Ministério Público aciona Receita e pede investigação fiscal contra o Corinthians; saiba detalhes

admin
2 Apr, 2026
Ministério Público aciona Receita e pede investigação fiscal contra o Corinthians; saiba detalhes O Ministério Público de São Paulo apresentou, nesta quarta-feira, uma representação à Receita Federal do Brasil solicitando a abertura de investigação fiscal contra o Corinthians por indícios de irregularidades no clube. A informação foi divulgada inicialmente pelo portal UOL e confirmada pelo Meu Timão. O documento, ao qual o portal também teve acesso, é assinado pelo promotor Cassio Roberto Conserino e aponta indícios considerados graves de irregularidades financeiras no clube. Entre os principais pontos levantados, está a suspeita de uso da entidade para apropriação indevida de recursos e enriquecimento sem causa, em desacordo com o estatuto social alvinegro. De acordo com a apuração do MP-SP, os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves teriam recebido valores por meio de cartões corporativos para despesas pessoais, somando aproximadamente R$ 480 mil e R$ 41 mil, respectivamente. O estatuto do clube proíbe remunerar dirigentes, o que, em tese, configuraria irregularidade. Outro ponto destacado envolve saques elevados em dinheiro vivo realizados por funcionários ligados à gestão. Segundo o documento, o ex-chefe de segurança João Odair de Souza teria recebido mais de R$ 3,4 milhões — valor que pode chegar a R$ 7,3 milhões corrigidos —, enquanto o motorista Denílson Grilo movimentou cerca de R$ 1,4 milhão. A defesa de Andrés Sanchez argumenta ao UOL que os valores foram utilizados em despesas operacionais, como segurança, alimentação e combustível. Diante dos indícios apontados, o Ministério Público solicita que a Receita Federal adote medidas mais rígidas em relação ao Corinthians. Entre elas, está a possível perda da isenção tributária de impostos como IRPJ e CSLL, além da cobrança de Imposto de Renda Retido na Fonte, com alíquota de 35% sobre valores considerados sem comprovação. O órgão também requer a aplicação de multa qualificada de 150%, sob a justificativa de dolo e fraude. Na prática, o pedido implica que o clube passe a ser tratado com maior rigor fiscal. Isso inclui a possibilidade de deixar de ser enquadrado como entidade sem fins lucrativos, passando a arcar com tributos como uma empresa comum, o que elevaria significativamente seus custos. Caso as irregularidades sejam confirmadas, o impacto financeiro tende a ser elevado, com a combinação de novos impostos, cobranças retroativas e sanções severas. No campo da governança, a promotoria aponta falhas na fiscalização interna, citando omissão de dirigentes responsáveis pelo controle financeiro. Também são mencionadas ausências de atas do Conselho Fiscal e de documentos contábeis considerados essenciais. Por outro lado, o ex-diretor financeiro durante a gestão de Andrés, Matias Ávila, declarou ao UOL que todas as contas foram devidamente registradas e aprovadas internamente. O cenário jurídico do Corinthians se torna ainda mais delicado diante de pedidos de intervenção judicial que já tramitam na Justiça paulista. O Ministério Público também menciona auditorias conduzidas por empresas como Alvarez & Marsal e Ernst & Young, cujos relatórios foram requisitados no curso das investigações, diante de indícios de irregularidades com possíveis impactos fiscais.