Efeito Betinho?! Procura pelo Pico Paraná mais do que dobra em 2026
31 Mar, 2026
O Pico Paraná (PP) está em evidência. Depois do resgate do jovem Roberto Farias Thomaz, o Betinho, que desapareceu na virada do ano após fazer a trilha com uma amiga, a maior montanha da região Sul do Brasil ganhou holofotes inéditos, tornando-se conhecida em todo o Brasil. E essa fama repentina tem se traduzido numa visitação mais intensa ao PP, um cenário que inclusive tem causado preocupação ao Instituto Água e Terra (IAT), responsável por administrar o Parque Estadual Pico Paraná (PEPP), que fica entre os municípios de Antonina e Campina Grande do Sul. Bem Paraná sobe a maior montanha da região Sul do Brasil, o Pico Paraná; saiba como foi a experiência Conquista da maior montanha da região Sul, o Pico Paraná, completa 84 anos De acordo com dados levantados pelo IAT a pedido do Bem Paraná, nos dois primeiros meses de 2026 um total de 1.638 pessoas fizeram cadastro obrigatório na base do IAT no PEPP e informaram que visitariam o Majestoso, como é carinhosamente conhecido o Pico Paraná. Para se ter uma dimensão do que isso representa, é como se, a cada dia, uma média de 28 pessoas tentassem subir o PP. Um ano antes, no entanto, essa procura não era tão intensa. Prova disso é que nos dois primeiros meses de 2025 um total de 730 pessoas esteve na montanha com 1.877 metros de altitude, com uma média de 12 visitações diárias. Ou seja, entre um e outro ano a procura pelo Pico Paraná mais do que dobrou, com uma alta de 124,4%. O Pico Paraná O Pico Paraná visto desde o A1, ponto de acampamento (Foto: Rodolfo Luis Kowalski) O Ibitirati visto desde o cume do Pico Paraná (Foto: Rodolfo Luis Kowalski) O cume do Pico Paraná. Ao fundo, o Ibitirati, cume próximo ao do PP (Foto: Rodolfo Luis Kowalski) Vista do cume do Pico Paraná (Foto: Rodolfo Luis Kowalski) O Maciço Ibiteruçu, onde fica o Pico Paraná: maior montanha de toda a região Sul (Foto: Rodolfo Luis Kowalski) Vista do cume do Pico Paraná (Foto: Franklin de Freitas) Vista do cume do Pico Paraná (Foto: Franklin de Freitas) Os fatores que ajudam a explicar o “fenômeno Pico Paraná” A bióloga Marina Gomes Rampim, que trabalha há quatro anos no IAT, é a chefe do Parque Estadual da Serra da Baitaca, do Parque Estadual Pico Paraná e do Parque Estadual das Lauráceas. Em entrevista ao Bem Paraná, ela não confirmou que o ‘caso Betinho’ tenha impactado as visitações ao Pico Paraná. No entanto, apontou uma série de outros fatores que podem explicar essa “explosão” na quantidade de pessoas querendo subir a maior montanha paranaense. “As pessoas estão procurando cada vez mais os nossos parques, é algo que já estamos observando há algum tempo, principalmente no Baitaca e no Pico Paraná”, diz ela, mencionando que o montanhismo cresceu 93,7% nas Unidades de Conservação do Paraná em cinco anos, entre 2021 e 2025. “Também temos um maior número de pessoas que agora sabem da obrigatoriedade do cadastro para acessar o parque, o que aumenta o número de pessoas que passa pela base do IAT. E o Pico Paraná é um ícone do montanhismo, existe ali uma questão de conquista. Então existe essa procura cada vez maior pelo Pico Paraná, o que envolve toda uma questão de superação. As pessoas se preparam em outros morros para fazer o Pico Paraná até”, emenda ainda ela. Aumento na visitação é motivo de preocupação para o IAT Ainda segundo Marina Rampim, é importante as pessoas estarem em contato com a natureza e procurarem as unidades de conservação, até para entender a importância de se preservar essas áreas naturais e apoiar isso como sociedade e como cidadãos. No entanto, destaca ainda ela, o expressivo aumento na procura pelo Pico Paraná é algo que gera preocupação, especialmente porque o verão não é o período mais indicado para se estar