões. Nesta semana, o BRB decidiu afastar dos cargos dirigentes que se envolveram de alguma forma na tentativa de compra do Master. Segundo a colunista de O Globo Malu Gaspar, 30 dirigentes devem ser responsabilizados pela compra das carteiras fraudulentas de Daniel Vorcaro, que causaram um rombo de R$ 12 bilhões no banco. Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas