“Fazia para me provocar”, disse tenente-coronel sobre esposa seguir homens
21 Mar, 2026
Em depoimento à Polícia Civil, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito pelo feminicídio da soldado Gisele Santana , de 32 anos, alegou que a esposa seguia homens com o objetivo de provoca-lo. Conforme documento do interrogatório, ao qual a CNN Brasil teve acesso, o tenente-coronel conta que Gisele possuía “muitos admiradores” e que recentemente havia começado a seguir alguns homens. Quando questionado sobre se sentir incomodado com a situação, o militar disse que a soldado fazia isso para provocar ele, pois sabia que o relacionamento deles estava “esfriando”. Ainda segundo o interrogatório, realizado nessa quinta-feira (19), o tenente-coronel informou que questionava Gisele sobre o comportamento. “Poxa, por que você está seguindo o homem? Ele que te seguiu ou você que seguiu de volta? Como é que foi?”, perguntava. Leia Mais Caso Vitor Medrado: Justiça condena dois por latrocínio de ciclista em SP Suspeito de tentar matar ex-namorada a facadas é preso em Belém Caso Gisele: Tenente-coronel diz que tomou banho para "baixar pressão" Ele também contou ao delegado do caso que a esposa fazia as mesmas perguntas para ele quando alguma mulher mandava um convite para segui-lo. Ambos tinham as contas um do outro salvas no celular. Entenda o caso A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás , região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido de Gisele, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi indiciado pela Polícia Civil e se tornou réu por feminicídio e fraude processual. A mudança de rumo na investigação ocorreu após a análise de laudos periciais , depoimentos e evidências extraídas de dispositivos eletrônicos. Segundo relatório da Polícia Civil e denúncia do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo), há um conjunto consistente de elementos que afastam completamente a hipótese de suicídio. Polícia pede prisão de tenente-coronel marido de PM encontrada morta em SP | BASTIDORES CNN Entre os pontos centrais estão contradições do tenente-coronel, indícios de manipulação da cena do crime e sinais claros de violência anterior à morte. De acordo com a versão apresentada pelo tenente-coronel, ele teria ouvido o tiro poucos instantes após sair do quarto da esposa. LEIA TAMBÉM: Caso Gisele: Relação era marcada por abusos O exame necroscópico confirmou que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça da vítima, em trajetória incompatível com um tiro autoinfligido. Além disso, peritos encontraram lesões no rosto e no pescoço, incluindo marcas de dedos e arranhões, indicando que Gisele foi imobilizada antes de ser morta. Hematomas na região dos olhos também apontam para agressões anteriores ou simultâneas ao disparo. *Sob supervisão de Thiago Félix