Saiba a versão completa de tenente-coronel sobre morte de PM

admin
21 Mar, 2026
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto negou qualquer envolvimento na morte de sua esposa , a soldado Gisele Alves Santana, no último dia 18 de fevereiro. Ela foi encontrada sem vida em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo. Segundo o oficial, o casal se conheceu em 2021, iniciou o relacionamento em 2023 e oficializou o casamento em 2024. Geraldo afirma que assumia integralmente as despesas da casa , incluindo aluguel, condomínio e contas mensais, além de contribuir com os custos da filha de 7 anos de Gisele, a quem diz tratar como própria. Em mensagens , ele chegou a se definir como um “macho alfa provedor” , exigindo submissão dentro da relação. Leia mensagens trocadas entre o casal Trocar imagem Trocar imagem 1 de 5 Geraldo e Gisele estavam juntos há cerca de 4 anos • Reprodução/Redes Sociais Trocar imagem Trocar imagem 2 de 5 Coversas mostram mensagens como "macho alfa" e "fêmea beta" • Reprodução Trocar imagem Trocar imagem Trocar imagem 3 de 5 Prints revelam "regras de comportamento" que Geraldo exigia de Gisele • Reprodução Trocar imagem Trocar imagem Trocar imagem Trocar imagem Trocar imagem 4 de 5 Mensagens apontam que Gisele teria se queixado de que Geraldo a "tratava de qualquer jeito" • Reprodução Trocar imagem Trocar imagem 5 de 5 Mensagens foram trocadas no dia 13 de fevereiro • Reprodução visualização default visualização full visualização grid Leia Mais Tenente-coronel é alvo de novo mandado de prisão pela Justiça comum Acusado de matar PM, tenente-coronel segue preso após audiência de custódia Morte de PM: Justiça aceita denuncia de feminicídio; coronel vira réu De acordo com o tenente-coronel, o relacionamento entrou em crise em 2025 , após sua transferência para o 49o BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano). Ele afirma que, ao adotar medidas rígidas na unidade, passou a ser alvo de denúncias anônimas e ataques de subordinados , que teriam criado perfis falsos para acusá-lo de traições. Ainda segundo sua versão, imagens que supostamente comprovariam infidelidade teriam sido manipuladas com uso de inteligência artificial. As suspeitas teriam gerado ciúmes em Gisele e l evado o casal a dormir em quartos separados por cerca de oito meses , segundo ele. Discussões antes da morte Geraldo descreve uma sequência de conflitos nos dias que antecederam a morte. Em 13 de fevereiro, afirma que encontrou a esposa decidida a se separar. Nos dias seguintes, novas discussões ocorreram, motivadas por ciúmes e divergências no relacionamento. Na véspera, o casal teria tido uma longa conversa, na qual ele expôs insatisfações relacionadas à vida conjugal, questões financeiras e conflitos recorrentes. O relato sobre o dia da morte Sobre a manhã do crime, o oficial afirma que acordou por volta das 7h10 e, após orar, decidiu formalizar a separação . Segundo ele, ao comunicar a decisão, Gisele teria se exaltado, o empurrado para fora do quarto e batido a porta. Ele diz que foi tomar banho no banheiro do corredor e que, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho forte. Ao sair, afirma ter encontrado a esposa caída na sala , com uma arma na mão e uma poça de sangue. Justificativas para inconsistências Diante das suspeitas levantadas por investigadores e peritos , Geraldo apresentou explicações para diversos pontos considerados contraditórios: Falta de socorro: afirmou que, por conhecimento técnico, percebeu que o ferimento era irreversível e evitou tocar no corpo para não alterar a cena. Demora no acionamento: contestou o horário indicado por testemunhas, sugerindo possível erro na percepção da vizinha que relatou ter ouvido o disparo antes. Contato com desembargador: disse ter ligado para um amigo pessoal, o desembargador Marco Antônio Cogan, e não por influência no caso. Banho após o ocorrido: alegou ter passado mal e recebido orientação, de alguém que não soube identificar, para tomar banho quente. Vestígios de sangue: afirmou que marcas no banheiro teriam sido deixadas por socorristas. Lesões no corpo: atribuiu marcas no pescoço de Gisele ao fato de ela ter carregado a filha no colo dias antes. Vídeo com ameaça: disse que imagens em que aparece ameaçando tirar a própria vida seriam falsas, criadas com Inteligência Artificial. Limpeza do local: afirmou que a higienização do apartamento foi determinada por superiores, sem sua participação direta. Em uma entrevista ao programa Balanço Geral , da Record, o tenente-coronel afirmou que a esposa “surtou” e que estaria sendo vítima de um “linchamento virtual”. Ele também acusou a família da vítima de construir uma narrativa falsa sobre o caso. “Em hipótese alguma matei a minha esposa” , declarou. Leia na íntegra a nota da defesa: “O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratado para assistir o Tenente-Coronel GERALDO LEITE ROSA NETO no acompanhamento das investigações relativas ao suicídio de sua esposa, vem a público prestar esclarecimentos. Ante o recente decreto dúplice de prisão do Tenente-Coronel pelos mesmos fatos tanto perante a Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, a defesa encontra-se estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições. Informa que sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes. Informa, por fim, que já ajuizu Reclamação perante o STJ contra o decreto oriundo da Justiça castrense e que estuda o manejo de habeas corpus quanto à decisão da 5a Vara do Júri da Capital. Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade. A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5o, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel. Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos.” Veja versão da Polícia sobre a morte de Gisele A abordagem, contenção da vítima e disparo contra cabeça de Gisele pode ser descrita em quatro atos, segundo laudo. Veja abaixo: Trocar imagem Trocar imagem Trocar imagem 1 de 6 De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu na manhã de 18 de fevereiro, por volta das 7h28 • Reprodução Trocar imagem Trocar imagem 2 de 6 A acusação aponta que, durante uma discussão, o tenente-coronel teria segurado a vítima pela cabeça • Reprodução Trocar imagem Trocar imagem Trocar imagem 3 de 6 A acusação aponta que, durante uma discussão, o tenente-coronel teria segurado a vítima pela cabeça • Reprodução Trocar imagem Trocar imagem Trocar imagem Trocar imagem Trocar imagem 4 de 6 Após isso, Geraldo Neto atirou contra o lado direito do crânio da PM Gisele Alves Santana, segundo o MP • Reprodução Trocar imagem Trocar imagem 5 de 6 Imagens mostram as marcas das agressões sofridas por Gisele no dia da morte • Reprodução Trocar imagem Trocar imagem Trocar imagem 6 de 6 O Ministério Público também sustenta que houve demora no acionamento do socorro. Conforme a acusação, o policial só teria chamado ajuda cerca de meia hora após o disparo, período em que teria alterado o local dos fatos • Reprodução Trocar imagem Trocar imagem visualização default visualização full visualização grid De acordo com os peritos da Polícia Científica de São Paulo, o tenente-coronel abordou a vítima no interior da residência . A abordagem ocorre por trás, pegando Gisele de surpresa. Geraldo teria imobilizado a vítima, agarrando-a pelas costas. Gisele tentou se desvencilhar do ataque. Nesse momento, o suspeito empunha uma arma de fogo próxima à cabeça dela. O laudo identificou lesões compatíveis com pressão de dedos na parte de baixo do rosto da PM e na lateral direita do pescoço. Também foi encontrada uma marca superficial de unha. Para os peritos, essas marcas indicam que houve uma luta corporal ou tentativa de esganadura antes do disparo fatal. 2025 registra recorde de feminicídios com 4 mulheres mortas por dia