na montanha. “Essa questão da procura no começo do ano é preocupante. É uma coisa que a gente não gostaria, eu particularmente não gostaria que estivesse acontecendo”, afirma a chefe do PEPP. “O que preocupa é o período, porque não é a época indicada [para se praticar o montanhismo]. Ainda não estamos na chamada ‘temporada de montanha’, que é no inverno. O começo do ano é muito quente, a gente tem um risco muito maior de animais peçonhentos, de incidência de raios. A instabilidade climática também é maior, chove de repente, e a pessoa chega mais rápido à fadiga e exaustão por causa do calor”, alerta Rampim. Ainda segundo ela, a temporada de montanhas costuma começar entre o final de abril e o começo de maio, quando começa a esfriar e o tempo fica mais estável, menos chuvoso. Depois disso, a temporada ainda se estende até o final do inverno e, não raro, pega até um pedaço do outono. “Normalmente se estende ali até agosto, às vezes até setembro, mas os meses com maior visitação são julho e agosto”, diz ainda ela, ressaltando que as pessoas, ao visitarem um lugar como o Pico Paraná, não devem esquecer que estão em uma unidade de conservação. “As pessoas que visitam uma unidade de conservação têm que ter uma consciência ambiental, chegar lá e seguir o regramento da unidade, respeitar aquele ambiente. Tudo que a pessoa leva, ela tem que trazer de volta. Ninguém merece passar por uma trilha, chegar em um local lindo como o Pico Paraná, e acompanhar um fedor, chegar em um lugar sujo, um lugar mal cuidado. E isso é uma responsabilidade do visitante. A gente precisa da contribuição do visitante para que isso aconteça, porque é uma coisa que nem se a gente tivesse uma estrutura perfeita a gente ia conseguir inibir. Isso vai da consciência ambiental dos visitantes”, orienta ainda a chefe do PEPP. Erros mais comuns e itens básicos: como se preparar para subir o Pico Paraná Antes de se aventurar nas trilhas do Pico Paraná, algumas informações básicas são essenciais. E a primeira delas é que, antes de procurar a maior montanha, o ideal é começar buscando trilhas mais leves, menos difíceis. E a Serra da Baitaca, que fica em Quatro Barras, é um ótimo princípio. “O Pão de Loth, por exemplo, é um ótimo começo. Tem também o Samambaia, o Anhangava. Não vá pela emoção, achando que todo mundo consegue, todo mundo pode. Se prepare antes, comece por outros morros mais fácieis. Vai pro Pão de, Loth, depois pro Anhangava e aí o Caratuva. A partir daí, comece a se programar, se preparar bem para fazer essa visita ao Pico Paraná, porque lá é realmente lindo, vale a pena. Mas vale a pena com segurança e consciência, para evitar qualquer tipo de situação indesejada”, comenta Rampim. Além disso, também é fundamental que a pessoa busque informações previamente sobre o local que vai acessar. Principalmente em canais oficiais, como o próprio site do IAT . Nas unidades de conservação é ainda obrigatória a realização de um cadastro, informando que você está acessando a área e para onde está indo. Além disso, também acompanhe a previsão climática, para saber se há possibilidade de chuva ou não. E trate de usar roupas adequadas, com proteção UV e um tecido mais leve, que facilite a movimentação. A camiseta, de preferência, deve ser de manga longa. “O sapato, a gente sempre orienta a usar um coturno com uma aderência boa, para evitar escorregões, torções. Chapéu e boné também são essenciais, bem como um protetor solar e repelente. Também fique atento à questão de alimentação e água, dependendo do morro para o qual você vai, e procure conhecer o regramento da unidade, para não chegar lá e cometer algumas infrações equivocadamente”, orienta ainda a chefe do PEPP. O post Efeito Betinho?! Procura pelo Pico Paraná mais do que dobra em 2026 apareceu primeiro em Bem Paraná .